A residência médica em radioterapia é uma modalidade de especialização médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) que forma médicos para atuar no tratamento oncológico por meio da radiação, com foco na abordagem terapêutica do câncer.
Trata-se de uma especialidade de acesso direto, com duração total de 4 anos, na qual o médico recebe treinamento teórico e prático progressivo em serviços credenciados, conforme as diretrizes oficiais da residência médica no Brasil.

O que faz um radioterapeuta?
O radioterapeuta (também chamado de médico de radio-oncologia) é o especialista responsável pelo planejamento, prescrição e execução dos tratamentos oncológicos com radiação em pacientes com câncer. Além disso, ele:
- Avalia clinicamente o paciente e o tumor, definindo quando e como a radioterapia deve ser usada no tratamento.
- Planeja o tratamento radioterápico, escolhendo a técnica (como radioterapia externa ou braquiterapia) e a dosimetria das doses de radiação ideais para destruir células tumorais com segurança.
- Supervisiona e revisa o plano terapêutico junto a uma equipe multidisciplinar (incluindo físicos médicos e técnicos), garantindo que os parâmetros técnicos e de segurança sejam seguidos.
- Acompanha o paciente durante e após o tratamento, monitorando efeitos colaterais, ajustando condutas e promovendo atendimento humanizado e ético.
- Registra procedimentos e resultados, mantém-se atualizado com novas técnicas e pesquisa, e implementa medidas de proteção radiológica para pacientes e profissionais.
Quanto ganha um Radioterapeuta?
A remuneração de um radioterapeuta pode variar bastante no Brasil, dependendo de fatores como setor de atuação, experiência, localização geográfica, tipo de vínculo e acúmulo de plantões ou contratos.
- Em pesquisas nacionais, médicos radioterapeutas mostram média salarial em torno de R$10.900/mês para 24 horas semanais em regime CLT.
- Em concursos públicos (ex.: EBSERH), valores próximos de R$11.400/mês têm sido oferecidos.
- Outros levantamentos sugerem que a faixa pode variar amplamente (ex.: início de carreira, R$15 a 20 mil; experientes, acima de R$25 a 30 mil), especialmente no setor privado.
Esses valores podem aumentar com plantões, vínculos múltiplos e atuação em centros privados de referência ou coordenação de serviços.
| Setor / Região | Faixa Salarial (médico radioterapeuta) | Observações |
| SUS (público) | R$ 12.000 – R$ 18.000/mês | Variável por concurso e plano de carreira; pode incluir adicionais e plantões. |
| Clínicas privadas | R$ 20.000 – R$ 40.000/mês | Em centros privados de alta complexidade; pode depender de contrato PJ/plantões. |
| Hospitais privados | R$ 18.000 – R$ 35.000/mês | Geralmente com contrato CLT ou PJ; experiências mais experientes tendem a estar no teto. |
| Sudeste (capitais) | Médio a alto | Maior oferta de vagas e tecnologia; competitividade salarial moderada. |
| Sul / Centro-Oeste | Médio | Oportunidades intermediárias; menor concentração que o Sudeste. |
| Norte / Nordeste | Alto potencial local | Em algumas localidades com escassez de especialistas, os salários podem ser mais atrativos para contratar profissionais. |
Modalidades de tratamento em radioterapia
A radioterapia pode ser realizada por diferentes modalidades terapêuticas, escolhidas conforme o tipo de tumor, sua localização, estadiamento e as condições clínicas do paciente.
Cada técnica utiliza a radiação de forma específica, buscando máxima eficácia tumoral com o menor dano possível aos tecidos saudáveis.
Teleterapia (radioterapia externa)
A teleterapia é a modalidade mais comum de radioterapia. Nela, a fonte de radiação fica distante do paciente, sendo emitida por equipamentos de alta precisão posicionados fora do corpo.
Os principais equipamentos utilizados são os aceleradores lineares modernos, além de tecnologias avançadas como IMRT, VMAT, SBRT e tomoterapia, que permitem maior conformação da dose ao tumor.
