Rinologia: o que é, como se especializar e áreas de atuação

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A Residência em Rinologia — tecnicamente denominada Fellowship em Rinologia ou Ano Adicional (R4/R5) — é uma subespecialização voltada para médicos que já concluíram a residência médica em Otorrinolaringologia.

Como se especializar em Rinologia?

Rinologia não é uma especialidade de acesso direto, mas sim uma subespecialidade da Otorrinolaringologia! Ou seja, depois de concluir os 3 anos da residência em Otorrinolaringologia (Residência de Acesso Direto com treinamento generalista em otologia, laringologia, rinologia básica e cirurgia cérvico-facial) é que você pode realizar seu Fellowship (R4/R5) em rinologia. 

O objetivo do fellow é dar um foco especial quase que exclusivamente a cirurgias endoscópicas nasossinusais avançadas, cirurgias de base de crânio e rinoplastias complexas.  

Principais áreas de atuação e procedimentos

O rinologista atua no diagnóstico e tratamento clínico-cirúrgico de condições inflamatórias e estruturais. Isso engloba desde o controle de rinites (alérgicas e vasomotoras) e rinossinusites (agudas e crônicas) até a correção de desvios septais e hipertrofia de cornetos ou adenoides. Também inclui o manejo de urgências como epistaxes severas e a investigação de distúrbios do olfato (hiposmia/anosmia).

Representação de cornetos hipertrofiados. Fonte: https://saltcomunicacao.com.br/marciasilva/procedimentos/doencas-clinicas/hipertrofia-de-cornetos-inferiores/ 

Além disso, a subespecialidade lida com a Cirurgia Endoscópica Endonasal Funcional (FESS), técnica que representa o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico de rinossinusites crônicas refratárias, polipose nasal e tumores benignos. Por ser minimamente invasiva e utilizar videocirurgia, a FESS preserva a função da mucosa e anatomia nasal, resultando em um pós-operatório com analgesia otimizada e retorno precoce às atividades. 

Apresentação da polipose nasal. Fonte: https://www.dradaniellyandrade.com/post/sintomas-de-polipos-nasais 

A Rinologia moderna expandiu suas fronteiras para a Base do Crânio, permitindo o acesso a regiões complexas através do nariz (acesso transesfenoidal, por exemplo). Isso possibilita o reparo de fístulas liquóricas, a abordagem da órbita (como na descompressão orbitária) e a ressecção de tumores sem a necessidade de incisões faciais ou craniotomias abertas, garantindo melhor resultado estético e funcional.

Quanta ganha um profissional rinologista?

A rinologia é uma das áreas mais valorizadas dentro da Otorrinolaringologia, tanto pelo impacto direto na qualidade de vida dos pacientes quanto pelo potencial de remuneração. No Brasil, o ganho de um médico rinologista varia conforme o modelo de atuação: vínculos formais em hospitais e clínicas costumam oferecer rendimentos entre R$7 mil e R$15 mil mensais, enquanto profissionais que atuam em consultório particular, com realização de procedimentos e cirurgias, podem alcançar valores significativamente maiores.

Esse crescimento financeiro está diretamente ligado à subespecialização, à experiência clínica e ao volume de atendimentos. Rinologistas que dominam procedimentos como cirurgias endoscópicas nasossinusais e rinoplastias funcionais tendem a ter maior autonomia profissional e melhor retorno econômico, especialmente em grandes centros urbanos.

Por isso, a rinologia se destaca não apenas como uma área de alta complexidade técnica, mas também como uma escolha estratégica para médicos que buscam aliar realização profissional e estabilidade financeira.

Fístula liquórica. Fonte: https://neuromadoacustico.com.br/fistula-liquorica/ 

Adicionalmente,o especialista avalia o impacto da obstrução nasal na fisiopatologia do sono. O tratamento foca na correção de fatores obstrutivos que contribuem para roncos primários e para a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), muitas vezes atuando em conjunto com a Medicina do Sono para melhorar a adesão ao CPAP ou a qualidade ventilatória do paciente.

O que estudar para a residência médica sobre Rinologia?

1. Anatomia

Os conhecimentos sobre anatomia nasal nessa área não podem ser apenas descritivos, mas topográficos e funcionais.

  • Seios Paranasais: É mandatório reconhecer na Tomografia Computadorizada (TC) a localização dos seios maxilar, etmoide, frontal e esfenoide. Lembre-se que o seio etmoidal é o “divisor de águas” anatômico central.
Fonte: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-do-ouvido-nariz-e-garganta/abordagem-ao-paciente-com-sintomas-nasais-e-far%C3%ADngeos/avalia%C3%A7%C3%A3o-do-paciente-com-sintomas-nasais-e-far%C3%ADngeos#Anatomia_v945661_pt 
  • Vascularização (Crucial para Epistaxes):
    • Plexo de Kiesselbach (Área de Little): Localizado na região anterior do septo nasal. É formado pela anastomose de ramos da artéria carótida interna (etmoidal anterior) e externa (esfenopalatina, labial superior). Responsável por 90% dos sangramentos.
    • Sistema Posterior: Dominado pela Artéria Esfenopalatina (ramo terminal da artéria maxilar) e pelas Artérias Etmoidais (ramos da oftálmica). Sangramentos aqui são mais volumosos e de difícil controle.
    • S-point: Um ponto específico de sangramento na região superior do septo, associado às artérias etmoidais.
Ilustração da vascularização do Plexo de Kiesselbach no septo nasal.
Vascularização do Plexo de Kiesselbach. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof;

2. Rinossinusites Agudas (RSA)

Definida como inflamação da mucosa nasossinusal por menos de 12 semanas.

