InícioResidência médica: editais, resultados, temas quentes e maisUNITAU 2026/2027: Temas quentes da residência médica

UNITAU 2026/2027: Temas quentes da residência médica

Assim como todo grande time estuda o adversário antes de entrar em campo, o candidato à UNITAU precisa conhecer o perfil da banca para distribuir sua energia com inteligência. 

Os dados da edição anterior revelam padrões claros: em Clínica Médica, Cirrose e Complicações lideram as cobranças; em Cirurgia, o foco recai sobre Trauma; em Pediatria, Vacinação e Aleitamento Materno dominam; e em Preventiva, os Epidemiologia Clínica e Redes de Atenção à Saúde aparecem com peso relevante ao lado de Saúde Pública.

Quem ignora esses padrões estuda sem direção — e perde para adversários que já sabem onde a prova vai apertar. Está se preparando para a próxima edição da UNITAU? Então este post é para você! Confira e fique por dentro!

Temas quentes

Clínica médica

Gastroenterologia

TemasQuantidade de questões
Cirrose e Complicações12
Doença Inflamatória Intestinal5
Intestino 3

Endocrinologia

TemasQuantidade de questões
Distúrbios da Tireoide3
Diabetes 2
Hipófise 2

Cardiologia 

TemasQuantidade de questões
Insuficiência Cardíaca4
Arritmias 4
Hipertensão Arterial Sistêmica4

Cirurgia

Cirurgia Geral

TemasQuantidade de questões
Trauma32
Hérnias19
Abdome Agudo13

Cirurgia do Aparelho Digestivo

TemasQuantidade de questões
Coloproctologia11
Esôfago 4
Pâncreas e vias biliares3

Urologia

TemasQuantidade de questões
Urgências urológicas2
Outras tags sobre Urologia2
Litíase 1

Pediatria

Puericultura

TemasQuantidade de questões
Aleitamento Materno9
Crescimento8
Puberdade7

Infectologia Pediátrica

TemasQuantidade de questões
Vacinação 12
Infecções de Vias Aéreas Inferiores6
Meningite e Encefalite3

Neonatologia

TemasQuantidade de questões
Triagem Neonatal 6
Icterícia Neonatal3
Infecções Congênitas3

Preventiva e Saúde Pública

Epidemiologia

TemasQuantidade de questões
Epidemiologia Clínica31
Vigilância em Saúde4
Indicadores de Saúde1

Política, planejamento e Gestão em Saúde

TemasQuantidade de questões
Redes de Atenção à Saúde13
SUS1
Sistemas de financiamento4

Medicina de Família e Comunidade

TemasQuantidade de questões
Clínica da APS9
Comunicação Clínica1
Outras tags sobre Medicina de Família e Comunidade1

Ginecologia 

Ginecologia Geral

TemasQuantidade de questões
Infecção ginecológica11
Endometriose2
Sangramento uterino anormal (SUA)2

Oncoginecologia

TemasQuantidade de questões
Lesões pré-invasivas do trato genital inferior3
Câncer de vulva1
Câncer de colo de útero1

Ginecologia Endócrina

TemasQuantidade de questões
Amenorreias1
Climatério1
Síndrome dos ovários policísticos1

Obstetrícia

Gestação de Alto Risco

TemasQuantidade de questões
Síndromes hipertensivas na gestação9
Gemelaridade5
Restrição de crescimento intrauterino2

Assistência ao Parto

TemasQuantidade de questões
Mecanismos de parto4
Estática fetal2
Distocias de parto2

Emergências Obstétricas

TemasQuantidade de questões
RPMO4
Trabalho de parto prematuro3
Sangramento de primeira metade de gestação2

Veja um exemplo de questão relacionada à Epidemiologia Clínica

Como cai na prova Unitau
Questão Prova UNITAU 2026 | Fonte: Qbank.

Resposta: 6,0% de resultado falso positivo para IgM. A alternativa traz 6 por cento de falso positivo para IgM, e essa é exatamente a leitura derivada da especificidade. Taxa de falso positivo = 1 − Especificidade = 1 − 0,94 = 0,06 = 6 por cento. Esse percentual representa a proporção de pessoas sem Covid-19 em que o teste daria, equivocadamente, positivo.

