
No final de 2022 a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um documento contendo atualizações sobre o Fluxograma do Teste do coraçãozinho
Antes de tudo, o teste do coraçãozinho ou teste da oximetria de pulso é um procedimento não invasivo utilizado na triagem de recém-nascidos para identificar pacientes que possam ter alguma cardiopatia congênita crítica.
As cardiopatias congênitas que se manifestam durante o período neonatal são frequentemente de natureza grave e têm uma incidência aproximada de 3 em cada 1000 nascimentos vivos, é nesse contexto que o teste do coraçãozinho se faz com triagem neonatal, incorporado na portaria SCTIE/MS n°20, 10 de junho de 2014.
Por que realizar o teste do coraçãozinho?
O principal objetivo do teste do coraçãozinho é identificar precocemente a presença de cardiopatias congênitas críticas nos recém-nascidos.
Essas anomalias cardíacas podem variar em gravidade, desde condições leves até casos mais complexos que requerem intervenção médica imediata. Ao realizar o teste do coraçãozinho, é possível detectar sinais de hipoxemia.
Como funciona?
O MSD é irrigado por ramos da subclávia direita, que é uma artéria que sai do arco da aorta ANTES da entrada do ducto arterioso (aquele que conecta o tronco pulmonar com o arco aórtico, na circulação fetal, e que se fecha fisiologicamente na vida extra uterina).
Os MMII são irrigados por ramificações das ilíacas, que são as bifurcações finais da aorta, obviamente numa topografia que fica após a entrada do mesmo ducto. Dizemos que o MSD recebe irrigação pré-ductal, e os MMII pós-ductal.
Teoricamente, não deve haver passagem de sangue pelo ducto arterioso. Se houver, os MMII vão receber sangue misturado (oxigenado que veio do ventrículo esquerdo + não oxigenado que veio do tronco da artéria pulmonar pelo ducto arterioso).
Quais são as doenças diagnosticadas?
O teste do coraçãozinho pode detectar diversas cardiopatias congênitas, dividas em grupos. Veja:
- Fluxo dependente do canal arterial
- Ex: atresia pulmonar associado ou não a outras malformações cardíacas, anomalia e ebstein da valva tricúspide, entre outros.
- Fluxo sistêmico dependente do canal arterial.
- Ex: Síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, estenose aórtica crítica, coarctação de aorta crítica, entre outros.
- Com circulação em paralelo, e circulação dependente de comunicação interatrial.
- Ex: Transposição das grandes artérias e similares.
- Cardiopatias congênitas graves.
- Ex: Tronco arterial comum, CIV grande, entre outros.
Qual a acurácia do teste do coraçãozinho?
A acurácia do teste do coraçãozinho varia de acordo com o contexto, o equipamento utilizado e a experiência do profissional que realiza o procedimento.
Em geral, estudos indicam que o teste possui uma sensibilidade de 76% e especificidade de 99% para diagnóstico definitivo de cardiopatias congênitas críticas.

Como se realiza?
O teste do coraçãozinho é um procedimento simples e rápido, geralmente realizado entre 24 e 48 horas de vida do recém-nascido, com mais 35 semanas (IG corrigida), preferencialmente antes do paciente receber alta hospitalar.
Há a aferição da oximetria do membro superior direito (avalia a saturação pré-ductal) e um dos membros inferiores (saturação pós-ductal).
E como interpretar?
- Não pode haver hipoxemia. Resultado inferior a 95% em qualquer extremidade é anormal.
- Não pode haver diferença significativa entre a circulação pré ductal e pós ductal, pois esperamos que não haja fluxo pelo ducto arterioso, sem misturar o sangue oxigenado e não oxigenado. Ou seja, se houver diferença de 3% ou mais entre MSD e algum MI, está anormal.
Protocolo Atualizado do teste do coraçãozinho
Teste Negativo
O teste vai ser considerado NEGATIVO se SpO2 ≥ 95% + Diferença de saturação entre membros ≤ 3%.
Teste Positivo
O teste é POSITIVO se SpO2 ≤ 89% (basta estar em um dos membros).
Neste caso o RN deve ser avaliado de forma minuciosa através do exame físico e ecocardiograma, e não poderá receber alta antes desta avaliação!
Teste Duvidoso
Por fim, o teste é duvidoso se SpO2 entre 90-94% e/ou Diferença de saturação entre membros ≥ 4%.
No caso de resultado duvidoso, o teste do coraçãozinho deverá ser repetido após 1h por até duas vezes. Mas caso se mantenha após a terceira avaliação, o teste será considerado POSITIVO, e dará continuidade na investigação.

O que fazer perante resultado normal?
Manter rotina neonatal!
O que fazer perante resultado anormal?
Aí é que a coisa complica: devemos primeiro pensar se o teste foi verdadeiro → Repetiremos em 1h. Se normal, paz e alta para casa! Se anormal, aí sim encaminhamos o RN para investigar cardiopatias congênitas, através do ECOCARDIOGRAMA.
O bebê no nosso caso hipotético, muito provavelmente, morreu por uma cardiopatia congênita que poderia ter sido detectada nessa triagem! De fato, 70% das crianças com cardiopatias congênitas críticas são detectadas com esse simples teste, permitindo a investigação ecográfica e manejo adequados.
Então: atenção sempre! Para vida e para as provas, é importante saber! Não podemos ter dúvidas na interpretação do teste e nas condutas relacionadas a esses pequenos e, às vezes, problemáticos, coraçõezinhos.
O que mudou?
- Antes o teste era realizado em RNs com mais de 34 semanas, agora apenas com mais de 35 semanas;
- Redução do valor de corte de 95% para 89% e a possibilidade do teste ser considerado duvidoso, antes não havia essa classificação.
- O objetivo dessas mudanças é reduzir a taxa de falsos positivos que foram identificados.
- E aí? Já tinha conferido essas alterações? Não deixe de nos acompanhar aqui no blog e ficar por dentro dos principais assuntos da medicina!
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