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na presença de dois sintomas maiores ou um maior e um menor:

ClassificaçãoSintomas
Sintomas Maiores (Obrigatórios)• Obstrução Nasal / Congestão
• Rinorreia (anterior ou posterior purulenta)
Sintomas Menores• Dor/Pressão Facial
• Hiposmia/Anosmia
Em crianças: Tosse

Diagnóstico Diferencial Etiológico

O “pulo do gato” na prova e no consultório é saber quando prescrever antibióticos:

  1. RSA Viral (Resfriado Comum): Autolimitada. O pico dos sintomas ocorre no 5° dia, com resolução completa até o 10° dia.
  2. RSA Pós-viral: Ocorre quando há piora dos sintomas após o 5° dia (padrão de “dupla piora”) ou quando os sintomas persistem por mais de 10 dias, porém sem a gravidade de uma infecção bacteriana franca.
  3. RSA Bacteriana Aguda (0,5 a 2% dos casos): Caracterizada pelo fenômeno de Double Sickening (dupla piora). O paciente parece melhorar, mas volta a piorar com:
    • Febre > 38°;
    • Dor facial intensa e unilateral;
    • Rinorreia purulenta espessa;
    • Elevação de marcadores inflamatórios (PCR/VHS).

Terapêutica

  • Viral/Pós-viral: Lavagem nasal abundante com Soro Fisiológico 0,9%, corticoides tópicos nasais e analgésicos. Importante: Evitar descongestionantes sistêmicos em crianças (risco de intoxicação e efeitos cardiovasculares).
  • Bacteriana: Antibioticoterapia é indicada.
    • 1ª Escolha: Amoxicilina (Crianças: 45mg/kg/dia; Adultos: 500mg de 8/8h ou 875mg de 12/12h).

Complicações (Sinais de Alerta)

Diante de edema periorbitário, proptose, diplopia, oftalmoplegia, cefaleia frontal intensa ou sinais neurológicos, deve-se suspeitar de complicações orbitárias ou intracranianas.

  • Conduta Imediata: Internação, TC de crânio e seios da face com contraste e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (ex: Ceftriaxona + Clindamicina).
  • Complicações Graves: Abscesso subperiosteal, trombose de seio cavernoso (atenção à disseminação por veias oftálmicas avalvulares) e osteomielite frontal (Tumor de Pott).
Imagem ilustrativa do Tumor de Pott como complicação da rinossinusite.
Tumor de Pott. Fonte: Acervo de Aulas do Grupo MedCof

3. Rinossinusite Fúngica Invasiva Aguda

Uma emergência médica dramática, com altíssima taxa de mortalidade, afetando quase exclusivamente pacientes imunossuprimidos (neutropênicos graves, transplantados ou diabéticos descompensados).

  • Etiologia: Geralmente fungos do gênero Aspergillus ou da ordem Mucorales (Mucor).
  • Fisiopatologia: O fungo é angioinvasivo, causando trombose dos vasos da mucosa, resultando em isquemia e necrose tecidual extensa.
  • Quadro Clínico: O paciente apresenta sintomas nasais associados a escaras necróticas (pretas) na mucosa nasal, cornetos ou palato, além de hipoestesia facial.
  • Tratamento: Desbridamento cirúrgico de urgência (remoção de todo tecido necrótico) + Antifúngicos sistêmicos (Anfotericina B ou Voriconazol).

4. Rinossinusites Crônicas (RSC)

Sintomas mantidos por mais de 12 semanas. A investigação exige nasofibroscopia e TC de seios da face. Dividimos em fenótipos importantes:

  1. Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (DREA): Paciente com quadro grave e recidivante. Lembre-se da Tríade de Samter: Asma grave + Polipose Nasal intensa + Intolerância ao AAS/AINES.
  2. Bola Fúngica: Ocorre em pacientes imunocompetentes. É um emaranhado de hifas (micetoma) em um único seio (geralmente maxilar), sem invasão tecidual. Na TC, aparece como uma opacificação com calcificações hiperatenuantes (com densidade metálica) no interior. O tratamento é exclusivamente cirúrgico.
  3. Fibrose Cística (Mucoviscidose): Suspeitar obrigatoriamente em crianças com polipose nasal (pólipos são raros na infância fora deste contexto). Causada por disfunção no transporte de cloro, gerando muco espesso.
  4. Granulomatose com Poliangeíte (Wegener): Vasculite sistêmica ANCA-C positiva. Cursa com crostas nasais, epistaxes, perfuração septal e a clássica deformidade em “nariz em sela”.
Pólipos nasais: estruturas gelatinosas, vascularizadas, que levam a obstrução nasal e hiposmia importantes em pacientes com polipose intensa. Fonte: https://drjasonroth.com.au/nose-procedures/nasal-polyps/ 

5. Epistaxe (Sangramento Nasal)

A abordagem deve seguir uma sistematização rigorosa (“escada terapêutica”).

