Saiba diferenciar as Cefaleias e a Hipertensão Intracraniana na Infância

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Cefaleia na pediatria é uma queixa extremamente frequente no pronto-socorro e no ambulatório, saber quando é apenas uma cefaleia primária e quando há uma “bomba relógio” (causa secundária) por trás é fundamental!

Conceitos básicos

A cefaleia é a principal causa de anos vividos com incapacidade entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos.

O Sinal de Alerta: Red Flags

Antes de diagnosticar uma enxaqueca, precisamos excluir o grave. Os Red Flags são os sinais de alarme que exigem neuroimagem e investigação imediata. Memorize os principais:

  • Sistêmicos: Febre, perda de peso, malignidade (histórico de câncer).
  • Neurológicos: Qualquer déficit focal, papiledema, alteração de consciência.
  • Início: Cefaleia súbita (“trovoada”) ou abrupta.
  • Padrão: Mudança no padrão de uma dor antiga, dor progressiva, ou dor que acorda a criança.
  • Posicional: Dor que piora ao deitar ou levantar, ou precipitada por tosse/espirro (Valsalva).
  • Contexto: História de trauma recente, imunossupressão (HIV) ou gestação/puerpério (em adolescentes).

As Primárias: Migrânea x Tensional

Se os red flags foram excluídos, pensamos nas primárias. Na pediatria, elas têm particularidades:

Migrânea (Enxaqueca):

  • A Dor: Pulsátil, moderada a forte, piora com atividade física.
  • Diferencial Pediátrico: Em adultos é unilateral, mas em crianças frequentemente é bilateral (frontotemporal). A duração também é menor (2 a 72 horas).
  • Acompanhantes: Náuseas/vômitos OU fotofobia + fonofobia.
  • Com ou Sem Aura: A aura (visual, sensorial, fala) ocorre antes da dor, durando de 5 a 60 minutos.
Representação dos tipos de Aura. Fonte: https://www.mdsaude.com/neurologia/enxaqueca/#google_vignette 

Cefaleia Tensional:

  • A Dor: Em pressão ou aperto (como um capacete), leve a moderada, não piora com atividade rotineira.
  • Acompanhantes: Sem náuseas ou vômitos importantes. Pode ter foto OU fonofobia, mas nunca os dois juntos.

Tratamento

Fase Aguda:

O objetivo é o alívio rápido. Usamos analgésicos simples (dipirona, paracetamol), AINEs (ibuprofeno) e Triptanos (sumatriptano).

  • Atenção: Opioides devem ser evitados!
  • Cefaleia em Salvas: O tratamento de escolha é Oxigênio em alto fluxo (10-15L/min).

Profilaxia (Preventivo):

Indicado quando a dor compromete a funcionalidade ou a frequência é alta.

  • Não Medicamentoso (Método SMART): Regularidade no Sono (Sleep), Alimentação (Meals), Atividade física (Activity), Relaxamento (Relaxation) e evitar Gatilhos (Triggers – como telas excessivas).
  • Medicamentoso: As opções incluem Amitriptilina (ajuda no sono), Topiramato (evitar se nefrolitíase), Propranolol, Ácido Valproico e Flunarizina.

Cuidado com o Abuso: O uso excessivo de analgésicos (>15 dias/mês) ou triptanos (>10 dias/mês) pode causar a Cefaleia por Uso Excessivo de Medicamentos, gerando um ciclo vicioso de dor crônica. O tratamento é a suspensão da droga abusada.

Hipertensão Intracraniana (HIC)

A HIC é uma emergência. Pode ser secundária (tumor, trauma, AVC) ou primária.

Pseudotumor Cerebral (HIC Benigna/Idiopática):

  • Perfil: Mulheres, obesas, idade fértil.
  • Clínica: Cefaleia que piora ao deitar, zumbido pulsátil, diplopia (paralisia do VI par) e papiledema obrigatório no exame de fundo de olho.
  • Manejo: Perda de peso é fundamental. Medicamentosamente usa-se Acetazolamida ou Topiramato. Em casos graves, cirurgia (derivação ou fenestração do nervo óptico).
  • Hidrocefalia:

É o acúmulo de líquor.

  • < 1 ano: Macrocefalia, fontanela tensa, sinal do sol poente, irritabilidade.
  • > 1 ano: Cefaleia, vômitos, estrabismo, sonolência.
  • Pode ser comunicante (falha na reabsorção) ou obstrutiva (bloqueio no fluxo, ex: estenose de aqueduto).
Fonte: https://neurocirurgiao.net.br/hidrocefalia/ 

Manejo da HIC Aguda (Níveis de Tratamento):

O tratamento é escalonado conforme a gravidade:

  • Nível 0 (Básico): Cabeceira elevada (30º), cabeça centrada na linha média, normotermia, evitar hiponatremia.
  • Nível 1: Terapia hiperosmolar (manitol/salina), hiperventilação leve transitória, drenagem de líquor.
  • Níveis 2 e 3 (UTI grave): Coma barbitúrico, hipotermia moderada e descompressão cirúrgica como medida salvadora.

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