
Desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a vacina contra a dependência de cocaína e crack, chamada de Calixcoca, deve avançar para a fase de testes clínicos em humanos após apresentar resultados positivos em estudos pré-clínicos realizados com camundongos.
Como a vacina funciona
Diferentemente de vacinas tradicionais, que previnem infecções, a Calixcoca é um imunizante terapêutico.
Ela atua estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam às moléculas de cocaína na corrente sanguínea. Essa ligação aumenta o tamanho da substância e impede sua passagem pela barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro.
Na prática, isso significa que a droga pode continuar presente no organismo, mas não alcançaria o cérebro. E assim, seus efeitos psicoativos seriam reduzidos ou bloqueados.
A proposta não é prevenir o uso inicial da droga, mas atuar como apoio no tratamento de pessoas já dependentes, especialmente para reduzir recaídas.

O que já foi testado
Até agora, os resultados disponíveis vêm de estudos em animais. Nos testes pré-clínicos, realizados principalmente com roedores, foram observados a produção de anticorpos contra a cocaína e o bloqueio da passagem da droga para o sistema nervoso central. Por fim, foram relatados efeitos associados à redução de impactos da exposição à substância durante a gestação em modelos animais.
Esses resultados permitiram o avanço da pesquisa para a etapa seguinte, considerada essencial no desenvolvimento de qualquer medicamento: os ensaios clínicos em humanos.
Entrada na fase de testes em humanos
Em 2025, o projeto recebeu financiamento público para viabilizar essa transição. Esses testes começam pela chamada fase 1, que não avalia eficácia terapêutica, mas sim:
- Segurança do imunizante;
- Possíveis efeitos colaterais;
- Tolerância em voluntários.
Somente após essa etapa seriam conduzidas fases posteriores voltadas à eficácia e ao impacto real no tratamento da dependência.
Limitações atuais
Apesar do avanço para a etapa clínica, ainda não existe confirmação de que o efeito observado em animais será replicado em humanos. Especialistas destacam que:
- Substâncias eficazes em modelos animais nem sempre apresentam o mesmo desempenho em pessoas;
- Não há previsão de disponibilidade para uso clínico;
- Ainda serão necessários múltiplos testes antes de qualquer aprovação regulatória.
Além disso, há debates no campo da saúde mental sobre o papel de abordagens exclusivamente biológicas no tratamento da dependência, que é reconhecida como um fenômeno multifatorial.
Em que estágio está a pesquisa
Atualmente, a Calixcoca:
- Concluiu estudos pré-clínicos;
- Demonstrou resultados laboratoriais iniciais;
- Obteve patentes no Brasil e no exterior;
- Prepara-se para iniciar ensaios clínicos em humanos.
Não há estimativa consolidada sobre quando, ou se, o imunizante poderá ser incorporado ao tratamento da dependência química.

O método que te aprova!
Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCofer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material.