  1. Avaliação Inicial: Estabilização hemodinâmica (ABC do trauma/ATLS) é a prioridade em sangramentos vultuosos.
  2. Medidas Locais: Compressão digital, gelo local e limpeza de coágulos. Uso de algodão com vasoconstrictor + anestésico.
  3. Cauterização: Indicada se o ponto sangrante for visível (geralmente Plexo de Kiesselbach). Pode ser química (nitrato de prata) ou elétrica.
  4. Tamponamento:
    • Anterior: Se falha na cauterização ou sangramento difuso.
    • Posterior: Se o sangramento persiste com tampão anterior ou visualiza-se sangue descendo pela orofaringe. Uso de Sonda de Foley ancorada no cavum + tampão anterior. Exige internação e monitorização (risco de reflexo vagal e hipóxia).
  5. Cirurgia: Ligadura arterial (Esfenopalatina ou Etmoidais) via endoscópica para casos refratários.

Nota: Pacientes com Telangiectasia Hemorrágica Hereditária (Sd. Rendu-Osler-Weber) apresentam epistaxes recorrentes devido a malformações vasculares em mucosas e pele.

Telangiectasias em lábios e língua de Sd. Rendu-Osler-Weber. Fonte: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/ hematologia-e-oncologia/sangramento-decorrente-de-vasossangu%C3%ADneos-anormais/telangiectasia-hemorr%C3%A1gicaheredit%C3%A1ria. 

6. Trauma Nasal e Fraturas

Além da fratura óssea, deve-se atentar para lesões de tecidos moles e base de crânio.

Ilustração da classificação de LeFort para fraturas da face.
Classificação de LeFort para extensão do trauma ósseo. Fonte: Acervo de Ilustrações do Grupo MedCof. 
  • Hematoma Septal: Urgência otorrinolaringológica. Ocorre acúmulo de sangue entre a cartilagem e o mucopericôndrio, gerando um abaulamento septal bilateral, doloroso e flutuante. Conduta: Drenagem imediata para evitar necrose da cartilagem (deformidade em sela) e abscesso septal/intracraniano.
  • Fratura de Base de Crânio: Suspeitar se houver “Sinal do Guaxinim” (equimose periorbitária) ou rinorreia límpida (fístula liquórica). Contraindicação absoluta: Jamais realizar tamponamento nasal ou passar sonda nasogástrica às cegas nestes pacientes.
Sinal do Guaxinim. Fonte: https://fisiocti.com/site/traumatismo-cranioencefalico/  
  • Fratura Nasal: A redução da fratura deve ser feita imediatamente (antes do edema) ou, preferencialmente, entre o 2º e 5º dia, quando o edema regride, mas o osso ainda não consolidou (até 14 dias).

7. Tumores Benignos e Malformações

Dois tumores específicos são frequentes em provas devido às suas características únicas:

  1. Nasoangiofibroma Juvenil (NAJ):
    • Perfil: Exclusivo de adolescentes do sexo masculino.
    • Clínica: Obstrução nasal unilateral progressiva e epistaxes graves de repetição.
    • Imagem: TC mostra massa na fossa pterigopalatina com o clássico Sinal de Hollman-Miller (anteriorização da parede posterior do seio maxilar).
    • Conduta: Nunca biopsiar no consultório (risco de hemorragia fatal). O tratamento é cirúrgico com embolização pré-operatória.
Aspecto endoscópico nasal do nasoangiofibroma juvenil. Fonte: https://link.springer.com/ chapter/10.1007/978-3-319-92306-2_10/
  1. Papiloma Invertido:
    • Características: Tumor benigno lateral, mas localmente agressivo e com taxa de malignização para Carcinoma Espinocelular.
    • Imagem: Hiperostose focal (espessamento ósseo) no local de implantação do tumor.

Malformações Congênitas

  • Atresia de Coanas:
    • Bilateral: Emergência neonatal. O recém-nascido apresenta cianose cíclica que melhora ao chorar (pois respira pela boca) e piora ao mamar. Requer intubação ou cânula de Guedel e cirurgia precoce.
    • Unilateral: Diagnosticada tardiamente, manifesta-se com rinorreia unilateral persistente.
Placa atrésica em coanas. Atresia de coanas bilateral. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Axial-CT-scanof-a-bilateral-mixed-bony-membranous-choanal-atresia_ fig2_267702418  
  • Cistos Dermoides e Meningoceles: Massas na linha média nasal. Exigem RNM antes de qualquer intervenção para descartar extensão intracraniana.
Apresentação dos cistos dermoides. Fonte: Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Presentation-of-nasaldermoid-arrows-A-Nasal-tip-B-hair-follicles-C-nasal-pit-and_ fig1_10794605 

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