

Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou um novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal, popularmente conhecido como teste da Orelhinha. O documento atualiza critérios, orientações e fluxos assistenciais para o cuidado auditivo de recém-nascidos em todo o país.
Novo Guia para Triagem Auditiva Neonatal
O teste da orelhinha é um exame rápido, indolor e gratuito que tem como objetivo detectar precocemente deficiências auditivas em recém-nascidos.
De acordo com o documento atualizado pelo Ministério da Saúde, a Triagem Auditiva Neonatal fica recomendada para todo recém-nascido ainda na maternidade (entre 24 e 48 horas) ou no máximo até o primeiro mês de vida. Caso haja falha, é preciso realizar o teste até o 15º dia de vida.
Fases do exame
Ainda, o documento estabelece uma nova meta:
- Primeiro mês de vida: realização da Triagem Auditiva Neonatal;
- Até o segundo mês: confirmação da perda auditiva;
- No terceiro mês: intervenção.
Para isso, há dois exames possíveis:
Emissões otoacústicas (EOA)
Este é o primeiro teste realizado para detectar perda auditiva ou surdez, podendo ser realizado desde o nascimento. Ocorre por meio de emissões otoacústicas, com um receptor em cada orelha do paciente, detectando a viabilidade das células ciliadas externas.
Dependendo da resposta dessas células, podem ser detectadas deficiências auditivas, porém, não é possível reconhecer o grau da perda auditiva.

Fonte: Ministério da Saúde.
Potencial Evocado Auditivo de Estado Estável do Tronco Encefálico (PEATE)
Caso o primeiro teste demonstre alterações, deve-se proceder com este segundo teste que permite avaliar toda a via auditiva e medir o nível da audição, bem como o tipo de perda auditiva.
O teste é realizado enquanto o bebê estiver dormindo, para que o paciente permaneça imóvel para obter um resultado mais preciso.
Após a realização, é possível concluir se há uma detecção completa de problemas auditivos.

Como decidir qual exame realizar?
Para decidir o exame ideal, deve-se avaliar a presença de indicadores de risco para deficiência auditiva.
Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva 1
Esses indicadores (IRDA) são aqueles associados a maior ocorrência de perdas auditivas cocleares:
- Infecções congênitas do grupo STORCH+Z, incluindo a síndrome congênita do vírus Zika, mesmo que o diagnóstico ainda esteja em investigação;
- Uso de medicações ototóxicas;
- Anomalias craniofaciais do primeiro e do segundo arcos branquiais, com o envolvimento da orelha e osso temporal, a exemplo de microtia/atresia, apêndice pré-auricular, fístula/ coloboma auricular, fenda labiopalatina, microcefalia congênita ou hidrocefalia adquirida;
- Hereditariedade (casos de surdez genética na família).
Na infância, os seguintes indicadores devem ser considerados:
- Síndromes genéticas que usualmente expressam perda auditiva: Usher, Waardenburg, Alport, Pendred;
- Infecções bacterianas ou virais pós-natais: meningites, sarampo, rubéola, varicela, caxumba;
- Traumatismo Cranioencefálico;
- Quimioterapia.
Desse modo, sem IRDA ou com IRDA 1, o teste de escolha a ser realizado é o de emissões otoacústicas, que possui alta sensibilidade e moderada especificidade, e permite identificar alterações de células ciliadas externas (CCE) – até perdas cocleares.
Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva 2
Já nesse caso, são associados às perdas auditivas retrococleares e com o ENA (Espectro da Neuropatia Auditiva), mas também podem ocorrer perdas auditivas cocleares:
- Permanência em Utin por mais de cinco dias;
- Peso ao nascimento menor de 1.500 gramas;
- Hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão;
- Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO);
- Ventilação mecânica por mais de cinco dias;
- Anóxia grave (Apgar 0-4 no 1º min ou de 0-6 no 5º min);
- Encefalopatia hipóxico-isquêmica;
- Hemorragia peri-ventricular.
Na infância os seguintes indicadores devem ser considerados:
- Distúrbios Neurodegenerativos como: Ataxia de Friedreich, Doença de CharcotMarie-Tooth.
Assim, com a presença de IRDA 2 deve-se realizar tanto o teste de emissões otoacústicas, como o Potencial Evocado Auditivo de Estado Estável do Tronco Encefálico.

Resumo comparativo
| IRDA1 | IRDA2 | |
| Risco de | + Perdas Cocleares | + Perdas retrococleares e espectro da neuropatia auditiva, pode ter perda coclear |
| Indicador | •Infecções congênitas (STORCHZ)•Medicações ototóxicas (aminoglicosídeo- amica, genta), furosemida•Anomalias craniofaciais (orelha e osso temporal) – Coloboma, apêndice•Surdez genética (permanente iniciada na infância)•Na infância: sd. genética que curse com perda auditiva, infecções pós-natais (meningites, sarampo, varicela…), TCE e QTX | •UTIn + que 5 dias, VM por + 5 dias•Pnasc < 1500g•Exsanguineotransfusão (icterícia)•ECMO•Apgar 0-4 no 1º min ou de 0-6 no 5º min•Encefalopatia hipóxico-isquêmica•Hemorragia peri-ventricular•Na infância: distúrbios neurodegenerativos |
| Exame | EOA | EOA + PEATE |

O método que te aprova!
Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCoffer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material.