O processo envolve simulação, planejamento computadorizado, definição das doses com o físico médico e, posteriormente, a aplicação diária do tratamento, geralmente em sessões fracionadas. É amplamente utilizada em tumores como câncer de mama, próstata, pulmão, cabeça e pescoço, sistema nervoso central, entre outros.
Confira a seguir uma tabela comparativa entre as técnicas citadas:
| Técnica | Características principais | Indicações comuns |
| IMRT (Radioterapia com Intensidade Modulada) | Modula a intensidade da radiação em cada campo, alta conformação da dose | Cabeça e pescoço, próstata, tumores próximos a órgãos críticos |
| VMAT (Arcoterapia Volumétrica) | Radiação em arco contínuo, menor tempo de sessão | Próstata, pelve, tumores torácicos |
| SBRT (Radioterapia Estereotáxica Corporal) | Altas doses em poucas frações, extrema precisão | Pulmão, fígado, metástases ósseas e cerebrais |
Braquiterapia
Na braquiterapia, a fonte radioativa é colocada dentro ou muito próxima do tumor, permitindo uma alta dose local com menor exposição dos tecidos ao redor.
Ela pode ser realizada como:
- Alta taxa de dose (HDR): aplicação temporária da fonte radioativa.
- Baixa taxa de dose (LDR): implantes permanentes ou de longa duração.
É muito utilizada em câncer de colo do útero, endométrio, próstata, esôfago e pele.
Entre suas principais vantagens estão a precisão, o tratamento mais curto e o melhor controle local em casos bem selecionados.
Radioisotopoterapia sistêmica
A radioisotopoterapia sistêmica é uma modalidade menos frequente, na qual radiofármacos são administrados por via oral ou intravenosa, distribuindo-se pelo organismo de forma direcionada a determinados tecidos.
Exemplos clássicos incluem:
- Iodoterapia (Iodo-131) no tratamento do câncer diferenciado de tireoide.
- Uso de radioisótopos para o tratamento de metástases ósseas, com objetivo paliativo e controle da dor.
Essa abordagem é indicada em situações específicas, nas quais a radiação precisa atuar de forma sistêmica e seletiva, complementando outras estratégias oncológicas.
Estrutura da residência médica em radioterapia
A residência médica em radioterapia é organizada para garantir formação progressiva, prática intensiva e sólida base teórica, seguindo as diretrizes da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).
Ao longo do programa, o residente desenvolve competências clínicas, técnicas e humanas essenciais para a atuação em oncologia.
Duração e requisitos de acesso
A residência em radioterapia é uma especialidade de acesso direto, sem exigência de pré-requisito, e possui duração total de 4 anos.
O ingresso ocorre por meio do processo seletivo padrão de residência médica, geralmente composto por prova objetiva e, em alguns editais, análise curricular.
A carga horária é de 60 horas semanais, com dedicação exclusiva, e o residente recebe a bolsa nacional de residência médica, atualmente no valor aproximado de R$4.106,09, além de possíveis auxílios conforme a instituição.
Programa curricular e atividades práticas
O programa é estruturado de forma escalonada, acompanhando a evolução técnica e clínica do residente:
- 1º ano: foco em clínica médica, cancerologia, patologia e introdução à radioterapia, com contato inicial com o ambiente oncológico.
- 2º ano: aprofundamento em radioterapia clínica, física médica, braquiterapia e planejamento dos tratamentos.
- 3º ano: atuação em técnicas avançadas, como IMRT, VMAT e SBRT, além de estágios específicos por sítio tumoral.
- 4º ano: fase de consolidação, com maior autonomia, atuação em casos complexos e possibilidade de sub especialização conforme o serviço.
Entre as atividades práticas essenciais estão o atendimento ambulatorial, o planejamento radioterápico, a execução e supervisão dos tratamentos e o manejo dos efeitos colaterais agudos e tardios.
