
Os jogadores de Futebol sofrem muitos acidentes em campo, sobretudo em grandes competições como a Copa do Mundo. O organismo dos craques é exposto continuamente a desacelerações bruscas, mudanças de direção, hiperextensões impactantes e traumas diretos por contato. Por isso, separamos neste post como entender o manejo diagnósticos desses atletas!
Lesões Ortopédicas e Traumatológicas
Esse tipo de lesão musculoesquelética causa o maior número de afastamentos no futebol, seja por alguns minutos na partida, seja de maneira permanente na carreira do jogador. Devido a dinâmica do esporte, os membros mais afetados são os inferiores, que se expõem a torção e sobrecarga de forma crônica. As principais lesões são:
Entorse do Joelho
Causa da ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), o entorse é uma lesão tipicamente de não-contato, que ocorre devido a desaceleração associada à rotação interna da tíbia com o pé fixo ao gramado. O jogador escuta um estalido e subitamente fica incapaz de deambular, com a presença de hemartrose volumosa nas primeiras horas.

A avaliação de urgência lança mão dos testes clínicos de Lachman e Gaveta anterior, mas o diagnóstico é confirmado pela Ressonância Magnética.
Lesões Miotendíneas
Essas lesões causam estiramento dos isquiotibiais. Principalmente na fase excêntrica final da corrida (o chamado sprint), os músculos semitendíneo, semimembranoso e bíceps femoral tentam desacelerar a extensão da perna, gerando o estiramento.

As lesões são classificadas conforme a escala de Munique (que categoriza estiramentos funcionais a rupturas estruturais completas). Para fechar o diagnóstico e saber quanto tempo o jogador terá que se afastar é fundamental a ultrassonografia musculoesquelética ou Ressonância Magnética.
Lesões Meniscais e de Cartilagem
Para que esses traumas ocorram, é preciso altas forças de cisalhamento rotacional com o joelho em flexão. É importante lembrar que o menisco lateral é comumente lesionado em traumas agudos associados ao LCA e o medial se associa a processos crônicos e traumas em valgo.

Lesões Neurológicas
Embora menos frequente, as lesões neurológicas no futebol tem grande seriedade pelo risco de sequelas a longo prazo e exigência de protocolos rígidos de conduta. As mais comuns são o trauma cranioencefálico e a compressão periférica.
Concussão cerebral
Esse é o traumatismo cranioencefálico leve, que ocorre devido a transmissão de forças impulsivas ao cérebro por impacto direto (choque na cabeça com outra cabeça ou joelho) ou por forças de desaceleração/aceleração rotacional decorrentes de impacto no corpo. Quando ela ocorre, o jogador apresenta amnésia retrógrada ou anterógrada, cefaléia, tontura, distúrbios visuais, lentificação cognitiva e labilidade emocional. Além disso, existem alguns sinais de alarme importantes, como vômitos em jato ou assimetria pupilar, que sinaliza a herniação ou hematoma craniano.

Quando identificado em campo é fundamental a aplicação imediata do protocolo SCAT6 (Sports Concussion Assessment Tool). O manejo inicial baseia-se no afastamento imediato e repouso cognitivo e físico, seguido pelo protocolo de retorno gradual ao esporte (Graduated Return-to-Play), quando já há a ausência completa de sintomas.
Neuropatias compressivas e agudas
Frequentemente associada a neuropatia do nervo fibular comum. Ela ocorre de forma secundária a traumas diretos no colo da fíbula, como quando o jogador recebe uma entrada lateral ou carrinho, ou por estiramento em entorses graves em varo do tornozelo. O atleta vai apresentar parestesia no dorso do pé e marcha escarvante por fraqueza da dorsiflexão (comprometimento do músculo tibial anterior).

Lesões Vasculares
Essas são as lesões mais raras, mas configuram emergências cirúrgicas que causam perda do membro se não reconhecidas precocemente. Normalmente se manifestam por meio da síndrome compartimental aguda, luxação de joelho e lesão de artéria poplítea.
Síndrome Compartimental Aguda
Ela ocorre devido uma elevação da pressão tissular dentro de um compartimento fascial fechado, normalmente loja anterior ou posterior profunda da perna. A lesão é comumente causada por trauma contuso direto e gera hematoma e edema progressivo.

Os sinais que indicam essa condição são identificados pelos 5 P´s : Pain (dor desproporcional ao achado físico e que piora com o estiramento passivo do compartimento), Pallor (palidez), Pulselessness (ausência de pulso – sinal tardio), Paresthesia (parestesia) e Paralysis (paralisia). Não espere quando identificá-la! Essa é uma emergência cirúrgica, o tratamento é a fasciotomia descompressiva imediata para evitar necrose muscular e rabdomiólise.
Luxação de Joelho e Lesão da Artéria Poplítea
Os traumas de altíssima energia com desestruturação de múltiplos ligamentos causam lesão nessa importante artéria, devido sua fixação anatômica no anel do adutor e no arco do músculo sóleo. Quando ocorre o deslocamento fêmoro-tibial, a posição traciona ou rompe mecanicamente o vaso.
Lembre que todo paciente paciente com luxação de joelho ou instabilidade multidirecional grave deve ser submetido à avaliação vascular minuciosa (Índice Tornozelo-Braquial) e, idealmente, à Angiotomografia (Angio-TC) ou Arteriografia, mesmo na presença de pulsos distais palpáveis, devido ao risco de lesão da íntima arterial com trombose tardia.

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