Comentário do professor:

Na mente do examinador

Medcofer, como você lida com os complementos das medidas diagnósticas? Esse é o objetivo da banca com essa questão. Ela entrega sensibilidade e especificidade, e te pede para identificar o que sai dessas duas medidas quando você inverte a lógica delas, o que dá origem aos famosos falsos positivos e falsos negativos. Quem decora regrinhas se sai até que bem, mas quem entende a tabela 2×2 se sai melhor ainda, porque navega entre as fórmulas sem precisar memorizar nada.

A taxa de falso negativo é o complemento da sensibilidade, ou seja, 1 menos a sensibilidade. A taxa de falso positivo é o complemento da especificidade, ou seja, 1 menos a especificidade. Aplicando ao caso, sensibilidade de 98 por cento dá uma taxa de falso negativo de 2 por cento, e especificidade de 94 por cento dá uma taxa de falso positivo de 6 por cento. Olhando alternativa por alternativa, a A coloca 2 por cento como falso positivo, mas 2 por cento é falso negativo. A B confunde especificidade com taxa de verdadeiro positivo, conceitos diferentes. A C traz 6 por cento como falso positivo, e isso bate exatamente com 1 menos a especificidade. A D coloca 6 por cento como falso negativo, mas 6 por cento é falso positivo. Por isso, o gabarito é a alternativa C.

A teoria por trás da questão

Para entender com tranquilidade qualquer questão de teste diagnóstico, o ponto de partida é sempre a mesma ferramenta. A tabela de contingência 2×2, que cruza o resultado do teste com a verdadeira condição da pessoa, segundo um padrão de referência. A tabela tem quatro caselas, e cada uma recebe um nome próprio.

Doente (D+)Não doente (D−)Total
Teste +a (VP)b (FP)a + b
Teste −c (FN)d (VN)c + d
Totala + cb + da + b + c + d

Nessa tabela, a casela a representa os verdadeiros positivos (VP), ou seja, pessoas doentes que o teste classifica corretamente como positivas. A casela b traz os falsos positivos (FP), ou seja, pessoas não doentes em que o teste dá positivo. A casela c traz os falsos negativos (FN), ou seja, pessoas doentes em que o teste dá negativo. E a casela d traz os verdadeiros negativos (VN), ou seja, pessoas não doentes que o teste classifica corretamente como negativas.

A partir dessa estrutura, derivam-se as principais medidas de desempenho do teste. A sensibilidade é a proporção de doentes que o teste detecta corretamente, calculada pela fórmula a / (a + c), ou seja, VP / (VP + FN). A especificidade é a proporção de não doentes que o teste classifica corretamente como negativos, calculada por d / (b + d), ou seja, VN / (FP + VN). Sensibilidade e especificidade são propriedades intrínsecas do teste, ou seja, não dependem da prevalência da doença na população, e são as duas medidas mais usadas para comparar testes diagnósticos entre si.

A partir dessas duas medidas, derivam-se duas outras taxas, que são exatamente o que a questão cobra. A taxa de falso negativo (TFN) é a proporção de doentes em que o teste falha, calculada por c / (a + c), ou seja, FN / (VP + FN). Essa taxa é, em essência, o complemento da sensibilidade, e pode ser obtida diretamente pela fórmula TFN = 1 − Sensibilidade. A taxa de falso positivo (TFP) é a proporção de não doentes que o teste classifica erroneamente como positivos, calculada por b / (b + d), ou seja, FP / (FP + VN). Essa taxa é o complemento da especificidade, ou TFP = 1 − Especificidade.

Vale apresentar também as outras medidas que partem da mesma tabela 2×2, porque elas costumam aparecer em prova logo na sequência. O Valor Preditivo Positivo (VPP) responde à pergunta “se o teste deu positivo, qual a probabilidade de a pessoa estar doente?” e se calcula por a / (a + b), ou VP / (VP + FP). O Valor Preditivo Negativo (VPN) responde à pergunta “se o teste deu negativo, qual a probabilidade de a pessoa não estar doente?” e se calcula por d / (c + d), ou VN / (FN + VN). Diferente da sensibilidade e da especificidade, VPP e VPN dependem da prevalência da doença. Quando a prevalência sobe, o VPP sobe e o VPN cai. Quando a prevalência cai, o VPP cai e o VPN sobe. É por isso que um teste com excelente desempenho intrínseco pode ter VPP baixo em populações de baixa prevalência, e essa é a base teórica para a recomendação de não rastrear doenças raras de forma indiscriminada.

