Residência em Geriatria: duração, requisitos e mercado de trabalho

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A residência em Geriatria é uma especialização médica de dois anos voltada ao cuidado da pessoa idosa em todas as suas dimensões. 

Para ingressar nessa área, é necessário ter concluído previamente a residência em Clínica Médica. Ou seja, é uma especialidade com pré-requisito. 

É indicada para médicos que já passaram pela formação clínica e agora desejam aprofundar sua atuação no processo de envelhecimento humano.

Como funciona a residência médica em Geriatria?

A residência médica em Geriatria tem duração padrão de dois anos (R3 e R4) e só pode ser iniciada após a conclusão da residência em Clínica Médica. 

Durante esse período, o médico passa por uma formação intensiva, com carga horária de 60 horas semanais.

O programa é composto por diferentes estágios e rodízios, que incluem atuação em enfermarias, ambulatórios, unidades de cuidados prolongados, instituições de longa permanência, atenção domiciliar, cuidados paliativos e serviços de apoio diagnóstico. 

A maior parte da formação é prática dedicada à assistência direta ao paciente, enquanto os outros 20% são reservados para atividades teóricas, como aulas, discussões de casos e seminários.

Primeiro ano da residência (R3)

No R3, o foco está na construção das bases da prática geriátrica. O residente desenvolve competências essenciais para o cuidado do idoso, aprendendo a reconhecer as particularidades do envelhecimento e a manejar pacientes com múltiplas comorbidades.

Entre os principais estágios estão enfermaria geriátrica, ambulatório, atendimento hospitalar e atenção ao idoso frágil. 

Nesse período, o médico aprende a realizar a avaliação geriátrica ampla, uma abordagem multidimensional que considera aspectos clínicos, funcionais, cognitivos, emocionais e sociais do paciente.

Também fazem parte do primeiro ano o aprendizado das síndromes geriátricas básicas, como quedas, imobilidade, incontinência urinária, delirium, demência, depressão e polifarmácia.

Segundo ano da residência (R4)

No R4, a formação se aprofunda e ganha um caráter mais especializado. O residente passa por estágios como cuidados paliativos, reabilitação, atenção domiciliar, instituições de longa permanência e ambulatórios específicos.

Assim, desenvolve habilidades avançadas no manejo de casos complexos.

Há uma maior autonomia e responsabilidade clínica, com participação ativa na tomada de decisões, coordenação do cuidado e discussão de planos terapêuticos com equipes multiprofissionais. 

Esse segundo ano também marca a preparação para a prática independente, consolidando a capacidade do médico de atuar como geriatra em diferentes cenários assistenciais.

Quanto ganha um residente em Geriatria?

O valor da bolsa de residência médica em Geriatria pode variar bastante conforme a instituição e também de acordo com a legislação vigente. 

De modo geral, a residência médica oferece uma bolsa padronizada em todo o país, podendo haver complementações em alguns programas. Para 2025/2026, o valor nacional é de aproximadamente R$4.106,09 brutos mensais.

É importante destacar que a bolsa de residência não equivale ao salário de um médico especialista já formado. Durante a residência, o profissional recebe um valor fixo mensal para custear sua formação, enquanto o rendimento de um geriatra após a especialização depende de fatores como local de atuação, carga horária, tipo de vínculo e experiência.

Qual é o salário de um médico geriatra?

Após a conclusão da residência, o médico geriatra encontra um mercado em expansão, impulsionado pelo envelhecimento acelerado da população brasileira. 

A faixa salarial varia conforme região, modelo de contratação e volume de atendimentos, mas, em média, o rendimento mensal costuma ficar entre R$ 12 mil e R$ 25 mil, podendo ser maior para profissionais com consultório próprio ou atuação em múltiplos serviços.

Em geral, instituições públicas oferecem salários mais estáveis, porém com valores fixos definidos por edital, enquanto o setor privado tende a apresentar maior potencial de ganhos, especialmente para geriatras que atuam em clínicas, hospitais particulares, atendimento domiciliar ou cuidados paliativos. 

Com o tempo e a consolidação da carreira, também é comum ampliar a renda por meio de subespecializações e prática autônoma.

Principais áreas de formação durante a residência em Geriatria

Durante a residência em Geriatria, o médico desenvolve um conjunto amplo de competências voltadas ao cuidado integral do idoso.

Aprende a lidar com pacientes que frequentemente apresentam múltiplas doenças crônicas, fragilidade e demandas complexas. A formação prioriza uma visão global do paciente, indo além do tratamento de patologias isoladas.

Os rodízios obrigatórios incluem atuação em enfermaria geriátrica, ambulatórios especializados, serviços de emergência, atenção domiciliar, instituições de longa permanência e cuidados paliativos, permitindo contato com diferentes cenários assistenciais e níveis de complexidade. 

