Entenda sobre a hipoglicemia neonatal

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A imagem retrata um recém-nascido em uma incubadora, representando os cuidados necessários para condições clínicas como a hipoglicemia neonatal. Essa condição comum nas primeiras horas de vida exige monitoramento precoce, especialmente em prematuros ou neonatos de risco. O ambiente controlado e os cuidados médicos são essenciais para evitar complicações metabólicas e garantir um manejo adequado da glicemia neonatal.
Recém-nascido em cuidados intensivos neonatais, simbolizando a necessidade de monitoramento constante para condições como a hipoglicemia neonatal. | Reprodução: Canva.
A imagem retrata um recém-nascido em uma incubadora, representando os cuidados necessários para condições clínicas como a hipoglicemia neonatal. Essa condição comum nas primeiras horas de vida exige monitoramento precoce, especialmente em prematuros ou neonatos de risco. O ambiente controlado e os cuidados médicos são essenciais para evitar complicações metabólicas e garantir um manejo adequado da glicemia neonatal.
Recém-nascido em cuidados intensivos neonatais, simbolizando a necessidade de monitoramento constante para condições como a hipoglicemia neonatal. | Reprodução: Canva.

A hipoglicemia neonatal é comum nas primeiras horas de vida e resulta de uma queda fisiológica nos níveis de glicose, devido à imaturidade metabólica do recém-nascido.

Conceitos

A definição da hipoglicemia neonatal é complexa pelo fato de que é a mais comumente encontrada na clínica neonatal, especialmente nas primeiras horas após o nascimento. Ela é causada por uma redução fisiológica da glicemia de recém-nascidos, atingindo uma mediana de 55 mg/dl, devido a uma maior necessidade cerebral de glicose e imaturidade hormonal e enzimática.

Entretanto, é necessário vigiar os neonatos que apresentam hipoglicemia, especialmente os grupos de risco: prematuros, filhos de mãe diabética, pequenos para idade gestacional (PIG) e os grandes para a idade gestacional (GIG).

Podemos definir a hipoglicemia a partir dos seguintes valores:

  • Até 48 horas de vida: < 50 mg/dL;
  • De 48 a 72 horas de vida:< 60 mg/dL;
  • > 72 horas de vida: < 70mg/dL;

Triagem

Os sinais e sintomas que nos guiam a iniciar a triagem do neonato em condição de hipoglicemia são:  

  • Letargia ou sonolência;
  • Hipotonia;
  • Bradicardia
  • Tremores;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade na alimentação (sucção fraca, dificuldade a coordenação da mamada ou cansaço durante a amamentação);
  • Choro excessivo;
  • Desconforto respiratório, Apneia e/ou Cianose;
  • Convulsões;

Além disso, mesmo assintomáticos, os bebês dentro do grupo de risco devem passar pela triagem de glicemia capilar. 

O quadro apresenta os principais fatores de risco para hipoglicemia neonatal, divididos entre condições neonatais e condições maternas. Entre os fatores neonatais destacam-se prematuridade, restrição de crescimento intrauterino (RCIU), filhos de mães diabéticas, e sinais de hiperinsulinismo. No grupo materno, condições como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e uso de medicamentos específicos também elevam o risco. Identificar esses fatores é essencial para manejar adequadamente essa condição neonatal e prevenir complicações metabólicas nos recém-nascidos.
Quadro ilustrativo listando os principais fatores de risco para hipoglicemia neonatal, divididos entre condições neonatais e condições maternas. Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (2022).

A medição da glicemia é realizada após a primeira mamada (que deve ocorrer dentro de uma hora após o nascimento) ou entre 60 e 120 minutos de idade se a primeira mamada foi adiada. Para bebês sintomáticos a aferição deve ser imediata!

 FIQUE ATENTO!

É preconizado dosar a glicemia plasmática para a confirmação da hipoglicemia, pois a glicemia capilar aferida pelo glicosímetro pode apresentar de 10% a 15% inferior à glicemia plasmática.

