Veja as principais recomendações da atualização 2025 sobre HTLV

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A infecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) permanece como um relevante desafio em saúde pública, especialmente no contexto da atenção à gestante, do parto e do acompanhamento da criança exposta.

Em 2025, as recomendações atualizadas reforçam condutas fundamentais para o diagnóstico, manejo obstétrico e seguimento clínico.

O que é o HTLV?

O HTLV é uma infecção sem cura e sem vacina disponível até o momento. A maioria dos indivíduos infectados permanece assintomática ao longo da vida, porém uma parcela pode evoluir com manifestações clínicas graves, como a leucemia/linfoma de células T do adulto e a mielopatia associada ao HTLV-1, também conhecida como paraparesia espástica tropical.

Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, embora outras vias de transmissão sejam bem estabelecidas, incluindo a via parenteral e a transmissão vertical, que pode ocorrer durante o parto ou por meio do aleitamento materno

Testagem para HTLV na gestação

A testagem da gestante é ponto central na prevenção da transmissão vertical. Recomenda-se a realização de, no mínimo, dois testes: um teste inicial de triagem, com maior sensibilidade, seguido por um teste confirmatório, de maior especificidade.

Os métodos indicados para triagem incluem ELISA, CLIA e ECLIA. Para confirmação diagnóstica, utilizam-se o imunoensaio em linha ou o Western Blot. Além disso, testes moleculares para detecção do DNA pró-viral do HTLV são indicados nos casos em que o teste de triagem é reagente e o confirmatório apresenta resultado inconclusivo.

A recomendação atual é que a testagem seja realizada no primeiro trimestre da gestação, não sendo necessária a repetição nos trimestres subsequentes quando o resultado inicial é não reagente.

Via de nascimento e condutas no parto

Para gestantes com diagnóstico confirmado de HTLV, a cesariana eletiva é a via de nascimento indicada, independentemente da presença de manifestações clínicas, devendo ser programada a partir de 38 semanas de gestação. Recomenda-se, ainda, a realização de parto empelicado, clampeamento imediato do cordão umbilical e garantia de completa hemostasia antes da histerorrafia.

Nos casos em que o diagnóstico não está concluído no momento do parto — isto é, teste de triagem reagente com teste confirmatório inconclusivo ou indisponível — a conduta depende do quadro clínico materno. Havendo manifestações clínicas compatíveis, indica-se cesariana; na ausência de sintomas, a via de parto deve seguir critérios obstétricos.

Recomendações atuais para amamentação

A amamentação é absolutamente contraindicada para gestantes com diagnóstico confirmado de HTLV, em razão do elevado risco de transmissão vertical.

Quando o diagnóstico ainda não está confirmado, a amamentação pode ser mantida temporariamente até que a investigação seja concluída com a maior brevidade possível. Entretanto, se houver um primeiro teste positivo, um segundo teste negativo e presença de sintomas clínicos sugestivos, recomenda-se a suspensão imediata do aleitamento materno.

Acompanhamento da criança exposta ao HTLV

O acompanhamento da criança exposta ao HTLV é de notificação compulsória e deve seguir fluxo assistencial bem definido. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o seguimento ocorre conforme a Caderneta de Saúde da Criança.

No acompanhamento especializado, as avaliações devem ser realizadas aos 1, 3, 6, 9, 12 e 18 meses de vida, em protocolo semelhante ao adotado para a sífilis congênita. Devem ser monitorados o ganho ponderal e o desenvolvimento neuropsicomotor, além da garantia de alimentação por fórmula infantil.

A sorologia para HTLV tipos 1 e 2 deve ser realizada aos 18 meses de idade. Na ausência de infecção confirmada, a criança retorna ao acompanhamento exclusivo na APS. Em casos de infecção confirmada, o seguimento deve ser mantido em serviço especializado.

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