Ao longo desses estágios, o residente participa ativamente do acompanhamento clínico, definição de condutas e planejamento terapêutico.

Um dos pilares do programa é a formação multidisciplinar, com interação constante com áreas como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicologia e serviço social. 

Essa integração é essencial para compreender o impacto funcional, cognitivo e social das doenças e construir planos de cuidado individualizados.

Também fazem parte da formação os conhecimentos específicos em síndromes geriátricas, farmacologia do idoso. Além da aplicação da abordagem multidimensional, que avalia aspectos clínicos, funcionais, mentais e sociais do paciente.

Muitos programas também oferecem oportunidades de pesquisa e atividades acadêmicas, como participação em projetos científicos, apresentação de trabalhos em congressos e envolvimento em ensino, contribuindo para o desenvolvimento crítico e para a produção de conhecimento na área.

Como funciona o processo seletivo da residência em geriatria?

O processo seletivo costuma seguir o modelo tradicional das especialidades com pré-requisito, sendo composto, na maioria das instituições, por prova teórica, análise curricular e, em alguns casos, entrevista

A prova escrita geralmente tem maior peso na nota final e avalia os conhecimentos adquiridos durante a residência em Clínica Médica.

Entre os principais conteúdos cobrados estão temas como cardiologia, pneumologia, nefrologia, endocrinologia, gastroenterologia, infectologia e reumatologia. 

Além de tópicos transversais, como ética médica, interpretação de exames e manejo de pacientes complexos. 

Alguns processos seletivos também incluem questões específicas sobre envelhecimento e cuidados com o idoso.

As inscrições costumam ocorrer entre setembro e novembro, com aplicação das provas entre novembro e dezembro, dependendo da banca organizadora e da instituição. 

Já o início da residência acontece, via de regra, em março do ano seguinte.

Para aumentar as chances de aprovação, é fundamental manter uma rotina estruturada de estudos, revisar os principais conteúdos da Clínica Médica, resolver provas anteriores e investir em materiais direcionados para especialidades com pré-requisito. 

Principais instituições com programas de residência em geriatria

  • Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo): referência nacional em ensino e prática clínica em Geriatria e envelhecimento.
  • UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo): programa consolidado com forte experiência assistencial e acadêmica.
  • UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais): residência reconhecida que integra teoria e prática no cuidado ao idoso.
  • UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul): formação robusta com atuação em diferentes contextos clínicos.
  • Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ): programa estadual com tradição na área geriátrica.
  • IPSEMG (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais): residência em Geriatria com forte produção científica e histórico de pioneirismo.
  • IMIP (Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira): oferece vagas de residência com foco teórico-prático em Geriatria. 

Atualmente, há cerca de 61 instituições no país que oferecem programas de geriatria no Brasil. São oferecidas, aproximadamente, 416 vagas por ano para residência em Geriatria.

Os programas têm aumentado ao longo dos últimos anos no Brasil, acompanhando a demanda por atendimento à população idosa.

A maioria dos programas de Geriatria está no Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, com menor concentração no Norte e Nordeste.

As informações mais atualizadas sobre programas e vagas de residência em Geriatria podem ser encontradas principalmente no sistema da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC), que reúne os programas autorizados no país, além dos editais do ENARE e das seleções unificadas estaduais, que detalham anualmente as vagas por instituição. 

Também vale acompanhar a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e os sites de hospitais universitários e universidades, como USP, Unifesp, UFMG e UFRJ, onde são publicados os editais completos com requisitos, cronograma e número de vagas.

Como escolher a instituição ideal para sua formação em Geriatria?

  • Corpo docente e preceptores: prioridade para serviços com professores e preceptores experientes em Geriatria e envelhecimento.
  • Volume e diversidade de atendimentos: programas com maior fluxo assistencial tendem a oferecer experiência prática mais rica.
  • Integração com outros serviços: verifique a colaboração com áreas como cuidados paliativos, reabilitação, urgência e ambulatórios de especialidades.
  • Estrutura acadêmica e pesquisa: oportunidades para pesquisa científica, extensão e participação em congressos enriquecem a formação.
  • Localização e qualidade de vida: considere fatores como custo de vida, apoio à moradia e proximidade de familiares ou rede de suporte. 

Conversar com residentes atuais e egressos e visitar os serviços pode fornecer insights valiosos sobre o ambiente e a rotina de trabalho. 

Rotina e atividades do residente em Geriatria

A rotina do residente em Geriatria costuma ser bastante dinâmica. Um dia típico envolve visitas à enfermaria pela manhã, atendimentos ambulatoriais, discussão de casos com preceptores e participação em reuniões multiprofissionais. 

Ao longo da semana, também entram na agenda plantões, acompanhamento de pacientes em diferentes setores e atividades acadêmicas, como aulas e seminários.

