
Assim como todo grande time estuda o adversário antes de entrar em campo, o candidato à UNITAU precisa conhecer o perfil da banca para distribuir sua energia com inteligência.
Os dados da edição anterior revelam padrões claros: em Clínica Médica, Cirrose e Complicações lideram as cobranças; em Cirurgia, o foco recai sobre Trauma; em Pediatria, Vacinação e Aleitamento Materno dominam; e em Preventiva, os Epidemiologia Clínica e Redes de Atenção à Saúde aparecem com peso relevante ao lado de Saúde Pública.
Quem ignora esses padrões estuda sem direção — e perde para adversários que já sabem onde a prova vai apertar. Está se preparando para a próxima edição da UNITAU? Então este post é para você! Confira e fique por dentro!
Temas quentes
Clínica médica
Gastroenterologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Cirrose e Complicações | 12 |
| Doença Inflamatória Intestinal | 5 |
| Intestino | 3 |
Endocrinologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Distúrbios da Tireoide | 3 |
| Diabetes | 2 |
| Hipófise | 2 |
Cardiologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Insuficiência Cardíaca | 4 |
| Arritmias | 4 |
| Hipertensão Arterial Sistêmica | 4 |
Cirurgia
Cirurgia Geral
| Temas | Quantidade de questões |
| Trauma | 32 |
| Hérnias | 19 |
| Abdome Agudo | 13 |
Cirurgia do Aparelho Digestivo
| Temas | Quantidade de questões |
| Coloproctologia | 11 |
| Esôfago | 4 |
| Pâncreas e vias biliares | 3 |
Urologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Urgências urológicas | 2 |
| Outras tags sobre Urologia | 2 |
| Litíase | 1 |
Pediatria
Puericultura
| Temas | Quantidade de questões |
| Aleitamento Materno | 9 |
| Crescimento | 8 |
| Puberdade | 7 |
Infectologia Pediátrica
| Temas | Quantidade de questões |
| Vacinação | 12 |
| Infecções de Vias Aéreas Inferiores | 6 |
| Meningite e Encefalite | 3 |
Neonatologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Triagem Neonatal | 6 |
| Icterícia Neonatal | 3 |
| Infecções Congênitas | 3 |
Preventiva e Saúde Pública
Epidemiologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Epidemiologia Clínica | 31 |
| Vigilância em Saúde | 4 |
| Indicadores de Saúde | 1 |
Política, planejamento e Gestão em Saúde
| Temas | Quantidade de questões |
| Redes de Atenção à Saúde | 13 |
| SUS | 1 |
| Sistemas de financiamento | 4 |
Medicina de Família e Comunidade
| Temas | Quantidade de questões |
| Clínica da APS | 9 |
| Comunicação Clínica | 1 |
| Outras tags sobre Medicina de Família e Comunidade | 1 |
Ginecologia
Ginecologia Geral
| Temas | Quantidade de questões |
| Infecção ginecológica | 11 |
| Endometriose | 2 |
| Sangramento uterino anormal (SUA) | 2 |
Oncoginecologia
| Temas | Quantidade de questões |
| Lesões pré-invasivas do trato genital inferior | 3 |
| Câncer de vulva | 1 |
| Câncer de colo de útero | 1 |
Ginecologia Endócrina
| Temas | Quantidade de questões |
| Amenorreias | 1 |
| Climatério | 1 |
| Síndrome dos ovários policísticos | 1 |
Obstetrícia
Gestação de Alto Risco
| Temas | Quantidade de questões |
| Síndromes hipertensivas na gestação | 9 |
| Gemelaridade | 5 |
| Restrição de crescimento intrauterino | 2 |
Assistência ao Parto
| Temas | Quantidade de questões |
| Mecanismos de parto | 4 |
| Estática fetal | 2 |
| Distocias de parto | 2 |
Emergências Obstétricas
| Temas | Quantidade de questões |
| RPMO | 4 |
| Trabalho de parto prematuro | 3 |
| Sangramento de primeira metade de gestação | 2 |

Veja um exemplo de questão relacionada à Epidemiologia Clínica

Resposta: 6,0% de resultado falso positivo para IgM. A alternativa traz 6 por cento de falso positivo para IgM, e essa é exatamente a leitura derivada da especificidade. Taxa de falso positivo = 1 − Especificidade = 1 − 0,94 = 0,06 = 6 por cento. Esse percentual representa a proporção de pessoas sem Covid-19 em que o teste daria, equivocadamente, positivo.
