
No Brasil, temos um panorama complexo marcado por progressos significativos, mas desafios estruturais persistentes na residência em Cardiologia!
Como é a distribuição dos profissionais?
A cardiologia se mantém como uma das especialidades médicas mais prevalentes no país, com mais de 20 mil profissionais registrados, mas enfrenta um descompasso crescente entre o número de novos médicos formados e a capacidade limitada do sistema de residência médica. Esse “gargalo” na formação especializada, somado a uma concentração geográfica acentuada nas regiões Sudeste e Sul, perpetua uma distribuição desigual dos especialistas, limitando o acesso a cuidados de alta complexidade em vastas áreas do território nacional.
Além disso, a análise de gênero revela uma anomalia em relação à feminização geral da medicina, com a cardiologia mantendo uma forte predominância masculina.
Indicador | Dados |
Total de especialistas | 20.324 profissionais |
Predominância de gênero | 71,8% homens e 28,2% mulheres |
Distribuição Regional | Sudeste 55,5% e Sul 15,1% |
Concentração por estado | São Paulo 25,4%; Rio de Janeiro 16%; Minas Gerais 11,6% |
Um fato interessante a destacar é que, apesar disso, aqui na MedCof temos uma forte representação feminina na Cardiologia com a Dra. Júlia Tormin e a Dra. Mônica, coordenadoras do MedCof Cardio!
E as projeções futuras?
No âmbito epidemiológico, as Doenças Cardiovasculares (DCV) continuam a ser a principal causa de mortalidade no Brasil, responsáveis por mais de 400 mil óbitos anuais.
Embora as taxas de mortalidade padronizadas por idade tenham caído em décadas recentes, o número absoluto de mortes aumentou, uma consequência direta do crescimento e envelhecimento populacional. A carga da doença é agravada por uma alta prevalência de fatores de risco, como hipertensão, obesidade e sedentarismo, e apresenta nuances de gênero que exigem abordagens de saúde pública mais específicas e sensíveis.

As projeções futuras apontam para uma área em transformação, impulsionada por avanços tecnológicos como a inteligência artificial e a robótica. No entanto, a adoção dessas inovações corre o risco de aprofundar as desigualdades existentes, criando um sistema de saúde de “duas vias”.
Em resposta a esses desafios, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) tem intensificado suas iniciativas, visando aprimorar a formação de especialistas e influenciar políticas públicas, como a proposta de uma Política Nacional de Prevenção e Controle às DCV, que se mostra crucial para a sustentabilidade e equidade do sistema de saúde brasileiro.
E o Mercado de Trabalho?
A cardiologia é uma especialidade de alta demanda e que se mantém em ascensão no mercado de trabalho brasileiro. No entanto, a projeção de que o número total de médicos no país ultrapassará 1,15 milhão até 2035, combinada com o descompasso já existente entre o número de formandos e a quantidade de vagas de residência, prenuncia uma intensificação do gargalo na formação especializada.
Esse ciclo auto-reforçado de concentração de oportunidades e profissionais contribui para a má distribuição e para a persistência das desigualdades no acesso à saúde. Para reverter esse quadro, o futuro da cardiologia no Brasil depende da capacidade de se criar uma política coordenada que não apenas amplie as vagas de residência, mas as distribua estrategicamente para áreas com escassez de profissionais, oferecendo incentivos financeiros e profissionais para a fixação de especialistas nessas regiões.
Ciente dos desafios demográficos e epidemiológicos, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atua proativamente para moldar o futuro da especialidade. A entidade intensificou seus esforços na formação de futuros cardiologistas, com a criação da Comissão de Ensino e Formação do Cardiologista, aprovada em 2023. Essa comissão visa aprimorar a capacitação dos especialistas e, por meio de um termo de cooperação com a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), a SBC passará a colaborar nas avaliações dos programas de residência médica, reforçando seu compromisso com a qualidade do ensino.
E as inovações tecnológicas?
A cardiologia está na vanguarda da inovação tecnológica no Brasil, com a incorporação de soluções de ponta que têm o potencial de transformar a prática clínica. O Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, por exemplo, é pioneiro na América Latina no uso de inteligência artificial (IA) para a instalação de stents, utilizando software que processa imagens e sugere a melhor abordagem em tempo real, otimizando procedimentos e reduzindo complicações.
Testes com robótica também estão sendo realizados para permitir cirurgias remotas, com braços robóticos operados por médicos a quilômetros de distância, eliminando a exposição à radiação. Pesquisadores brasileiros também estão desenvolvendo dispositivos de assistência ventricular e hidrogéis que, no futuro, poderão permitir a bioimpressão 3D de órgãos e tecidos.

O método que te aprova!
Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCofer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 20 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material.