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Atualização PALS 2025: o que muda no Suporte Avançado de Vida em Pediatria

A American Heart Association (AHA) divulgou uma atualização importante das diretrizes de Pediatric Advanced Life Support (PALS), ou Suporte Avançado de Vida em Pediatria. As mudanças refletem as mais recentes evidências científicas e impactam diretamente a prática de reanimação pediátrica, especialmente no manejo de bebês e crianças em parada cardiorrespiratória (PCR) e situações de emergência.

Resumo rápido: o que é o PALS

  • PALS (Pediatric Advanced Life Support) é o Suporte Avançado de Vida em Pediatria, da American Heart Association (AHA).
  • Orienta o atendimento da parada cardiorrespiratória e das emergências em bebês e crianças.
  • Fundamentos da RCP: compressões de qualidade, ventilação, adrenalina e desfibrilação nos ritmos chocáveis.
  • A atualização de 2025 mudou pontos como a técnica de compressão em bebês e os alvos de qualidade da RCP.

Essenciais da RCP pediátrica

ParâmetroRecomendação
Frequência das compressões100 a 120 por minuto
ProfundidadeCerca de 1/3 do diâmetro do tórax (aprox. 4 cm em bebês, 5 cm em crianças)
Relação compressão:ventilação30:2 com 1 socorrista; 15:2 com 2 socorristas
Com via aérea avançada1 ventilação a cada 2 a 3 segundos (20 a 30 por minuto)
Adrenalina0,01 mg/kg IV ou IO a cada 3 a 5 minutos
Desfibrilação (FV/TV sem pulso)2 a 4 J/kg e, a seguir, aumentar 2J/kg a cada choque subsequente (máximo de 10 J/kg ou dose de adulto)

Na bradicardia com má perfusão, inicia-se RCP se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm apesar de oxigenação e ventilação adequadas. A adrenalina é a droga de escolha, e a atropina fica reservada a tônus vagal aumentado ou bloqueio atrioventricular primário. 

Fim da técnica de dois dedos na RCP em bebês

Uma das mudanças mais relevantes do PALS 2025 é o abandono da técnica de dois dedos para compressões torácicas em bebês menores de 1 ano. Para essa faixa etária as novas recomendações incluem:

  • Técnica preferencial: compressões com dois polegares, com as mãos circundando o tórax.
  • Alternativa: caso o socorrista não consiga envolver o tórax, deve comprimir com a base de uma das mãos.

A mudança ocorreu devido aos estudos multicêntricos que apontaram que a técnica da base de uma mão proporciona maior profundidade de compressão, mantendo frequência e eficácia superiores à técnica de dois dedos. Essa última foi, portanto, retirada das diretrizes.trizes.

Manejo de OVACE grave (obstrução de vias aéreas por corpo estranho)

Bebês (< 1 ano)

  • Aplicar 5 golpes nas costas, seguidos de 5 compressões torácicas com a base de uma mão.
  • Repetir o ciclo até que o corpo estranho seja expelido ou o bebê fique inconsciente. Em caso de perda de consciência, iniciar RCP imediatamente.

Crianças (> 1 ano)

  • Aplicar 5 golpes nas costas, seguidos de 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich).
  • Repetir o ciclo até que o corpo estranho seja expelido ou o bebê fique inconsciente. Em caso de perda de consciência, iniciar RCP imediatamente.

Essas recomendações reforçam a importância da alternância entre golpes e compressões, priorizando técnicas adequadas à faixa etária.

Taquicardia supraventricular com pulso e instabilidade hemodinâmica

Quando diante de uma taquicardia supraventricular refratária, isto é, quadro que não responde à adenosina ou cardioversão elétrica sincronizada (CVES) e não há especialista disponível, o PALS 2025 autoriza o uso de procainamida, amiodarona ou sotalol como alternativas aceitáveis. A mudança amplia as opções de manejo farmacológico em emergências, especialmente em serviços com recursos limitados.

Qualidade da RCP: novos parâmetros de monitorização

ETCO₂ (capnografia)

  • Novo alvo: valores iguais ou superiores a 20 mmHg.
  • Anteriormente: 10 a 15 mmHg.

Valores mais altos de ETCO₂ estão associados a maior chance de retorno da circulação espontânea (RCE) e melhor prognóstico neurológico.

Pressão arterial invasiva (PAI)

  • Bebês: pressão diastólica ≥ 25 mmHg.
  • Crianças (> 1 ano): pressão diastólica ≥ 30 mmHg.

