
A passagem de plantão é o momento em que um profissional de saúde repassa as informações dos pacientes para quem assume o turno seguinte.
Esse processo garante a continuidade do cuidado, evita erros e assegura que decisões importantes não se percam entre um plantão e outro.
O que envolve a passagem de plantão?
- Transferência de responsabilidades: o profissional que encerra o turno entrega oficialmente o cuidado dos pacientes para quem assume.
- Compartilhamento de informações clínicas: inclui diagnóstico, evolução, exames, medicações, intercorrências e pendências.
- Continuidade do cuidado: uma boa passagem de plantão assegura que o plano terapêutico siga de forma coerente, sem atrasos, repetições ou condutas conflitantes.
- Segurança do paciente: ao organizar e padronizar a comunicação, o processo reduz falhas e riscos assistenciais.
- Alinhamento da equipe: a passagem de plantão promove clareza, organização e trabalho em equipe, facilitando decisões rápidas em ambientes de alta pressão.
Principais metodologias para passagem de plantão
Para reduzir falhas de comunicação e aumentar a segurança do paciente, a passagem de plantão deve seguir metodologias estruturadas.
De forma geral, as metodologias variam em nível de detalhamento, tempo de aplicação e contexto assistencial.
A escolha ideal depende do perfil do serviço (UTI, enfermaria, pronto-socorro), da complexidade dos casos e da rotina da equipe.
Metodologia SBAR
O SBAR é uma das metodologias mais utilizadas no mundo para estruturar a comunicação clínica.
O método organiza a passagem de plantão de forma clara, objetiva e padronizada, reduzindo ruídos na troca de informações.
SBAR é a sigla para:
- Situação (Situation):
O que está acontecendo agora. Identificação do paciente e o problema principal naquele momento.
Exemplo: “Paciente João, 68 anos, internado por pneumonia, apresentou queda de saturação.” - Contexto (Background):
Histórico clínico relevante, diagnóstico, comorbidades e eventos recentes.
Exemplo: “Hipertenso, diabético, em uso de antibiótico há 48 horas, sem resposta satisfatória.” - Avaliação (Assessment):
Avaliação clínica do profissional que está passando o plantão.
Exemplo: “Acredito que haja piora do quadro respiratório.” - Recomendação (Recommendation):
O que precisa ser feito ou observado a seguir.
Exemplo: “Sugiro gasometria, ajuste de oxigênio e reavaliação médica.”
Aplicações práticas do SBAR:
- Passagem de plantão em enfermarias e UTIs;
- Comunicação entre médicos e equipe multiprofissional;
- Situações de urgência, quando é preciso ser rápido e preciso.
Outras metodologias e ferramentas para passagem de plantão
Além do SBAR, existem outras abordagens eficazes, cada uma com aplicações específicas:
- I-PASS: Método amplamente utilizado em hospitais-escola. Foca em gravidade do paciente, resumo clínico, plano de ação, contingências e síntese pelo receptor.
Ideal para ambientes acadêmicos e pacientes complexos. - SOAP: Estrutura clássica do prontuário clínico (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano).
Funciona bem para evolução clínica, todavia, pode ser menos ágil para trocas rápidas de plantão - Read-back (leitura de retorno): Técnica em que quem recebe a informação repete o que foi entendido. Excelente para evitar erros críticos, mas depende de cultura organizacional bem estabelecida
Como escolher a melhor metodologia?
A escolha deve considerar:
- Complexidade dos pacientes;
- Tempo disponível para a passagem;
- Experiência da equipe;
- Necessidade de padronização institucional.
Independentemente do método, o mais importante é que a passagem de plantão seja organizada, completa e compreendida por quem recebe.
Como estruturar uma passagem de plantão eficiente?
Uma passagem de plantão eficiente começa antes do horário da troca e depende de organização, clareza e foco.
Seguir etapas bem definidas ajuda a evitar esquecimentos e torna o processo mais ágil.
Etapas de preparação
- Atualize as informações dos pacientes: revise prontuários, exames recentes, intercorrências e condutas tomadas durante o plantão.
- Organize os dados por prioridade: comece pelos pacientes mais graves ou instáveis, destacando riscos imediatos.
- Use uma metodologia estruturada: SBAR, I-PASS ou outra abordagem padronizada ajudam a manter a lógica da comunicação.
- Prepare o ambiente: escolha um local tranquilo, sem interrupções, favorecendo a concentração da equipe.
- Defina o tempo e a dinâmica: a passagem deve ser objetiva, sem pressa excessiva, permitindo perguntas e confirmações.
