
Pela primeira vez, a obesidade infantil ultrapassou a desnutrição no mundo, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O marco representa uma mudança no perfil nutricional da população infantojuvenil e acende um alerta para os sistemas de saúde, especialmente em países de baixa e média renda.
Cenário atual
Atualmente, segundo estimativas globais do Unicef, 9,4% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos apresentam excesso de peso, enquanto 9,2% estão abaixo do peso.
Em 2000, o cenário era inverso: a subnutrição atingia 13% dessa faixa etária, e apenas 3% conviviam com sobrepeso ou obesidade.
Em pouco mais de duas décadas, o índice de excesso de peso triplicou, evidenciando uma transição nutricional acelerada.
Principais causas
Apesar de representarem extremos opostos da balança, obesidade e desnutrição compartilham uma mesma origem: a má nutrição.
O Unicef aponta que o avanço da obesidade infantil está diretamente ligado à substituição de alimentos in natura por produtos ultra processados.
Esses alimentos são ricos em açúcar, gordura e sódio, e, por isso, pobres em nutrientes essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento infantil.
O problema atinge de forma desproporcional populações socialmente vulneráveis. Em regiões com menor poder aquisitivo, o acesso a alimentos saudáveis é limitado, enquanto produtos ultra processados são amplamente disponíveis e mais baratos.
Estudos do Unicef indicam que mercados localizados em áreas de baixa renda expõem mais alimentos açucarados ao alcance das crianças e praticamente não oferecem frutas e verduras em locais de destaque.

Cenário brasileiro
No Brasil, a tendência acompanha o cenário global. Dados recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) indicam que cerca de 15% das crianças e adolescentes apresentam sobrepeso ou obesidade, enquanto outros 18% estão em risco de desenvolver a condição.
Embora a desnutrição venha diminuindo de forma consistente, o excesso de peso avança e já atinge um terço da população de 0 a 19 anos.
Impactos
Especialistas alertam que a obesidade infantil está associada ao surgimento precoce de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemias.
Além disso, causa impactos psicológicos, como ansiedade e depressão. O sedentarismo, impulsionado pelo aumento do tempo de tela e pela redução das atividades ao ar livre, agrava ainda mais o quadro.
Diante desse cenário, organismos internacionais defendem que o enfrentamento da obesidade infantil não pode se restringir à responsabilização das famílias.
A recomendação é investir em políticas públicas que ampliem o acesso a alimentos saudáveis, regulem a oferta e o marketing de produtos ultraprocessados, fortaleçam a alimentação escolar e promovam ambientes que incentivem a atividade física desde a infância.
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