A carga horária é dividida entre ambulatório, enfermarias, plantões e momentos de formação teórica, permitindo contato com idosos em variados contextos clínicos.

Com o avanço da residência, o médico assume responsabilidades progressivas, passando a conduzir atendimentos com mais autonomia, liderar discussões clínicas e participar ativamente do planejamento terapêutico.

Entre os principais desafios estão o manejo de pacientes complexos, a tomada de decisões compartilhadas com familiares e equipes e o impacto emocional do cuidado prolongado. 

Esses obstáculos são superados com supervisão constante, apoio multiprofissional e desenvolvimento de habilidades de comunicação, fundamentais na prática geriátrica.

 O que se aprende durante a residência em geriatria?

Ao longo da residência, o médico desenvolve conhecimentos e competências voltados ao cuidado integral do idoso, aprendendo a enxergar o paciente além do diagnóstico isolado. 

A formação inclui o reconhecimento e tratamento das síndromes geriátricas, como fragilidade, quedas, demências, delirium, incontinência urinária e depressão.

Também é central o aprendizado do manejo de múltiplas comorbidades e da polifarmácia, com foco na prescrição segura e na prevenção de efeitos adversos. 

Outro pilar é a abordagem interdisciplinar, que integra médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais para construir planos de cuidado individualizados.

Além da prática clínica, o residente desenvolve habilidades de comunicação, tomada de decisão ética, cuidado paliativo e acompanhamento funcional, preparando-se para atuar em diferentes cenários da assistência ao idoso.

ÁreaO que se aprendeExemplos
Enfermaria geriátricaManejo de pacientes idosos internados, condições agudas e crônicasTratamento de infecções, descompensações clínicas, avaliação de fragilidade
AmbulatórioAcompanhamento longitudinal e prevençãoSeguimento de demência, controle de doenças crônicas, orientação familiar
Síndromes geriátricasIdentificação e abordagem de condições frequentes no envelhecimentoQuedas, delirium, incontinência, depressão
Farmacologia do idosoPrescrição segura e revisão de medicamentosRedução de polifarmácia, ajuste de doses, prevenção de interações
Cuidados paliativosControle de sintomas e tomada de decisões em fim de vidaAlívio da dor, comunicação de más notícias, planejamento antecipado
Atenção domiciliar e ILPICuidado em ambientes extra-hospitalaresVisitas domiciliares, acompanhamento em instituições de longa permanência
Trabalho multiprofissionalConstrução de planos terapêuticos integradosAtuação conjunta com fisio, nutrição, psicologia e serviço social

Mercado de trabalho e perspectivas para o médico geriatra

O Brasil está passando por uma transição demográfica marcada pelo rápido envelhecimento da população, com mais de 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais

Apesar dessa demanda crescente por cuidados especializados, o número de geriatras no país ainda é relativamente baixo em comparação com as necessidades assistenciais. 

Existem aproximadamente 3.400 médicos geriatras ativos, com forte concentração em grandes centros urbanos, principalmente na Região Sudeste, e escassez em muitas outras áreas geográficas. 

Esse descompasso entre o envelhecimento populacional e a oferta de especialistas cria um cenário de grande potencial para quem escolhe a área, com perspectivas de atuação ampliadas.

O médico geriatra pode trabalhar em diferentes campos de atuação, incluindo hospitais (setores de internação e ambulatórios), clínicas particulares e consultórios, instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), serviços de atenção domiciliar e cuidados paliativos, além de participação em equipes multiprofissionais no setor público e privado. 

Em todos esses contextos, a demanda tende a crescer conforme aumentam os desafios clínicos associados à longevidade, como manejo de múltiplas comorbidades, fragilidade e prevenção de quedas.

Diferenças entre geriatria e gerontologia

Embora atuem com o envelhecimento humano, Geriatria e Gerontologia não são a mesma coisa. 

A Geriatria é uma especialidade médica, exercida exclusivamente por médicos, voltada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico de pessoas idosas. 

Já a Gerontologia é um campo multidisciplinar, que reúne profissionais de diferentes áreas para estudar e promover o envelhecimento saudável.

O médico geriatra é responsável pelo cuidado clínico do idoso, incluindo manejo de doenças crônicas, síndromes geriátricas, prescrição de medicamentos e definição de condutas terapêuticas. 

O gerontólogo, por sua vez, atua em aspectos mais amplos do envelhecimento, como promoção da saúde, funcionalidade, qualidade de vida, políticas públicas e apoio psicossocial — podendo ter formação em áreas como enfermagem, psicologia, serviço social, fisioterapia ou educação.

Na prática, esses profissionais trabalham de forma complementar dentro de equipes multiprofissionais. 

Enquanto o geriatra conduz o tratamento médico, o gerontólogo contribui com estratégias voltadas à autonomia, ao bem-estar e à integração social do idoso, ajudando a construir planos de cuidado mais completos.

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