Informações essenciais a serem incluídas na passagem de plantão
- Identificação do paciente: nome, idade, leito e setor.
- Diagnóstico principal e secundários: motivo da internação e comorbidades relevantes.
- Estado clínico atual: estabilidade, gravidade e principais sinais de alerta.
- Sinais vitais e exames recentes: especialmente alterações fora do padrão.
- Medicações em uso: doses, horários, ajustes recentes e drogas críticas.
- Procedimentos realizados: cirurgias, exames invasivos ou intervenções importantes.
- Pendências e próximos passos: exames solicitados, reavaliações e decisões aguardadas.
Ferramentas e recursos para otimizar o processo da passagem de plantão
- Ferramentas digitais: sistemas hospitalares, planilhas compartilhadas e aplicativos específicos ajudam a padronizar e atualizar informações em tempo real.
- Checklists personalizados: listas adaptadas à realidade do serviço (PS, UTI, enfermaria) reduzem esquecimentos e aumentam a segurança.
- Prontuário eletrônico: deve ser usado como apoio, nunca como substituto da comunicação verbal estruturada.
- Outras tecnologias: gravações de áudio, mensagens seguras e apps de comunicação clínica podem auxiliar, desde que respeitem normas éticas e de confidencialidade.
Benefícios de uma passagem de plantão bem estruturada
- Redução de erros médicos e de enfermagem: a comunicação clara e padronizada diminui falhas na transmissão de informações.
- Maior segurança do paciente: a continuidade do cuidado é preservada, com menor risco de omissões, por exemplo.
- Melhor gestão do tempo e dos recursos da equipe: a passagem de plantão se torna mais objetiva e eficiente.
- Redução do estresse e da sobrecarga profissional: saber exatamente o que precisa ser informado traz mais organização, reduz ansiedade e melhora o clima da equipe.
- Fortalecimento do trabalho em equipe: a troca organizada favorece o alinhamento, estimulando a colaboração.
- Padronização dos processos: métodos claros garantem consistência na comunicação.
- Melhor tomada de decisão clínica: informações completas e bem priorizadas permitem decisões mais rápidas e seguras.
Aspectos legais e normativos da passagem de plantão
A passagem de plantão não é apenas uma boa prática assistencial. Ela também possui fundamentação ética e legal, com orientações dos conselhos profissionais.
- Resoluções do COFEN (Conselho Federal de Enfermagem):
O COFEN estabelece que a passagem de plantão é uma atividade obrigatória da equipe de enfermagem, devendo ocorrer de forma clara, completa e registrada.
- Normas e Código de Ética do CFM (Conselho Federal de Medicina):
O Código de Ética Médica reforça que é dever do médico assegurar a continuidade do cuidado, não abandonar o paciente e transmitir informações necessárias ao colega que assume o atendimento.
Responsabilidades legais dos profissionais
- O profissional que encerra o plantão é responsável por informar adequadamente o estado clínico, condutas realizadas, pendências e riscos do paciente.
- Quem assume o plantão passa a ser legalmente responsável pelo cuidado a partir daquele momento, devendo confirmar o entendimento das informações recebidas.
- Falhas na comunicação podem gerar responsabilização ética, civil e até judicial, principalmente quando resultam em danos ao paciente.
Importância da documentação da passagem de plantão
- O registro adequado em prontuário funciona como respaldo legal para médicos e equipe de enfermagem.
- Documentar condutas, intercorrências e orientações repassadas demonstra que houve diligência, organização e cumprimento das normas profissionais.
- Além de proteger o profissional, a documentação fortalece a qualidade assistencial.
Em resumo, uma passagem de plantão bem estruturada protege o paciente, a equipe e o profissional, unindo segurança assistencial e conformidade legal.
Dificuldades comuns na passagem de plantão e como superá-las
Entre os profissionais de saúde, alguns desafios são recorrentes e impactam a continuidade do cuidado e a segurança do paciente.
- Falta de padronização da comunicação: cada profissional utiliza uma lógica diferente para repassar as informações, dificultando o entendimento de quem assume o plantão.
- Sobrecarga e cansaço físico ou mental: jornadas longas reduzem a atenção, a memória e a clareza na transmissão dos dados.
- Ambientes inadequados: ruídos, interrupções frequentes e ausência de local reservado prejudicam a concentração.
- Pressão por tempo: a necessidade de encerrar rapidamente o plantão leva a relatos apressados e incompletos.
- Alta rotatividade de profissionais: equipes que mudam constantemente dificultam o alinhamento e o conhecimento prévio dos casos.