Comentário do professor:
Na mente do examinador
Medcofer, como você lida com os complementos das medidas diagnósticas? Esse é o objetivo da banca com essa questão. Ela entrega sensibilidade e especificidade, e te pede para identificar o que sai dessas duas medidas quando você inverte a lógica delas, o que dá origem aos famosos falsos positivos e falsos negativos. Quem decora regrinhas se sai até que bem, mas quem entende a tabela 2×2 se sai melhor ainda, porque navega entre as fórmulas sem precisar memorizar nada.
A taxa de falso negativo é o complemento da sensibilidade, ou seja, 1 menos a sensibilidade. A taxa de falso positivo é o complemento da especificidade, ou seja, 1 menos a especificidade. Aplicando ao caso, sensibilidade de 98 por cento dá uma taxa de falso negativo de 2 por cento, e especificidade de 94 por cento dá uma taxa de falso positivo de 6 por cento. Olhando alternativa por alternativa, a A coloca 2 por cento como falso positivo, mas 2 por cento é falso negativo. A B confunde especificidade com taxa de verdadeiro positivo, conceitos diferentes. A C traz 6 por cento como falso positivo, e isso bate exatamente com 1 menos a especificidade. A D coloca 6 por cento como falso negativo, mas 6 por cento é falso positivo. Por isso, o gabarito é a alternativa C.
A teoria por trás da questão
Para entender com tranquilidade qualquer questão de teste diagnóstico, o ponto de partida é sempre a mesma ferramenta. A tabela de contingência 2×2, que cruza o resultado do teste com a verdadeira condição da pessoa, segundo um padrão de referência. A tabela tem quatro caselas, e cada uma recebe um nome próprio.
| Doente (D+) | Não doente (D−) | Total | |
|---|---|---|---|
| Teste + | a (VP) | b (FP) | a + b |
| Teste − | c (FN) | d (VN) | c + d |
| Total | a + c | b + d | a + b + c + d |
Nessa tabela, a casela a representa os verdadeiros positivos (VP), ou seja, pessoas doentes que o teste classifica corretamente como positivas. A casela b traz os falsos positivos (FP), ou seja, pessoas não doentes em que o teste dá positivo. A casela c traz os falsos negativos (FN), ou seja, pessoas doentes em que o teste dá negativo. E a casela d traz os verdadeiros negativos (VN), ou seja, pessoas não doentes que o teste classifica corretamente como negativas.
A partir dessa estrutura, derivam-se as principais medidas de desempenho do teste. A sensibilidade é a proporção de doentes que o teste detecta corretamente, calculada pela fórmula a / (a + c), ou seja, VP / (VP + FN). A especificidade é a proporção de não doentes que o teste classifica corretamente como negativos, calculada por d / (b + d), ou seja, VN / (FP + VN). Sensibilidade e especificidade são propriedades intrínsecas do teste, ou seja, não dependem da prevalência da doença na população, e são as duas medidas mais usadas para comparar testes diagnósticos entre si.
A partir dessas duas medidas, derivam-se duas outras taxas, que são exatamente o que a questão cobra. A taxa de falso negativo (TFN) é a proporção de doentes em que o teste falha, calculada por c / (a + c), ou seja, FN / (VP + FN). Essa taxa é, em essência, o complemento da sensibilidade, e pode ser obtida diretamente pela fórmula TFN = 1 − Sensibilidade. A taxa de falso positivo (TFP) é a proporção de não doentes que o teste classifica erroneamente como positivos, calculada por b / (b + d), ou seja, FP / (FP + VN). Essa taxa é o complemento da especificidade, ou TFP = 1 − Especificidade.
