Doença Arterial Coronária: Coronariopatia Crônica e Síndromes Coronarianas Agudas

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A doença arterial coronariana (DAC) inclui um espectro de condições que afetam as artérias coronárias — desde a coronariopatia crônica até as síndromes coronarianas agudas (SCA). Ambas derivam de aterosclerose, mas diferem na intensidade, evolução e nas condutas médicas.

Coronariopatia Crônica

A coronariopatia crônica é o resultado de um processo aterosclerótico gradual, com formação de placas que estreitam progressivamente as artérias coronárias. Esse processo envolve:

  • Depósito de lipídeos
  • Inflamação e resposta imune
  • Proliferação do músculo liso vascular
  • Trombose local
    Esses mecanismos evoluem ao longo do tempo e são impulsionados por fatores de risco modificáveis (tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia) e não modificáveis (idade, histórico familiar, sexo masculino).

Manifestações Clínicas

O paciente com coronariopatia crônica geralmente apresenta angina estável: dor torácica retroesternal em aperto, desencadeada por esforço e aliviada com repouso ou nitratos. É importante reconhecer equivalentes anginosos (dispneia, náuseas, vômitos, dor mandibular), especialmente em idosos e diabéticos.

Diagnóstico

A escolha dos exames depende da probabilidade pré-teste:

  • Angiotomografia coronariana (AngioTC) — não invasiva e cada vez mais utilizada.
  • Cineangiocoronariografia (Cateterismo) — padrão-ouro, invasivo, reservado para casos complexos.
  • Exames funcionais (teste ergométrico, cintilografia, ecocardiograma de estresse) para detectar isquemia

Tratamento

O manejo visa reduzir o risco de eventos agudos e aliviar sintomas:

Terapia farmacológica:

  • Antiplaquetários (AAS 100 mg)
  • Estatinas de alta potência (Alvo LDL < 50 mg/dL)
  • IECA em hipertensos ou disfunção ventricular
  • Betabloqueadores quando apropriado
  • Antianginosos: nitratos, bloqueadores de cálcio

Controle do risco residual: Ezetimiba, inibidores de PCSK9, SGLT-2, agonistas de GLP-1, colchicina, ajustes de anticoagulação conforme risco trombótico.
Revascularização em casos selecionados (obstrução crítica, sintomas persistentes, disfunção ventricular).

Síndromes Coronarianas Agudas (SCA)

As síndromes coronarianas agudas representam a manifestação instável e súbita da doença coronariana, com redução abrupta do fluxo sanguíneo ao miocárdio, frequentemente por ruptura de placa e trombose.

Fisiopatologia

A SCA ocorre quando um trombo se forma sobre uma placa aterosclerótica instável, bloqueando parcial ou totalmente uma artéria coronária. Isso resulta em isquemia (redução de oxigênio) ou infarto (morte celular).

Classificação

As SCA são classificadas em três grandes grupos diagnósticos:

  1. Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento de ST (IAMCSST) – obstrução total, indicação de reperfusão imediata.
  2. Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnivelamento de ST (IAMSSST) – obstrução parcial ou intermitente com necrose detectada por biomarcadores.
  3. Angina Instável (AI) – isquemia aguda sem necrose celular confirmada.

Apresentação Clínica

Os sintomas costumam iniciar de forma súbita:

  • Dor ou desconforto torácico intenso
  • Irradiação para braço, mandíbula ou costas
  • Dispneia, náuseas, sudorese
  • Sensação de desmaio ou fadiga extrema
    A apresentação pode variar, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos.

Diagnóstico de SCA

O diagnóstico se apoia em:

  • Avaliação clínica imediata é crucial, pois o tratamento precoce melhora os desfechos.
  • Eletrocardiograma (ECG) — principal exame inicial.
  • Biomarcadores cardíacos (como troponina) — para distinguir entre IAM e angina instável.

Tratamento de SCA

O tratamento visa restaurar o fluxo coronariano, limitar a extensão do infarto e prevenir complicações:

Abordagem inicial (emergência):

  • AAS imediatamente (aspirina)
  • Antiagregantes e anticoagulantes conforme protocolo
  • Oxigênio, nitratos e, se indicado, opioides para dor
  • Reperfusão emergencial em IAMCSST (angioplastia ou trombólise)

Terapia farmacológica contínua

  • Betabloqueadores, estatinas, IECA/ARB
  • Reabilitação cardíaca e modificação de fatores de risco após alta

O prognóstico está fortemente ligado à rapidez no reconhecimento e ao início do tratamento.

Relação entre Coronariopatia Crônica e SCA

A coronariopatia crônica funciona como uma plataforma de risco — o acúmulo de aterosclerose prepara o terreno para a instabilidade de placas, que pode culminar em uma SCA. Em outras palavras:

  • A doença crônica muitas vezes é silenciosa ou provoca sintomas estáveis.
  • Porém, placas instáveis podem romper e levar à SCA com evolução rapidamente ameaçadora à vida.

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