
As dermatoses ocupacionais compreendem as doenças da pele, mucosas e seus anexos causadas de forma direta ou indireta pelas atividades laborais. O desenvolvimento dessas lesões depende de causas diretas, como a exposição a agentes químicos, físicos, biológicos e mecânicos no ambiente.
Dermatites de Contato
A dermatite de contato é uma reação inflamatória cutânea desencadeada pelo contato com agentes externos. Ela se divide em dois grandes grupos morfológicos e fisiopatológicos:
Dermatite de Contato por Irritação (DCI)
É a campeã de prevalência, representando cerca de 80% de todas as dermatites ocupacionais.
- Fisiopatologia: Ocorre a quebra e perda da barreira epidérmica. Os queratinócitos lesados liberam interleucina 1-alfa, desencadeando uma cascata inflamatória com liberação de TNF-alfa, colagenase e prostaglandinas, resultando em dano tecidual direto.
- Agentes Causadores: Pode ser desencadeada por contato repetitivo com água, detergentes, alimentos e solventes (irritantes relativos) ou contato imediato com ácidos e álcalis (irritantes absolutos).
- Apresentação Crônica: Em sua fase crônica, o quadro associa-se a eczema, liquenificação, hiperqueratose e fissuras.

Dermatite Alérgica de Contato (DAC)
Diferente da DCI, a DAC é mediada pelo sistema imune, caracterizando-se como uma reação imunológica do tipo IV (hipersensibilidade tardia), com formação de Linfócitos T específicos contra a substância.
- A Fisiopatologia em 3 Fases:
- Fase de Indução: O primeiro contato com o alérgeno induz a ativação das células apresentadoras de antígenos e a formação do complexo hapteno-proteína.
- Fase de Elicitação: Ao ocorrer um contato repetitivo, as células de Langerhans previamente sensibilizadas migram e promovem uma nova reação, liberando citocinas que causam intenso prurido e eczema.
- Fase de Resolução: Células secretam IL-10, inibindo a inflamação e limitando a extensão da dermatite, o que pode levar à tolerância.
- Diagnóstico de Ouro: Além da anamnese, o Teste Epicutâneo (Patch Test) é o exame de escolha, pois reproduz em ambiente controlado a exata fase de elicitação. O trabalhador deve estar afastado da atividade que causa a dermatose no momento da aplicação.

Casos Clássicos de Prova
- Cimento: Possui um mecanismo duplo. Causa dermatite irritativa devido ao seu efeito abrasivo e ação alcalina (removendo a camada lipídica), e causa dermatite alérgica devido aos seus contaminantes, como o cromo hexavalente, o cobalto e o níquel.

- Borracha: Causa dermatite alérgica de contato associada a componentes como látex, Mercapto-Mix, carbamato e PPD Mix.

- Resina-Epóxi: Causa clássica de DAC em trabalhadores expostos a revestimentos de tubos, fabricação de tintas e diluentes.

Erupções Acneiformes Ocupacionais
Não confunda com a acne vulgar. Estas lesões surgem pelo contato obstrutivo ou tóxico com agentes químicos específicos.
Elaioconiose
Historicamente descrita em trabalhadoras que faziam a limpeza e lubrificação de bobinas de teares.
- Mecanismo: Obliteração dos óstios foliculares por óleos, graxas e partículas metálicas, gerando infecção secundária.
- Fases Clínicas: Inicia na fase Obliterante (pontos pretos comedoniformes), progride para a fase Papulosa peripapilar (hiperqueratose) e atinge a fase Infecciosa (pápulo-pústulas dolorosas em antebraços e dorso das mãos).
- Tratamento Específico: Afastamento, ceratolíticos, desobstrução mecânica com bucha vegetal e uso de antibióticos sistêmicos como a Tetraciclina.

Cloracne
É uma manifestação gravíssima decorrente da intoxicação ambiental por hidrocarbonetos aromáticos halogenados (como as Dioxinas, famosas pelo “Agente Laranja” usado na Guerra do Vietnã).
- Clínica Cutânea: Múltiplos cistos e comedões de coloração clara que acometem a face e regiões retroauriculares, mas que classicamente poupam o nariz.
- Clínica Sistêmica: A cloracne é a ponta do iceberg. O paciente apresenta hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, alteração hepática, imunossupressão e aumento do risco cardiovascular.

Dermatoses por agentes físicos e biológicos
O ambiente de trabalho hostil predispõe o tegumento a agressões diretas.
- Calor: A exposição aguda gera queimaduras (acima de 44 graus). A exposição crônica ao calor, contudo, gera o Eritema Ab Igne, caracterizado por um eritema reticulado com hiperpigmentação (melanodermia) e atrofia local, muito comum nas coxas de indivíduos que apoiam notebooks no colo.

- Umidade e Frio: O frio extremo desidrata a camada córnea, enquanto a alta umidade gera condições como os Pés de Imersão em Água Morna (PIAM), patologia muito descrita em lavadores de automóveis, ambas levando à perda da barreira cutânea.

- Radiações: A radiação ultravioleta e ionizante atua diretamente induzindo a mutação do gene supressor de tumor p53, possuindo alto efeito carcinogênico.
- Infecções Virais: O contato com umidade excessiva e pequenos traumas serve como porta de entrada. Um exemplo clássico é a infecção pelo Parapoxvirus, causador do “nódulo do ordenhador” (contato com gado bovino) e da “verruga do açougueiro”.
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