Competências desenvolvidas durante a formação
Durante a residência, o médico desenvolve competências técnicas fundamentais, como:
- Planejamento e prescrição de tratamentos radioterápicos;
- Interpretação de exames de imagem (TC, RM, PET-CT);
- Noções sólidas de física médica e radioproteção.
Além disso, a formação enfatiza habilidades não técnicas indispensáveis, incluindo comunicação empática com pacientes oncológicos, trabalho em equipe multiprofissional e tomada de decisão em situações clínicas complexas.
Por ser uma área em constante evolução tecnológica, a radioterapia exige educação continuada e atualização permanente, garantindo tratamentos cada vez mais precisos, seguros e eficazes ao longo da carreira médica.
Principais instituições com residência em radioterapia no Brasil
A residência médica em Radioterapia é oferecida por instituições reconhecidas pela CNRM, geralmente vinculadas a centros oncológicos de referência, com infraestrutura tecnológica avançada e alto volume de atendimento.
A seguir, destacam-se os principais programas do país, com comentários sobre vagas e diferenciais relevantes para a formação do residente.
Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Rio de Janeiro (RJ)
O INCA é um dos principais centros de referência em oncologia do país e oferece, em média, 8 a 9 vagas anuais para residência em Radioterapia.
O programa é marcado por intensa carga assistencial, grande variedade de casos clínicos e forte atuação no Sistema Único de Saúde (SUS). É uma escolha frequente para quem busca formação sólida em oncologia clínica e experiência prática ampla.
Hospital A.C. Camargo Cancer Center (São Paulo – SP)
Reconhecido como um dos maiores centros oncológicos privados da América Latina, o A.C. Camargo oferece vagas anuais que podem variar conforme o edital.
O diferencial do programa está na especialização oncológica exclusiva, com contato constante com casos complexos, forte integração multidisciplinar e uso extensivo de técnicas avançadas de radioterapia.
Hospital Sírio-Libanês (São Paulo – SP)
O programa do Hospital Sírio-Libanês costuma disponibilizar cerca de 2 vagas por ano. É conhecido pela excelência acadêmica, infraestrutura moderna e contato com tecnologias de última geração, além de um ambiente altamente organizado e multidisciplinar. O número reduzido de vagas torna o processo seletivo bastante concorrido.
Rotina do médico residente em radioterapia
A rotina do médico residente em Radioterapia é marcada por intensa atividade prática, contato diário com pacientes oncológicos e participação constante em discussões clínicas e técnicas.
O dia a dia varia conforme o ano da residência e o serviço, mas costuma seguir uma dinâmica bem estruturada.
De modo geral, o residente inicia o dia com avaliações clínicas e atendimentos ambulatoriais, realizando consultas de primeira vez, retornos e acompanhamentos de pacientes em tratamento. Nessa etapa, são discutidas indicações de radioterapia, efeitos colaterais e ajustes de conduta, sempre com supervisão dos preceptores.
Uma parte significativa da rotina é dedicada ao planejamento radioterápico, que envolve a análise de exames de imagem, contorno de volumes-alvo e órgãos de risco, definição de campos e revisão dos planos junto à equipe de física médica.
Também é comum acompanhar a simulação e a aplicação dos tratamentos, garantindo a correta execução das técnicas prescritas.
Além das atividades assistenciais, o residente participa de aulas teóricas, reuniões multidisciplinares, discussões de casos e reuniões clínicas, integrando decisões com oncologistas clínicos, cirurgiões, radiologistas, patologistas e outros profissionais da oncologia.
Os plantões costumam ser menos frequentes do que em especialidades clínicas ou cirúrgicas, mas podem ocorrer, especialmente para avaliação de intercorrências e pacientes internados.
Entre os principais desafios da rotina estão a alta carga horária, o contato constante com pacientes em situações complexas e a necessidade de domínio técnico crescente das tecnologias envolvidas.
Em contrapartida, muitos residentes destacam como grandes satisfações a relação longitudinal com o paciente, a precisão dos tratamentos, o trabalho em equipe e o impacto direto da radioterapia na qualidade de vida e no controle do câncer.