Vale apresentar também as outras medidas que partem da mesma tabela 2×2, porque elas costumam aparecer em prova logo na sequência. O Valor Preditivo Positivo (VPP) responde à pergunta “se o teste deu positivo, qual a probabilidade de a pessoa estar doente?” e se calcula por a / (a + b), ou VP / (VP + FP). O Valor Preditivo Negativo (VPN) responde à pergunta “se o teste deu negativo, qual a probabilidade de a pessoa não estar doente?” e se calcula por d / (c + d), ou VN / (FN + VN). Diferente da sensibilidade e da especificidade, VPP e VPN dependem da prevalência da doença. Quando a prevalência sobe, o VPP sobe e o VPN cai. Quando a prevalência cai, o VPP cai e o VPN sobe. É por isso que um teste com excelente desempenho intrínseco pode ter VPP baixo em populações de baixa prevalência, e essa é a base teórica para a recomendação de não rastrear doenças raras de forma indiscriminada.
Há ainda duas medidas mais sofisticadas. A razão de verossimilhança positiva (RV+) é dada por Sensibilidade / (1 − Especificidade), e a razão de verossimilhança negativa (RV−) por (1 − Sensibilidade) / Especificidade. Diferente do VPP e VPN, as RV não dependem da prevalência, e por isso são consideradas medidas mais robustas para uso clínico bayesiano. Uma RV+ alta indica que o teste positivo aumenta muito a probabilidade pós-teste de doença, e uma RV− baixa indica que o teste negativo afasta com força a hipótese diagnóstica. Como regra prática, RV+ acima de 10 e RV− abaixo de 0,1 são consideradas excelentes.
Existe também a acurácia (ou eficiência), que é a proporção de pessoas corretamente classificadas pelo teste, calculada por (a + d) / (a + b + c + d), ou (VP + VN) / total. Aplicando agora ao caso da questão. O teste para Covid-19 tem sensibilidade de 98 por cento para IgM, o que significa que detecta corretamente 98 em cada 100 pessoas doentes, e perde 2 por cento. Esses 2 por cento são justamente a taxa de falso negativo (TFN = 1 − 0,98 = 0,02 = 2 por cento). O teste tem especificidade de 94 por cento, o que significa que classifica corretamente como negativos 94 em cada 100 pessoas não doentes, e classifica erroneamente como positivos 6 por cento. Esses 6 por cento são a taxa de falso positivo (TFP = 1 − 0,94 = 0,06 = 6 por cento). Pronto, com duas subtrações simples a questão se resolve, e ainda fica claro o que cada número significa.
Como foi a última edição da UNITAU
Ofertando 51 vagas para especialidades de Acesso Direto e 3 para especialidades com Pré-Requisito, a avaliação terá duas etapas: a prova objetiva e a análise curricular. Ademais, a taxa de inscrição será no valor de R$480,00.
O processo seletivo
O processo seletivo da UNITAU 2026 foi composto por duas etapas: a prova objetiva e a análise curricular.
Prova objetiva
A prova objetiva ocorreu no dia 26 de outubro de 2025, com início às 9h e término às 13h. Esta fase tem caráter eliminatório e classificatório, e possui peso de 90% da nota final. Veja a seguir a quantidade de questões conforme as especialidades:
- Para as especialidades básicas e de acesso direto, a prova teórica terá 80 questões de múltipla escolha, que tem pontuação máxima de 100 pontos;
- Para a especialidade em Urologia, a prova terá 40 questões de múltipla escolha, sendo 20 de Cirurgia Geral (pré-requisito) e 20 de Urologia, totalizando 100 (cem) pontos;
- Para a especialidade em Neonatologia, a prova terá 40 questões de múltipla escolha, sendo 20 de Pediatria (pré-requisito) e 20 de Neonatologia, totalizando 100 (cem) pontos.
Análise Curricular
A segunda fase, de caráter classificatório, consiste na análise do Currículo Lattes, e corresponde a 10% da nota final do processo seletivo. O período para enviar o currículo foi em 05 de novembro a 22 de dezembro de 2025. Para mais informações, confira o edital: “Edital UNITAU para Residência Médica 2025/2026”.

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