
O Ministério da Saúde anunciou o início de um tratamento inédito para crianças com Malária no Sistema Único de Saúde (SUS). A novidade é a disponibilização da formulação pediátrica do medicamento Tafenoquina, indicada para pacientes com peso entre 10kg e 35kg.
Com a medida, o Brasil se torna o primeiro país a ofertar a versão pediátrica do fármaco no sistema público, ampliando as opções terapêuticas para uma doença que ainda apresenta alta incidência em áreas da região Amazônica.
Novo medicamento passa a ser oferecido a crianças no SUS
Até pouco tempo, a Tafenoquina era disponibilizada no SUS apenas para jovens e adultos a partir de 16 anos. A incorporação da versão pediátrica amplia o acesso ao tratamento para um grupo especialmente afetado pela doença.
Dados do Ministério da Saúde indicam que crianças representam cerca de metade dos casos de malária registrados no país, o que reforça a importância de estratégias terapêuticas voltadas ao público infantil.
O medicamento é indicado principalmente para casos causados pelo parasita Plasmodium vivax, responsável pela maior parte das infecções de malária no Brasil, e foi incorporada através da Portaria n°64.
Distribuição começa em áreas prioritárias da Amazônia
A implementação do tratamento ocorre de forma gradual, com prioridade para regiões com maior incidência da doença, especialmente na Amazônia.
Nesta primeira etapa, cerca de 126 mil comprimidos da formulação pediátrica serão distribuídos, com investimento aproximado de R$970 mil. Parte do lote será destinada a Distritos Sanitários Especiais Indígenas, incluindo territórios como Yanomami, Alto Rio Negro e Vale do Javari, que concentram grande número de casos entre crianças e adolescentes.
Além da distribuição do medicamento, o Ministério da Saúde também iniciou treinamentos para profissionais de saúde que atuam nesses territórios, com o objetivo de garantir a implementação segura do novo protocolo terapêutico.

Tratamento em dose única pode melhorar adesão
Uma das principais vantagens da Tafenoquina é a possibilidade de administração em dose única, o que simplifica o esquema terapêutico.
Até então, alguns tratamentos exigiam medicação por períodos prolongados, e em alguns casos, até 14 dias, o que dificultava a adesão, principalmente entre crianças.
A nova estratégia busca reduzir essas barreiras, além de contribuir para diminuir recaídas e interromper a transmissão do parasita.
Malária ainda é desafio de saúde pública no Brasil
Apesar dos avanços no controle da doença, a malária continua sendo um importante problema de saúde pública, sobretudo em áreas remotas da Amazônia, onde fatores geográficos e sociais dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Nos últimos anos, o governo federal tem intensificado medidas de vigilância, diagnóstico e tratamento. Em 2025, o país registrou redução no número de casos, incluindo queda de infecções em territórios indígenas e diminuição de óbitos relacionados à doença.
Dessa forma, a introdução da Tafenoquina pediátrica no SUS faz parte dessas estratégias e representa mais um passo para ampliar o controle da malária no país e fortalecer a assistência às populações mais vulneráveis.
Acompanhe as principais notícias da saúde!
Quer se manter atualizado sobre as principais mudanças no SUS e na prática médica? Continue acompanhando o Blog MedCof para mais conteúdos sobre saúde, carreira médica e residência!

