Entenda os protocolos detalhados e manejo clínico da Ruptura Prematura das Membranas Ovulares 

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A RPMO é a rotura das membranas após 20-22 semanas e antes do início do trabalho de parto. O manejo exige um equilíbrio delicado entre prolongar a gestação (para maturidade fetal) e evitar a sepse (risco materno-fetal).

Fisiopatologia e Fatores de Risco

A principal causa é a Infecção Vaginal Ascendente (ex: vaginose, Streptococcus B, gonococo), que gera inflamação local e enfraquecimento das membranas.

Fonte: https://doi.org/10.1590/S0037-86822000000500007 

Outros fatores importantes

  • Mecânicos: Sobredistensão uterina (polidrâmnio, macrossomia, gemelaridade) e Incompetência Istmocervical.
  • Clínicos: Tabagismo, Placenta de inserção baixa e Infecção do Trato Urinário (ITU).

Diagnóstico: Precisão é Fundamental

O diagnóstico é clínico e o Padrão-Ouro é o Exame Especular visualizando a saída de líquido pelo colo (espontânea ou com manobra de Valsalva).

Exames Subsidiários (se dúvida no especular)

  1. Cristalização do Muco: O líquido amniótico seco em lâmina forma padrão de “folha de samambaia”.
  2. pH (Fita de Nitrazina/Fenol Vermelho): O pH do líquido é alcalino (> 6,5), virando a fita para azul.
  3. Ultrassonografia: Evidencia oligodrâmnio (redução do volume de líquido em comparação a exame anterior).
  4. Testes Imunocromatográficos: Detectam proteínas específicas do líquido amniótico.

Conduta Detalhada por Idade Gestacional

Antes da Viabilidade (< 24 semanas)

O prognóstico é reservadíssimo devido à hipoplasia pulmonar e deformidades de extremidades. Há alto risco infeccioso materno.

  • Conduta: Oferecer interrupção da gestação. Se o casal optar por manter, deve assinar um termo em prontuário.

Prematuro Viável (24 a 34 semanas) – Conduta Expectante

O objetivo é ganhar tempo com segurança.

  • Internação e Repouso: Relativo. Hidratação oral abundante (> 2,5L/dia).
  • Monitorização Infecciosa:
    • Curva térmica e sinais vitais.
    • Laboratório: Hemograma e PCR a cada 2-3 dias.
  • Avaliação Fetal: USG com Doppler + Perfil Biofísico Fetal (PBF) 2x/semana; Cardiotocografia diária.
  • Tocólise: EVITAR. Não se deve inibir o trabalho de parto na RPMO, pois pode mascarar uma infecção.

Protocolos Medicamentosos:

  1. Corticoterapia (Maturação Pulmonar):
    • Indicado até 34 semanas.
    • Opção 1: Betametasona 12mg IM, a cada 24h (2 doses).
    • Opção 2: Dexametasona 6mg IM, a cada 12h (4 doses).
    • Atenção: O corticoide causa leucocitose transitória (especialmente nas primeiras 48h), o que pode confundir o diagnóstico de infecção.
  2. Antibioticoterapia (Dupla Função):
    • Para aumentar o período de latência (ganhar dias): Amoxicilina 500mg 8/8h (5 dias) + Azitromicina 1g (dose única).
    • Profilaxia para Streptococcus B (GBS): Ampicilina 2g IV a cada 6h por 48 horas.
  3. Neuroproteção:
    • Sulfato de Magnésio Endovenoso.
    • Indicado se gestação $\le$ 31 semanas e 6 dias com risco de parto iminente (dilatação $\ge$ 4 cm).

A partir de 34 semanas

O pulmão fetal já é considerado maduro o suficiente, e o risco de infecção supera os benefícios de manter a gestação.

  • Conduta: Resolução da gestação (Indução ou Cesárea).
  • Nota: Em serviços com menor infraestrutura neonatal, pode-se individualizar a conduta expectante entre 34-36 semanas.

Complicações e Corioamnionite

As principais complicações incluem infecção, descolamento prematuro de placenta (DPP) e prolapso de cordão.

Diagnóstico de Corioamnionite (Critérios Clínicos)

A presença de Febre Materna isolada e sem outro foco já pode fechar o diagnóstico.

Causas da corioamnionite. Fonte: https://www.lecturio.com/pt/concepts/corioamnionite/ 

Outros sinais incluem:

  • Taquicardia materna e fetal.
  • Leucocitose: > 20.000 ou aumento de 20% em relação ao basal (lembrar de excluir o efeito do corticoide).
  • USG: Ausência de movimentos respiratórios no PBF.

Manejo da Corioamnionite

Diagnostico, interrompeu!

  1. Interrupção Imediata: Independente da idade gestacional.
  2. Via de Parto: Preferência pela Via Vaginal.
  3. Cuidados na Cesárea: Se for inevitável, proteger as goteiras parietocólicas com compressas úmidas e realizar lavagem peritoneal (risco alto de infecção da cavidade).

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