Além disso, mantém-se a orientação de monitorar a amplitude da onda arterial como marcador adicional da qualidade das compressões torácicas.

Cuidados pós-parada cardiorrespiratória (PCR)

O alvo pressórico também foi revisado. Agora, recomenda-se manter a pressão arterial sistólica e média acima do percentil 10 para a idade, substituindo o critério anterior, que considerava apenas a sistólica acima do p5.

Essa mudança reflete o foco crescente na otimização da perfusão cerebral e na recuperação hemodinâmica pós-PCR em pacientes pediátricos.

Comparativo AHA 2020 x AHA 2025

Atualizações PALSAHA 2020AHA 2025
Técnica de compressões em bebês1 socorrista: técnica dos 2 dedos. 2 ou mais socorristas: 2 polegares com as mãos circundando o tórax. Não utilizar técnica dos 2 dedos. Se o socorrista não conseguir envolver o tórax na técnica de 2 polegares, comprimir com a base de uma das mãos.
OVACE grave:< 1 ANO: 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões torácicas.CRIANÇAS > 1 ANO: compressões abdominais (manobra de Heimlich).< 1 ANO: 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões torácicas. CRIANÇAS > 1 ANO: 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões abdominais até que o objeto seja expelido ou a criança fique inconsciente.
Taquicardia supraventricular com pulso e comprometimento cardiopulmonar: É aconselhável consultar um especialista antes de usar amiodarona ou procainamida. Se não responsiva a adenosina e CVES e consulta com especialista não disponível: a administração de procainamida, amiodarona ou sotalol é aceitável. 
Qualidade da RCP através do ETCO2: Alvo de ETCO2 superior a 10 a 15 mmHg. Alvo de ETCO2 iguais ou superiores a 20 mmHg. 
Qualidade da RCP através da PAI:Melhora da amplitude da onda arterial.Alvo de pressão arterial diastólica maior ou igual a 25 mmHg em bebês e maior ou igual a 30 mmHg em crianças com 1 ano de idade ou mais. 
Alvo de PA nos cuidados pós PCR:Sistólica acima do p5 para a idadeSistólica e média acima do p10 para a idade 
Leia mais: Atualização de suplementação de Vitamina D

Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre o PALS

PALS é tema recorrente em pediatria e emergência. Os pontos de maior rendimento:

  • Compressões de 100 a 120 por minuto, com profundidade de cerca de 1/3 do tórax.
  • Relação 15:2 com 2 socorristas em bebês e crianças.
  • Adrenalina 0,01 mg/kg a cada 3 a 5 minutos.
  • Desfibrilação começa com 2 a 4 J/kg. 
  • RCP na bradicardia com FC abaixo de 60 apesar de oxigenar e ventilar.
  • Novidades 2025: sem técnica dos 2 dedos em bebês, ETCO2 alvo igual ou maior que 20 mmHg e novos alvos de pressão arterial.

O que fazer: fixe os números da RCP de qualidade (frequência, profundidade e relação) e some as mudanças de 2025, que são a parte “nova” da prova.números da RCP de qualidade (frequência, profundidade e relação) e some as mudanças de 2025, que são a parte “nova” da prova.

Perguntas frequentes sobre o PALS

O que é o PALS?

É o Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Pediatric Advanced Life Support), protocolo da AHA para parada cardiorrespiratória e emergências em bebês e crianças.

Qual a frequência e a profundidade das compressões?

De 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade de cerca de 1/3 do diâmetro do tórax.

Qual a relação compressão:ventilação?

30:2 com um socorrista e 15:2 com dois socorristas.

Qual a dose de adrenalina?

0,01 mg/kg por via intravenosa ou intraóssea, a cada 3 a 5 minutos.

O que mudou no PALS 2025?

A técnica de compressão em bebês, os alvos de ETCO2 e de pressão arterial na RCP e o manejo da taquicardia supraventricular, entre outros pontos.

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Autor e Revisor

  • Leila Menzel

    Leila Menzel é estudante de Jornalismo na Anhanguera e atua na produção de conteúdo jornalístico sobre saúde e educação médica. Na MedCof, produz e atualiza conteúdos relacionados à residência médica, processos seletivos, editais e especialidades médicas, acompanhando notícias e informações relevantes para estudantes e médicos em preparação para provas e processos seletivos.

  • Médica pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
    Pediatria pelo Einstein Hospital Israelita
    Coordenadora do Hands On do Grupo MedCof

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