Trauma de Pelve: Tamponamento, Fixação Externa e Angioembolização

0
16

O trauma pélvico é geralmente um evento de alta energia (atropelamentos, quedas de altura, colisões) e carrega uma mortalidade elevada devido à hemorragia maciça.

Anatomia do Sangramento

Por que a pelve sangra tanto?

A pelve pode acomodar praticamente toda a volemia do paciente. A origem do sangramento é a chave para o tratamento:

  • Venosos (90%): Plexo venoso pré-sacral e fraturas ósseas (plexo ósseo). A maioria para com estabilização mecânica (fechamento do anel pélvico) e tamponamento.
  • Arteriais (10%): Ramos da Ilíaca Interna (Pudenda Interna, Glútea Superior, Sacral Lateral). Estes não param com tamponamento simples e exigem angioembolização.

Avaliação Inicial e Exame Físico

No “C” do ABCDE, se houver suspeita de trauma pélvico, devemos avaliar a estabilidade mecânica.

Manobra de Estabilidade

  • Compressão das cristas ilíacas (fechamento) e sínfise púbica.
  • Regra de Ouro: Testar a estabilidade apenas uma vez. Se for instável, não repita, pois você pode desalojar coágulos e reiniciar o sangramento.

Inspeção: Buscar hematoma perineal, sangramento uretral (uretrorragia) ou vaginal e discrepância de comprimento de membros.

Conduta Imediata no Pré-Hospitalar/Sala de Trauma

  • Lençol ou Cinta Pélvica: Deve ser passado na altura dos trocânteres maiores (não nas cristas ilíacas!) para fechar o anel pélvico e reduzir o volume da pelve.

Classificação das Fraturas (Mecanismo de Trauma)

Entender a força aplicada ajuda a prever lesões associadas:

  1. Compressão Lateral (Tipo A): Mais comum (colisão lateral). O anel roda para dentro. Sangra menos, mas lesa muito vísceras (bexiga, uretra).
  2. Compressão Anteroposterior (Tipo B – “Livro Aberto”): Abertura da sínfise púbica. Alarga o volume pélvico, causando sangramento abundante.
  3. Cisalhamento Vertical (Tipo C): Queda de altura. Rompe todos os ligamentos (inclusive o assoalho pélvico). É a mais grave e instável.
Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Algoritmo de Decisão: O Paciente Instável

O divisor de águas é a estabilidade hemodinâmica.

Paciente ESTÁVEL

Segue para Tomografia com Contraste.

  • Se houver Blush arterial (vazamento de contraste): Angioembolização.
  • Tratamento definitivo da fratura pela ortopedia.

Paciente INSTÁVEL

Aqui o tempo é vida. Iniciar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM).

O exame fundamental é o e-FAST ou Lavado Peritoneal.

Cenário A: Pelve Instável + FAST Positivo (+)

Significa que há sangue na barriga E na pelve. Quem está matando o paciente? Provavelmente ambos.

  • Conduta: Laparotomia Exploradora (para controlar baço/fígado/mesentério) + Tamponamento Pélvico Extraperitoneal (packing) + Fixação Externa.

Cenário B: Pelve Instável + FAST Negativo (-)

O sangramento é exclusivamente pélvico (retroperitoneal). Não abra o peritônio!

  • Conduta: Tamponamento Pélvico Extraperitoneal (incisão infraumbilical sem violar o peritônio) + Fixação Externa.
  • Se continuar sangrando ou houver blush na TC: Angiografia para embolização.
Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Procedimentos de Salvamento

Tamponamento Pélvico Extraperitoneal (Packing)

É uma cirurgia de controle de danos.

  • Incisão infraumbilical mediana.
  • Dissecção pré-peritoneal (espaço de Retzius).
  • Inserção de compressas (3 a 6) de cada lado da bexiga, empurrando o peritônio para cima e comprimindo os plexos venosos contra o sacro.
  • As compressas são retiradas em 48-72h.

Fixação Externa

Fundamental para reduzir o volume da pelve e estancar o sangramento venoso do plexo ósseo. Deve ser feita simultaneamente ao packing ou logo após.

REBOA (Balão Endovascular de Oclusão da Aorta)

Pode ser usado na Zona 3 (aorta infra-renal) para ocluir o fluxo arterial para a pelve temporariamente enquanto se prepara a cirurgia ou embolização.

Fonte: https://reboarrest.com/reboa-procedure/ 

Trauma Pelviperineal Complexo

É quando há fratura pélvica associada a lesão de partes moles (exposição óssea, lesão de reto, vagina ou uretra). A mortalidade por sepse é altíssima.

Tríade do Tratamento:

  1. Desbridamento: Limpeza exaustiva de tecidos desvitalizados.
  2. Derivação: Colostomia (se lesão retal/perineal grave) e Cistostomia (se lesão uretral).
  3. Drenagem: Drenos amplos na região pré-sacral.

O método que te aprova!

Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCofer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material.