- Situações adversas ou emergenciais: intercorrências durante a troca de turno podem interromper ou fragmentar a passagem de plantão.
Erros comuns durante a passagem de plantão
Alguns erros aparecem de forma repetida na rotina hospitalar e estão diretamente associados a eventos adversos:
- Omissão de informações importantes: pendências, riscos, exames aguardando resultado ou mudanças recentes de conduta não são mencionados.
- Comunicação vaga ou ambígua: uso de expressões genéricas, sem dados objetivos ou critérios clínicos claros.
- Excesso de informações irrelevantes: dados de rotina ocupam espaço de informações críticas.
- Falta de hierarquização: pacientes graves e estáveis são apresentados da mesma forma.
- Ausência de confirmação de entendimento: não há checagem se quem recebe compreendeu corretamente o quadro e o plano.
Exemplo de situação:
Paciente internado com instabilidade hemodinâmica teve alteração recente de medicação não mencionada na passagem de plantão, o que resultou em atraso na reavaliação clínica e piora do quadro.
Barreiras de comunicação durante a passagem de plantão
A comunicação durante a passagem de plantão pode ser comprometida por diversos fatores:
- Ruídos externos e interrupções constantes, comuns em pronto-socorros e enfermarias.
- Falta de atenção plena, quando profissionais realizam outras tarefas simultaneamente.
- Diferenças de linguagem técnica, especialmente entre profissionais com níveis distintos de experiência.
- Hierarquias rígidas, que dificultam perguntas ou pedidos de esclarecimento.
- Ausência de escuta ativa, fazendo com que informações importantes não sejam assimiladas.
A passagem de plantão é um momento sensível e crítico da assistência, em que falhas de comunicação podem comprometer decisões clínicas e a segurança do paciente.
Passagem de plantão em diferentes contextos assistenciais
Cada contexto assistencial impõe ritmo, prioridades e níveis de complexidade distintos, o que influencia diretamente o conteúdo, a profundidade e a dinâmica da comunicação entre os profissionais.
UTI (Unidade de Terapia Intensiva)
Na UTI, a passagem de plantão tende a ser mais longa, detalhada e técnica, devido à gravidade e instabilidade dos pacientes.
- Ênfase em parâmetros clínicos contínuos, suporte ventilatório, drogas vasoativas e exames seriados.
- Mudanças mínimas de conduta podem ter impacto imediato, exigindo alto nível de precisão.
- A comunicação costuma envolver múltiplos profissionais ao mesmo tempo, por isso, o alinhamento da comunicação é essencial.
Enfermaria
Na enfermaria, a passagem de plantão geralmente é mais objetiva e focada em evolução clínica e pendências.
- Pacientes costumam apresentar maior estabilidade.
- O foco recai sobre exames programados, resposta ao tratamento, altas previstas e intercorrências.
- A comunicação tende a ser mais sequencia.
Pronto-socorro
No pronto-socorro, a passagem de plantão ocorre em ambiente de alta rotatividade e imprevisibilidade.
- Prioriza-se a situação atual, o grau de gravidade e o fluxo de atendimento.
- Muitos pacientes ainda estão em investigação diagnóstica.
- O tempo é limitado, e informações precisam ser transmitidas de forma rápida e clara.
Adaptação das metodologias a cada realidade
As metodologias de passagem de plantão são flexíveis e podem ser ajustadas conforme o setor:
- Em UTIs, modelos mais completos permitem contemplar a complexidade dos casos.
- Na enfermaria, estruturas mais diretas facilitam a revisão de múltiplos pacientes em sequência.
- No pronto-socorro, versões mais objetivas atendem à necessidade de agilidade sem perda de informações críticas.
A adaptação ocorre principalmente no nível de detalhamento, na priorização dos dados e no tempo dedicado a cada paciente, respeitando a dinâmica do serviço.
Passagem de plantão multiprofissional versus específica
Na prática assistencial, esses dois formatos frequentemente coexistem.
A escolha entre um modelo multiprofissional ou específico depende do perfil do serviço, da complexidade dos pacientes e da organização institucional, influenciando diretamente a qualidade da comunicação e a continuidade do cuidado.
- Passagem de plantão multiprofissional:
Envolve diferentes categorias da equipe de saúde e busca alinhar o cuidado de forma integrada. Favorece a visão global do paciente, mas pode exigir maior coordenação e tempo. - Passagem de plantão específica por categoria:
Realizada entre profissionais da mesma área (médicos, enfermagem, fisioterapia, entre outros), tende a ser mais técnica e focada nas atribuições de cada função.
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