Etiologia

Após o clampeamento do cordão,  há uma natural queda da glicose, já que o neonato agora vai produzir a glicemia recebida por via parental. Por isso, percebemos um aumento dos hormônios contrarreguladores (glucagon e insulina) fazendo com que ocorra a glicogenólise e a gliconeogênese. Para manter a glicemia adequada é necessário que os bebês mantenham o equilíbrio entre produção hepática e consumo energético até que utilizem glicose da dieta. Mas se a glicemia plasmática se mantiver abaixo dos níveis saudáveis (acima mencionados) o desenvolvimento cerebral pode ser seriamente afetado.

 Portanto, podemos classificar a hipoglicemia em dois grupos:

  1. Transitória: de algumas horas até 3 dias (mais da metade são transitórios e assintomáticos!)
  1. Persistente: mais que 3 dias

A hipoglicemia geralmente está relacionada à transição metabólica do recém-nascido, entretanto 35% desses eventos estão associados com outros episódios como:

  • Hiperinsulinismo congênito;
  • Insuficiência adrenal primária;
  • Galactosemia;
  • Erros inatos do metabolismo:
  • Distúrbio da glicogenólise;
  • Distúrbio da gliconeogênese;
  • Distúrbios do metabolismo dos aminoácidos;
  • Distúrbios do metabolismo dos ácidos graxos.

Manejo

Como os casos de hipoglicemia podem estar relacionadas a outras doenças metabólicas, para um correto manejo é primordial coletar uma história detalhada sobre gestação e parto, além de um exame físico minucioso, em busca de descartar a presença de SEPSE NEONATAL, visto que é uma condição que frequentemente cursa com hipoglicemia.

Quando fazer a investigação etiológica?

A maioria das sociedades recomendam que RNs que apresentam hipoglicemia por mais de 7 dias e/ou a necessidade da taxa de infusão de glicose maior que 10mg/kg/min, deve-se iniciar a investigação etiológica, coletando inclusive amostra crítica no momento da hipoglicemia, para auxílio diagnóstico.

O fluxograma apresenta o manejo da hipoglicemia neonatal para neonatos assintomáticos com glicemia menor que 40 mg/dL. Está dividido em dois momentos: primeiras 4 horas de vida e entre 4 e 24 horas de vida. Na fase inicial, recomenda-se alimentação seguida de controle glicêmico após 30 minutos; se a glicemia for menor que 25 mg/dL, inicia-se glicose intravenosa, enquanto valores intermediários indicam realimentação. Entre 4 e 24 horas, são sugeridas dietas a cada 2-3 horas, com controle glicêmico antes de cada refeição, e intervenções ajustadas conforme os níveis glicêmicos (<35 mg/dL: glicose intravenosa; entre 35-45 mg/dL: realimentação ou glicose EV). O manejo também prevê o uso de glicose oral (gel) ou alimentação enteral em situações específicas.
Fluxograma de manejo para neonatos assintomáticos, de acordo com as condições investigadas. | Acervo de ilustrações do Grupo MedCof

A alimentação precoce e frequente é muitas vezes a primeira linha de tratamento. No entanto, em casos mais graves ou persistentes, pode ser necessária a administração intravenosa de glicose ou outras intervenções.

Curiosidade: Estudos recentes mostraram que  gel de dextrose massageado na mucosa oral pode ser eficaz no manejo de hipoglicemia assintomática em bebês prematuros.

Além disso, em casos de hipoglicemia sintomática, na presença de glicemia < 40 mg/dL, deve-se realizar imediatamente um push de glicose a 10% na dose de 2 a 4ml/kg, seguida de infusão contínua de venóclise com TIG de 5 a 8 mg/kg/minuto.

Monitoramento

Após o tratamento inicial, é fundamental monitorar continuamente os níveis de glicose no sangue e avaliar a resposta do bebê às intervenções. 

O quadro destaca os principais fatores de risco para hipoglicemia neonatal, classificados em condições neonatais e condições maternas. Dentre os fatores neonatais estão prematuridade, restrição de crescimento intrauterino (RCIU), recém-nascidos pequenos ou grandes para a idade gestacional (PIG/GIG), filhos de mães diabéticas e sinais de hiperinsulinismo ou síndromes genéticas. No grupo de condições maternas, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, uso de medicamentos específicos e histórico familiar de hipoglicemia neonatal são os principais fatores. Identificar esses riscos permite intervenção precoce e manejo eficaz da hipoglicemia neonatal.
Orientações para o manejo de acordo com a idade. Fonte: UpToDate (2023)

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