Anemia Hemolítica Adquirida: fisiologia, classificações e mais!

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A condição hematológica na qual os glóbulos vermelhos são destruídos prematuramente devido a fatores externos ao organismo, como infecções, medicamentos, doenças autoimunes ou reações transfusionais. 

Fisiologia da hemácia 

A eritropoiese, processo de formação dos glóbulos vermelhos, inicia-se na medula óssea, presente nos ossos longos de adultos. Quando a maturação das hemácias é alcançada, elas são liberadas na circulação periférica com uma pequena porcentagem de reticulócitos. Em condições normais, a hemácia tem uma vida útil de cerca de 120 dias, sendo posteriormente fagocitada por macrófagos no baço.

O conteúdo interno das hemácias é reciclado, com o ferro transportado pela transferrina e a bilirrubina indireta, produto da destruição, sendo direcionada ao fígado para excreção. Em um quadro de anemia, quando os níveis de reticulócitos estão aumentados (acima de 2% ou 100 mil), o quadro é classificado como anemia hiperproliferativa. As principais causas de anemias hiperproliferativas são as anemias hemolíticas e o sangramento agudo.

Quais as provas de hemólise? 

As provas de hemólise são os exames laboratoriais que indicam a destruição acelerada de hemácias. Os principais achados são:

  • Reticulocitose: A medula óssea saudável, em resposta à redução da massa eritróide, aumenta a produção de glóbulos vermelhos, liberando-os de forma imatura na forma de reticulócitos. A reticulocitose é definida como mais de 2% ou 100 mil reticulócitos.
  • Aumento de DHL: A lesão da membrana das hemácias provoca o aumento da enzima desidrogenase lática (DHL).
  • Consumo de Haptoglobina:  Para evitar lesões endoteliais, a haptoglobina se liga à hemoglobina livre no plasma. Isso resulta no consumo e redução dos níveis de haptoglobina.
  • Aumento de Bilirrubina Indireta: A bilirrubina indireta, um componente da hemácia, aumenta no plasma devido à destruição celular.
  • Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI): A AHAI é uma anemia hemolítica adquirida que ocorre devido à formação de autoanticorpos contra os glóbulos vermelhos. As provas de hemólise são positivas, e o diagnóstico é confirmado pelo teste de Coombs Direto positivo. Cerca de 75-90% dos casos são causados por anticorpos da classe IgG, embora IgM e IgA também possam estar envolvidos.
Representação gráfica do Teste de Coombs Direto. Fonte: (Alves, 2022).

Quais as classificações para a AHAI?  

AHAI Quente

 É o tipo mais comum. Os autoanticorpos da classe IgG se ligam aos eritrócitos, que são então destruídos por macrófagos no baço (hemólise extravascular). Este processo é intensificado em temperaturas entre 37-40C° . Na hematoscopia, podem ser observados esferócitos, que são hemácias sem a palidez central.

Lâmina hematológica com esferócitos. Fonte: https://images.app.goo.gl/5gorqPRR7SzQUYf89 

AHAI Fria

Caracterizada por autoanticorpos da classe IgM que se ligam aos eritrócitos e ativam a via alternativa do sistema complementar. Essa ativação leva à formação do complexo de ataque à membrana (MAC), que causa a lise celular (hemólise intravascular). Este tipo está mais relacionado a infecções e neoplasias.

Fisiologia da anemia hemolítica adquirida autoimune. Fonte: http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0864-02892022000400009 

A AHAI pode ser secundária a outras condições, como neoplasias (especialmente leucemia linfocítica crônica), doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico), infecções (EBV, Mycoplasma) ou drogas. O tratamento de primeira linha é o uso de corticoides na dose de 1-2~mg/kg/dia.

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

A HPN é uma anemia hemolítica crônica adquirida, mas não imune. É causada por uma mutação no gene PIG A, que é responsável pela codificação de enzimas de membrana que ancoram os marcadores CD55 e CD59. O CD55 previne a formação da molécula C3 convertase, enquanto o CD59 bloqueia a ligação do C9, impedindo a formação do complexo de ataque à membrana. Na HPN, a deficiência desses marcadores faz com que o sistema complemento não reconheça as hemácias como próprias, desencadeando uma hemólise intravascular maciça.

Fisiopatologia da HPN. Fonte: https://doi.org/10.1590/S0104-42302010000200022 

O diagnóstico de HPN deve ser considerado em pacientes com anemia hemolítica intravascular, tromboses e citopenias. As provas laboratoriais incluem anemia com reticulocitose, aumento de DHL e redução da haptoglobina. O teste de Coombs Direto é negativo. O padrão-ouro para o diagnóstico é a citometria de fluxo. O tratamento de primeira linha para HPN é o Eculizumab, um anticorpo monoclonal que impede a clivagem do C5, evitando a formação do complexo de ataque à membrana. O transplante de medula óssea é reservado para casos refratários.

Quais outras Anemias Hemolíticas podem ser adquiridas?

Existem também outras etiologias adquiridas, como:

  • Mecânicas: Causadas por próteses valvares.
  • Microangiopatias: Como a Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) e a Síndrome HELLP.
  • Infecções: Como a malária.
  • Anemias Induzidas por Drogas: Fenômenos imunológicos podem ser induzidos por mais de 150 medicamentos, incluindo metildopa e penicilinas.

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