Mercado de trabalho do radioterapeuta
O mercado de trabalho para o radioterapeuta no Brasil é considerado favorável e relativamente estável, especialmente devido ao crescimento contínuo da incidência de câncer e à ampliação do acesso aos tratamentos oncológicos.
A radioterapia é uma etapa fundamental do cuidado oncológico, o que garante demanda constante por especialistas qualificados.
Atualmente, o radioterapeuta pode atuar em hospitais públicos e privados, clínicas oncológicas especializadas, centros de referência em câncer e serviços vinculados ao SUS. Também há espaço para atuação em mais de um vínculo simultaneamente, o que amplia as possibilidades de renda e experiência profissional.
Em relação à oferta e demanda, o número de radioterapeutas ainda é inferior à necessidade ideal em várias regiões do país, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Isso faz com que profissionais recém-formados encontrem boas oportunidades de inserção, sobretudo em regiões com menor concentração de serviços especializados.
Campos de atuação após a residência
Após concluir a residência médica em Radioterapia, o especialista encontra diversas possibilidades de atuação, tanto na assistência quanto na área acadêmica.
Os principais campos de atuação são:
- Hospitais públicos e universitários;
- Clínicas privadas de oncologia e radioterapia;
- Centros oncológicos de alta complexidade;
- Serviços credenciados ao SUS;
- Coordenação técnica de serviços de radioterapia.
As subespecializações possíveis envolvem:
- Radioterapia em tumores de cabeça e pescoço;
- Radioterapia em câncer de mama;
- Radioterapia em tumores ginecológicos;
- Radioterapia em oncologia urológica (próstata);
- Radioterapia estereotáxica (SBRT);
- Braquiterapia avançada.
Além da assistência, há oportunidades na carreira acadêmica, com atuação em ensino, preceptoria e pesquisa clínica, especialmente em grandes centros e hospitais universitários.
Também existem possibilidades internacionais, seja para estágios, fellowships ou validação do título em outros países, principalmente para quem investe em produção científica e atualização contínua.
Como se preparar para a prova de residência em radioterapia
A preparação para a residência em Radioterapia exige foco em provas de acesso direto, com domínio sólido das grandes áreas da medicina. Para aumentar as chances de aprovação, algumas estratégias são essenciais:
- Construa uma base forte nas disciplinas básicas: clínica médica, cirurgia, ginecologia/obstetrícia, pediatria e medicina preventiva.
- Priorize conteúdos mais cobrados, como oncologia básica, princípios de radiobiologia, física médica introdutória e ética médica.
- Resolva muitas questões de provas anteriores, identificando padrões das bancas.
- Utilize livros e materiais atualizados, além de recursos online confiáveis.
- Organize um cronograma realista, com revisões periódicas e simulados.
- Invista em uma preparação estratégica, focada nos editais e no perfil das instituições.
Nesse processo, contar com um preparatório especializado faz toda a diferença. O MedCof oferece uma preparação direcionada para provas de residência médica, com metodologia focada em aprovação, conteúdos atualizados e acompanhamento inteligente do desempenho do aluno.
Qual é a diferença entre radiologia e radioterapia?
Apesar de ambas utilizarem radiação, radiologia e radioterapia são especialidades distintas, com objetivos completamente diferentes:
- Radiologia
- Atua no diagnóstico por imagem;
- Utiliza exames como raio-X, tomografia, ressonância e ultrassonografia;
- O foco é identificar, caracterizar e acompanhar doenças.
- O radiologista não realiza tratamento terapêutico
- Radioterapia
- Atua no tratamento do câncer com radiação;
- Utiliza a radiação de forma terapêutica, planejada e controlada;
- O foco é destruir células tumorais ou controlar o crescimento do tumor;
- O radioterapeuta acompanha o paciente durante todo o tratamento.
As duas especialidades são complementares: a radiologia fornece imagens essenciais para o diagnóstico e planejamento, enquanto a radioterapia utiliza essas informações para tratar o câncer com precisão.
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