Saiba quando e como fazer a ventilação mecânica em crianças 

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A ventilação mecânica (VM) é uma intervenção essencial na terapia intensiva pediátrica para pacientes com insuficiência respiratória aguda ou condições clínicas graves que comprometem a ventilação espontânea. 

Quando realizar em crianças?

Na prática clínica pediátrica, a ventilação mecânica é frequentemente indicada em cenários de insuficiência respiratória grave, falência orgânica múltipla ou necessidade de controle estrito da ventilação. A escolha do método e dos parâmetros ventilatórios deve respeitar a fisiologia pulmonar da criança e a patologia de base, minimizando complicações como lesão pulmonar induzida pela ventilação (VILI).

Como fazer o Suporte Respiratório?

Os métodos variam de intervenções mínimas a suporte total da ventilação:

  • Nebulização em máscara: utilizada em pacientes em melhora clínica, sem controle preciso da FiO₂.
  • Cateter nasal de O₂: até 2 L/min, aumento estimado de 3% de FiO₂ por litro. Indicado em quadros leves.
  • Máscara de Venturi: fornece FiO₂ conhecida, ideal para desmame gradual.
  • Máscara não reinalante: FiO₂ próxima de 100%, indicada em emergências.
  • Cateter nasal de alto fluxo (CNAF): fluxo aquecido e umidificado, reduz espaço morto e melhora clearance mucociliar; útil em desconforto respiratório moderado.
  • Ventilação não invasiva (VNI): modalidades CPAP e BiPAP, indicadas em insuficiência respiratória sem necessidade imediata de intubação. Contraindicada em coma, instabilidade hemodinâmica e secreção abundante.
  • Ventilação invasiva (VM): utilizada em pacientes graves, requer sedação e, frequentemente, bloqueio neuromuscular.

Quando fazer a Intubação Orotraqueal?

As situações indicadas incluem parada cardiorrespiratória, instabilidade hemodinâmica grave, distúrbios metabólicos severos, rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8), hipertensão intracraniana, trauma facial, queimadura de via aérea, procedimentos cirúrgicos e insuficiência respiratória refratária.

O que explica a VM?

  • Complacência (Cest) é a relação entre variação de volume e pressão. É importante notar que doenças como síndrome do desconforto respiratório reduzem a complacência.
  • Resistência das vias aéreas, que aumenta em condições como asma e bronquiolite.
  • Constante de tempo, representado pelo produto de complacência e resistência e guia o ajuste do tempo inspiratório.
Representação gráfica do ritmo respiratório | Acervo de ilustrações do Grupo MedCof.

Quais os Conceitos mais importantes?

  • Trigger (disparo): inicia a inspiração, podendo ser por tempo, pressão ou fluxo.
  • Ciclagem: transição da fase inspiratória para a expiratória.

No ventilador, a expiração é um processo passivo, já a inspiração é um processo ativo.  Na ventilação, normalmente há três gráficos: volume, pressão e fluxo. Em azul representa o volume máximo pulmonar e em amarelo o volume de repouso.| Acervo de Aulas do Grupo MedCof.
  • Pressões:

PEEP: mantém alvéolos abertos ao final da expiração.

Pinsp: pressão de pico inspiratória.

Platô: pressão após pausa inspiratória.

Driving pressure: diferença entre platô e PEEP.

MAP: pressão média das vias aéreas, relacionada à oxigenação.

Círculo amarelo representado a Pinsp e círculo verde representado o Platô. Fonte: Acervo de Aulas do Grupo MedCof. 

Quais Modos Ventilatórios você pode Fazer?

  • Assisto-controlado (VC ou PC), que é indicado na fase aguda pois permite sincronização com o paciente.
  • SIMV + PS que é usado para desmame, permitindo ciclos espontâneos.
  • CPAP + PS, um tipo totalmente espontâneo, com suporte mínimo.
  • PRVC quando é atingido volume alvo com ajuste automático de pressão, útil no desmame.

Quais as Possíveis Complicações?

Durante a ventilação mecânica, podemos observar complicações como assincronia, DOPE (deslocamento, obstrução, pneumotórax, falha de equipamento), PAV (pneumonia associada à ventilação), VILI (Lesão pulmonar induzida pela ventilação) e atrofia diafragmática.

Já na pós-extubação, podemos observar falha de extubação, laringite, estenose subglótica, disfagia, disfonia.

Teste de Respiração Espontânea (TRE)

Podemos realizar 3 tipos de teste: 

  • CPAP: preferido para minimizar resistência do tubo.
  • CPAP + PS: reduz esforço, mas pode mascarar falhas.
  • Tubo T: mais desafiador, porém com melhor predição de sucesso.
Representação do tubo T.| Acervo de  Ilustrações do Grupo MedCof.

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