
A Medicina Intensiva é a especialidade médica dedicada ao cuidado de pacientes graves e potencialmente instáveis, que necessitam de monitorização contínua, suporte avançado de vida e tomada de decisão rápida. Presente no coração dos hospitais, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), ela é essencial para a redução da mortalidade e para a recuperação de pacientes em estado crítico.
Nos últimos anos, a especialidade passou por uma valorização sem precedentes, impulsionada principalmente pela pandemia de COVID-19, que evidenciou o papel central do médico intensivista na linha de frente do sistema de saúde. Hoje, trata-se de uma área estratégica, com alta demanda, impacto direto na vida dos pacientes e reconhecimento crescente.
Se você está em dúvida sobre qual caminho seguir após a graduação, este artigo foi pensado para te ajudar a entender como funciona a residência em medicina intensiva, como é a rotina, o mercado de trabalho e se essa especialidade combina com o seu perfil.
O que é a Medicina Intensiva e sua evolução histórica?
A Medicina Intensiva surgiu na segunda metade do século XX, a partir da necessidade de concentrar pacientes graves em ambientes com monitorização contínua e recursos tecnológicos avançados. Um dos marcos históricos foi a epidemia de poliomielite na década de 1950, quando se percebeu que pacientes críticos tinham melhores desfechos quando acompanhados de forma especializada.
Com o avanço da ventilação mecânica, dos monitores multiparamétricos e das drogas vasoativas, as UTIs se tornaram setores fundamentais dentro dos hospitais, exigindo médicos treinados especificamente para esse cenário.
No Brasil, a especialidade ganhou estrutura e reconhecimento progressivos, sendo oficialmente reconhecida pelo CFM e pela AMB, com forte atuação da AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) na regulamentação da formação e certificação profissional.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, a Medicina Intensiva passou a ser vista como uma especialidade estratégica e indispensável, tanto no sistema público quanto no privado.
Modalidades de formação em Medicina Intensiva
Existem duas principais formas de se tornar médico intensivista no Brasil, e entender cada uma delas é essencial para planejar sua carreira.
Residência de acesso direto (3 anos)
- Ingresso logo após a graduação;
- Formação contínua e estruturada desde o início;
- Maior exposição precoce à UTI;
- Ideal para quem já tem certeza da escolha.
Desvantagem: exige maturidade clínica desde o começo da residência.
Residência com pré-requisito (2 anos)
- Exige formação prévia em:
- Clínica Médica;
- Cirurgia Geral;
- Anestesiologia;
- Cardiologia (em alguns serviços).
- Formação intensiva focada exclusivamente na UTI.
Vantagem: o médico chega à UTI com base clínica ou cirúrgica sólida, o que facilita a tomada de decisões complexas.
Duração da residência em medicina intensiva
A duração varia conforme o modelo escolhido. Na modalidade de acesso direto, a residência tem duração de 3 anos, com formação progressiva em terapia intensiva, clínica médica e áreas correlatas.
Já na modalidade com pré-requisito, a formação específica em medicina intensiva dura 2 anos, somando-se aos anos da especialidade prévia. Em ambos os casos, trata-se de uma residência intensa, prática e altamente exigente, com grande carga horária assistencial.
O que faz um médico intensivista?
O médico intensivista é responsável por decisões críticas e manejo contínuo de pacientes graves. Entre suas principais funções estão:
- Avaliação clínica contínua de pacientes instáveis;
- Manejo da ventilação mecânica e oxigenoterapia avançada;
- Prescrição e ajuste de drogas vasoativas e sedativos;
- Interpretação rápida de exames laboratoriais e de imagem;
- Coordenação do cuidado multiprofissional;
- Comunicação com familiares em situações complexas;
- Tomada de decisões éticas em fim de vida e cuidados paliativos.
A rotina do médico intensivista
A rotina varia conforme o tipo de hospital e modelo de trabalho, mas geralmente envolve plantões em UTI, rounds clínicos e acompanhamento contínuo dos pacientes.
No dia a dia, o intensivista:
- Realiza visitas multiprofissionais;
- Reavalia condutas várias vezes ao dia;
- Atua em situações de emergência;
- Discute casos com outras especialidades.
O trabalho é altamente integrado, com enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos e psicólogos. O maior desafio é lidar com pacientes críticos, decisões rápidas e carga emocional elevada — o que exige preparo técnico e equilíbrio emocional.
Principais procedimentos e habilidades técnicas
- Intubação orotraqueal: controle avançado das vias aéreas;
- Acesso venoso central: monitorização e infusão de drogas;
- Cateter arterial: controle hemodinâmico contínuo;
- Ventilação mecânica invasiva e não invasiva: ajuste fino de parâmetros;
- Ultrassom à beira-leito: apoio diagnóstico e procedural.
Áreas de atuação e subespecialidades do médico intensivista
O intensivista pode atuar em diferentes cenários, como:
- UTI geral adulto;
- UTI cardiológica;
- UTI neurológica;
- UTI cirúrgica;
- UTI de transplantes.
Além disso, há oportunidades em:
- Hospitais públicos e privados;
- Gestão e coordenação de UTIs;
- Ensino e preceptoria;
- Pesquisa clínica.
Após a residência, é possível buscar subespecializações, como ecocardiografia em UTI, cuidados paliativos ou gestão em saúde.
Mercado de trabalho e remuneração do residente
A demanda por intensivistas no Brasil é alta e crescente, especialmente fora dos grandes centros.
- Plantões: valores elevados em comparação a outras áreas;
- Regime CLT ou PJ;
- Possibilidade de múltiplos vínculos.
A tendência é de manutenção da alta demanda, com boas perspectivas futuras, principalmente para profissionais bem formados e titulados.
É difícil entrar na residência em medicina intensiva?
A concorrência é moderada, especialmente quando comparada a especialidades como dermatologia ou oftalmologia. O que mais pesa nas provas é:
- Base sólida em clínica médica;
- Conhecimento em fisiologia e emergências;
- Treino direcionado para o estilo da banca.
Ter estratégia e preparação específica faz toda a diferença.
Dicas práticas para passar na residência em medicina intensiva
- Foque em clínica médica e fisiologia;
- Resolva questões comentadas;
- Estude protocolos de UTI;
- Treine leitura rápida de casos clínicos;
- Faça simulados com frequência;
- Organize um cronograma realista;
- Revise erros com atenção;
- Conte com um curso preparatório especializado.
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