Infecção pelo HIV em crianças: transmissão, diagnóstico e mais!

0
7

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em crianças ocorre, majoritariamente, por transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou o aleitamento materno.

Diferentemente do adulto, o diagnóstico pediátrico apresenta particularidades relevantes, sobretudo nos primeiros meses de vida, devido à presença de anticorpos maternos circulantes. Por esse motivo, o raciocínio diagnóstico em pediatria é essencialmente etário-dependente, exigindo conhecimento específico para evitar atrasos no tratamento ou diagnósticos equivocados.

Como ocorre a transmissão do HIV na infância?

A principal forma de infecção pelo HIV em crianças é a transmissão vertical, que pode ocorrer em três momentos distintos:

  • Intraútero, por passagem transplacentária do vírus;
  • Intraparto, durante o contato com sangue e secreções maternas;
  • Pós-natal, principalmente por meio do aleitamento materno, que é contraindicado em mães vivendo com HIV.

A ausência de pré-natal adequado, diagnóstico tardio materno e falhas na profilaxia antirretroviral aumentam significativamente o risco de transmissão.

Sintomas e manifestações clínicas

O quadro clínico do HIV pediátrico pode ser variável e, muitas vezes, inespecífico. Em crianças sem história conhecida de exposição, a suspeita diagnóstica pode surgir a partir de sinais de alerta:

  • Pneumonia intersticial linfoide (LIP);
  • Parotidite crônica;
  • Infecções bacterianas de repetição (otites, sinusites graves);
  • Candidíase oral persistente ou refratária;
  • Hepatoesplenomegalia e linfadenopatia generalizada;
  • Déficit de crescimento ponderoestatural;
  • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

Essas manifestações refletem a imunossupressão progressiva e devem sempre levantar a hipótese de infecção pelo HIV.

Composição do vírus do HIV. Fonte: Acervo de ilustrações do Grupo MedCof. 

Diagnóstico do HIV na pediatria

O diagnóstico da infecção pelo HIV em crianças varia conforme a idade, sendo 18 meses o principal marco temporal.

Crianças menores de 18 meses (criança exposta)

Nessa faixa etária, testes sorológicos não são confiáveis devido à presença de IgG materna. O diagnóstico é feito por testes virológicos, que detectam diretamente o vírus Pediatria HIV :

  • Carga viral do HIV (RNA plasmático);
  • DNA pró-viral, que identifica o vírus integrado ao genoma da célula hospedeira.

Cronograma de testagem

Para não perder janelas de transmissão, segue-se um calendário rigoroso de coleta:

  • Ao nascimento;
  • Com 14 dias de vida;
  • Com 6 semanas;
  • Com 12 semanas.

Interpretação dos resultados

  • Carga viral indetectável: manter seguimento conforme calendário.
  • Carga viral detectável (qualquer valor): iniciar imediatamente tratamento antirretroviral preemptivo e coletar nova amostra para confirmação.

O diagnóstico é confirmado com:

  • Duas cargas virais detectáveis em momentos distintos, ou
  • Uma carga viral detectável associada a DNA pró-viral positivo.
Fluxograma do diagnóstico de HIV na infância. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Zona cinzenta: crianças entre 12 e 18 meses

Nesse período, a maioria das crianças já eliminou os anticorpos maternos, mas isso nem sempre ocorre. A conduta inclui:

  • Sorologia anti-HIV aos 12 meses;
  • Se positiva, repetir aos 18 meses para confirmação;
  • Se negativa, com exames virológicos prévios negativos, o caso pode ser encerrado.

Crianças com mais de 18 meses

Após essa idade, o sistema imunológico é autônomo e o diagnóstico segue o mesmo fluxo do adulto:

  • Teste rápido ou imunoensaio como triagem;
  • Confirmação com segundo teste de metodologia diferente.

Tratamento da infecção pelo HIV em crianças

O tratamento baseia-se no uso precoce da terapia antirretroviral (TARV), que deve ser iniciada assim que houver suspeita consistente de infecção, mesmo antes da confirmação definitiva. A introdução precoce da TARV reduz mortalidade, preserva a função imunológica e melhora o desenvolvimento da criança.

Prevenção e profilaxia

A prevenção da infecção pelo HIV em crianças envolve estratégias integradas:

  • Diagnóstico precoce do HIV materno;
  • Uso adequado de TARV durante a gestação;
  • Profilaxia antirretroviral no recém-nascido;
  • Contraindicação do aleitamento materno.

Além disso, todos os recém-nascidos expostos devem receber profilaxia para Pneumocystis jirovecii a partir da 4ª semana de vida, com sulfametoxazol-trimetoprima, até que a infecção pelo HIV seja excluída ou conforme critérios clínicos.

Qual a expectativa de vida de uma criança com HIV?

A expectativa de vida de uma criança com HIV, atualmente, é próxima à da população geral, desde que o diagnóstico seja feito precocemente e o tratamento antirretroviral (TARV) seja iniciado e mantido de forma adequada.

Panorama atual

Com o advento da TARV combinada, o HIV passou de uma doença fatal na infância para uma condição crônica controlável. Crianças que:

  • iniciam TARV precocemente (especialmente nos primeiros meses de vida),
  • mantêm boa adesão ao tratamento,
  • apresentam acompanhamento regular,

podem alcançar a idade adulta, envelhecer e ter qualidade de vida semelhante à de crianças não infectadas.

Fatores que influenciam a expectativa de vida

A sobrevida está diretamente relacionada a alguns pontos-chave:

  • Momento do diagnóstico
    Diagnóstico tardio está associado a maior risco de infecções oportunistas e dano imunológico irreversível.
  • Início precoce da TARV
    Reduz mortalidade, preserva CD4 e diminui reservatórios virais.
  • Adesão ao tratamento
    Falhas na adesão aumentam risco de resistência viral e progressão da doença.
  • Acesso ao sistema de saúde
    Seguimento regular, vacinação adequada e profilaxias oportunas são fundamentais.

Quando o prognóstico é pior?

Sem tratamento, a evolução é desfavorável:

  • Cerca de 50% das crianças infectadas verticalmente evoluem para formas graves nos primeiros anos de vida;
  • A mortalidade é elevada, especialmente por infecções oportunistas como pneumonia por Pneumocystis jirovecii.

Conquiste a aprovação e acompanhe mais notícias!

Gostou do conteúdo? Continue acompanhando nosso blog para ficar por dentro das principais notícias sobre residência médica, editais e oportunidades que podem transformar sua carreira!