Há ainda duas medidas mais sofisticadas. A razão de verossimilhança positiva (RV+) é dada por Sensibilidade / (1 − Especificidade), e a razão de verossimilhança negativa (RV−) por (1 − Sensibilidade) / Especificidade. Diferente do VPP e VPN, as RV não dependem da prevalência, e por isso são consideradas medidas mais robustas para uso clínico bayesiano. Uma RV+ alta indica que o teste positivo aumenta muito a probabilidade pós-teste de doença, e uma RV− baixa indica que o teste negativo afasta com força a hipótese diagnóstica. Como regra prática, RV+ acima de 10 e RV− abaixo de 0,1 são consideradas excelentes.

Existe também a acurácia (ou eficiência), que é a proporção de pessoas corretamente classificadas pelo teste, calculada por (a + d) / (a + b + c + d), ou (VP + VN) / total. Aplicando agora ao caso da questão. O teste para Covid-19 tem sensibilidade de 98 por cento para IgM, o que significa que detecta corretamente 98 em cada 100 pessoas doentes, e perde 2 por cento. Esses 2 por cento são justamente a taxa de falso negativo (TFN = 1 − 0,98 = 0,02 = 2 por cento). O teste tem especificidade de 94 por cento, o que significa que classifica corretamente como negativos 94 em cada 100 pessoas não doentes, e classifica erroneamente como positivos 6 por cento. Esses 6 por cento são a taxa de falso positivo (TFP = 1 − 0,94 = 0,06 = 6 por cento). Pronto, com duas subtrações simples a questão se resolve, e ainda fica claro o que cada número significa.

Como foi a última edição da UNITAU

Ofertando 51 vagas para especialidades de Acesso Direto e 3 para especialidades com Pré-Requisito, a avaliação terá duas etapas: a prova objetiva e a análise curricular. Ademais, a taxa de inscrição será no valor de R$480,00.

O processo seletivo

O processo seletivo da UNITAU 2026 foi composto por duas etapas: a prova objetiva e a análise curricular.

Prova objetiva

A prova objetiva ocorreu no dia 26 de outubro de 2025, com início às 9h e término às 13h. Esta fase tem caráter eliminatório e classificatório, e possui peso de 90% da nota final. Veja a seguir a quantidade de questões conforme as especialidades:

  • Para as especialidades básicas e de acesso direto, a prova teórica terá 80 questões de múltipla escolha, que tem pontuação máxima de 100 pontos;
  • Para a especialidade em Urologia, a prova terá 40 questões de múltipla escolha, sendo 20 de Cirurgia Geral (pré-requisito) e 20 de Urologia, totalizando 100 (cem) pontos;
  • Para a especialidade em Neonatologia, a prova terá 40 questões de múltipla escolha, sendo 20 de Pediatria (pré-requisito) e 20 de Neonatologia, totalizando 100 (cem) pontos.

Análise Curricular

A segunda fase, de caráter classificatório, consiste na análise do Currículo Lattes, e corresponde a 10% da nota final do processo seletivo. O período para enviar o currículo foi em 05 de novembro a 22 de dezembro de 2025. Para mais informações, confira o edital: “Edital UNITAU para Residência Médica 2025/2026”.

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Seja um MedCofer — porque aprovação também exige um time campeão

A cada quatro anos, o mundo para para acompanhar a maior competição de futebol do planeta. Nações inteiras se unem por um mesmo objetivo: erguer a taça. Para chegar lá, não basta talento isolado — é preciso preparo técnico, estratégia coletiva e repetição de fundamentos até a excelência virar hábito.

A aprovação na residência médica funciona da mesma forma. Não existe seleção campeã sem um método sólido por trás. E não existe aprovação consistente sem conteúdo de qualidade, orientação especializada e uma trajetória construída passo a passo.

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Autor

  • Jornalista pela UNESP. Linguista pela USP. Jornalista da área da saúde e meio ambiente, faço cobertura de atualizações médicas e concursos públicos. Especialista em braille e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão.

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