Metabolismo Mineral: entendendo a Sintonia entre PTH, Vitamina D e Rins

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Quando olhamos para um exame de cálcio sérico, estamos vendo o resultado final de um sistema de regulação extremamente fino. Não basta saber o valor de referência; é preciso entender o mecanismo entre as paratireoides, os rins, os ossos e o intestino.

Paratormônio (PTH)

Tudo começa com a detecção. As paratireoides possuem sensores chamados CaSR (receptores sensores de cálcio). Quando o nível de cálcio no sangue cai, esses receptores percebem a variação e estimulam a secreção de PTH.

O PTH é o grande hormônio hipercalcemiante e atua em três frentes principais para “resgatar” o cálcio:

  • Nos Ossos: Ativa os osteoclastos, aumentando a reabsorção óssea. Isso retira cálcio da matriz óssea e o joga na corrente sanguínea.
  • Nos Rins (Ação Direta): Aumenta a reabsorção renal de cálcio (trazendo-o de volta para o sangue) e, em contrapartida, estimula a excreção de fosfato.
  • Nos Rins (Ação Indireta/Enzimática): Estimula a enzima 1-alfa-hidroxilase. Essa enzima é crucial pois converte a vitamina D inativa em sua forma ativa.
Metabolismo do Cálcio. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Vitamina D

A Vitamina D não age sozinha; ela precisa ser metabolizada para funcionar. Vamos seguir o caminho dela:

  1. Origem: A principal fonte é a pele, onde a radiação UV converte o 7-desidrocolesterol em colecalciferol (ou 25-OH-Vitamina D). Também a obtemos pela dieta na forma de ergocalciferol (Vitamina D2).
  2. No Fígado: A vitamina sofre a primeira hidroxilação, virando 25-OH-Vitamina D3.
  3. Nos Rins (A Ativação): Aqui acontece a mágica. Sob estímulo do PTH (via 1-alfa-hidroxilase), ela vira 1,25-OH2-colecalciferol (calcitriol), que é a forma metabolicamente ativa.
Metabolismo da Vitamina D. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

As funções da Vitamina D ativa (1,25-OH2-D):

  • Intestino (TGI): Aumenta a absorção tanto de cálcio quanto de fosfato.
  • Ossos: Atua na reabsorção e formação óssea.
  • Paratireoide: Realiza o feedback negativo, suprimindo a produção de PTH quando os níveis estão adequados.

O Transporte

Essa é uma pegadinha clássica de prova e de plantão. O cálcio total que medimos no sangue está dividido em três frações:

  1. Cálcio Ionizado (50%): É a forma livre e metabolicamente ativa.
  2. Cálcio Ligado a Proteínas (40%): A maior parte (80-90%) está ligada à albumina.
  3. Cálcio Complexado (10%): Ligado a citrato e fosfato.

Atenção ao pH sanguíneo:

O equilíbrio ácido-básico altera a ligação do cálcio com a albumina.

  • Acidose: Diminui a ligação com a proteína, logo, aumenta o cálcio ionizado (livre).
  • Alcalose: Aumenta a ligação com a proteína, logo, diminui o cálcio ionizado (podendo causar sintomas de hipocalcemia mesmo com cálcio total normal).
Fonte: Acervo de Aulas do Grupo MedCof. 

Cálcio Corrigido

Como 40% do cálcio depende da albumina, pacientes com hipoalbuminemia (comuns na enfermaria: desnutridos, cirróticos, renais crônicos) terão um cálcio total falsamente baixo. O cálcio ionizado pode estar normal, mas o total vem baixo porque falta “transporte”.

Para não errar, use sempre a fórmula de correção:

Cálcio corrigido (mg/dL) = cálcio sérico total medido (mg/dL) + [4 – albumina sérica (g/dL) x 0,8]

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