
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgaram uma nota técnica conjunta com orientações sobre possíveis casos de intoxicação associados ao consumo de fórmulas infantis da Nestlé que estão em processo de recolhimento no Brasil. A medida foi adotada após a identificação de uma possível contaminação por cereulida, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.
Após o alerta, a empresa iniciou um recolhimento voluntário de diversos lotes e a Anvisa proibiu a comercialização, distribuição e uso desses produtos enquanto o caso é acompanhado pelas autoridades sanitárias.
O que é a toxina cereulida
A cereulida é uma toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus, um microrganismo amplamente encontrado no ambiente. A substância é conhecida por causar intoxicação alimentar, especialmente do tipo emética, caracterizada por vômitos intensos.
Um dos principais desafios associados à cereulida é sua alta estabilidade. A toxina é resistente ao calor e pode permanecer ativa mesmo após processos de aquecimento, como a preparação da fórmula com água quente. Por esse motivo, ferver ou preparar o alimento de forma diferente não elimina o risco caso o produto esteja contaminado.
Após a ingestão de alimentos com a toxina, os sintomas costumam surgir rapidamente, geralmente entre 30 minutos e 6 horas. Os sinais mais comuns incluem náuseas, vômitos e dor abdominal. Em situações raras e mais graves, pode ocorrer comprometimento do fígado ou dos rins.

Orientações para profissionais de saúde e vigilância
A nota técnica também orienta profissionais de saúde sobre como identificar e investigar possíveis casos de intoxicação. Um caso suspeito é definido como um quadro de vômitos ou náuseas iniciado entre uma e seis horas após o consumo de fórmulas infantis incluídas no recall.
Embora a intoxicação por cereulida não seja de notificação compulsória no sistema nacional de vigilância, os profissionais são orientados a comunicar casos suspeitos ao Ministério da Saúde para permitir o monitoramento da situação e a investigação de possíveis surtos.
O documento também recomenda que as vigilâncias sanitárias locais verifiquem estabelecimentos que comercializam fórmulas infantis, como supermercados, farmácias e drogarias, para identificar eventuais unidades dos lotes recolhidos ainda disponíveis.
O que os consumidores devem fazer
Os consumidores que utilizam fórmulas infantis devem verificar cuidadosamente o rótulo dos produtos, conferindo o nome comercial, a faixa etária indicada e o número do lote impresso na embalagem.
Caso o produto esteja entre os lotes incluídos no recall, a orientação é não utilizá-lo. Os responsáveis devem entrar em contato com a Nestlé para receber orientações sobre devolução, troca ou reembolso.
Se a criança apresentar sintomas como vômitos, diarreia ou sonolência após o consumo da fórmula, é recomendado procurar atendimento médico e informar o produto ingerido.


Monitoramento continua
De acordo com o Ministério da Saúde e a Anvisa, as autoridades seguem acompanhando o processo de recolhimento e monitorando possíveis notificações relacionadas aos produtos. As ações incluem orientação às vigilâncias locais, investigação epidemiológica de casos suspeitos e comunicação de riscos à população.
O objetivo das medidas é garantir a segurança alimentar e proteger a saúde de bebês e crianças pequenas, público mais vulnerável a esse tipo de intoxicação.
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