Anvisa ‘endurece’ regras para canetas emagrecedoras

Novo plano estratégico combate o uso irregular e a manipulação indevida de agonistas de GLP-1; medidas incluem maior controle na importação, rastreabilidade rígida e prioridade no registro de novos medicamentos.

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Anvisa ‘endurece’ regras para canetas emagrecedoras e intensifica fiscalização de insumos
Fonte: Getty Images
Anvisa ‘endurece’ regras para canetas emagrecedoras e intensifica fiscalização de insumos
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (6), novas medidas para prevenir os riscos associados a medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. O documento também reforça o controle sanitário desses produtos farmacêuticos.

Segundo a Agência, desde 2024 há um aumento considerável do uso destas substâncias, além de um crescimento na manipulação de seus insumos em preparações magistrais injetáveis. 

Para combater os problemas técnicos e a falta do controle de qualidade na produção desses medicamentos, a Anvisa preparou algumas medidas corretivas, que buscam coibir o uso irregular e proteger a saúde da população. Assim, garantindo a qualidade e eficácia dos produtos. 

Riscos associados ao uso e a produção indevida 

A manipulação de produtos injetáveis, como canetas, exige padrões rígidos de esterilidade e pureza do insumo para garantir a segurança dos consumidores. 

Segundo dados da Anvisa, a importação dos insumos para essa manipulação, atualmente, é incompatível com o mercado nacional. No segundo semestre de 2025 foram importados 130 quilos de insumos, o suficiente para cerca de 25 milhões de doses do remédio.

Esses dados se relacionam com o crescimento dos relatos sobre eventos adversos e a identificação de prescrição diferente da aprovada na bula para esses produtos. Um exemplo disso é o uso da caneta para o emagrecimento sem nenhuma necessidade médica.

Ainda em janeiro deste ano, a Anvisa emitiu um alerta para o risco de pancreatite aguda, associado ao uso indevido das canetas emagrecedoras. Desde então, já foram publicadas dez ações de proibição de importação, comércio e uso de produtos injetáveis agonistas de GLP-1 irregulares – como a semaglutina tirzepatida. 

Plano estratégico 

A Agência montou um plano estratégico com seis eixos que devem ser seguidos:

Aprimoramento regulatório

  1. Revisão da Nota Técnica 200/2025 que orienta procedimentos para importação, manipulação e controle sanitário de IFAs de agonistas de GLP-1.
  2. A norma deve detalhar desde a entrada do insumo até a preparação final do produto;
  3. É preciso definir especificações de rastreabilidade, qualidade e segurança ao longo da cadeia produtiva;
  4. Qualificação dos fabricantes e fornecedores;
  5. Estabelecimento de testes mínimos de controle de qualidade;
  6. Revisão da resolução sobre boas práticas de manipulação de preparações magistrais e oficinais para uso humano em farmácias (RDC 67/2007). Essa resolução é a que norteia o processo regulatório das farmácias de manipulação.
  7. Fortalecimento das medidas sanitárias cautelares para suspensão de Autorização de Funcionamento (AFE) em situações de risco iminente e a retirada automática de efeito suspensivo de recursos administrativos. 

Essa proposta está em construção e deve ser discutida no dia 15 de abril na reunião da diretoria colegiada da Anvisa.

Monitoramento e fiscalização

  1. Intensificação de ações de fiscalização, especialmente de inspeções em importadoras, farmácias de manipulação e clínicas;
  2. Busca ativa de eventos adversos relacionados a medicamentos manipulados, com foco em serviços de emergência, hospitais e clínicas médicas;
  3. Aperfeiçoamento do controle sanitário sobre a importação de IFAs utilizados na produção e manipulação de agonistas do receptor GLP-1;
  4. Ampliar as medidas preventivas, para reprimir a entrada de produtos irregulares no território nacional..

A Anvisa possui o sistema VigiMed para que profissionais de saúde e cidadãos notifiquem sobre efeitos adversos de produtos.

Articulação institucional, federativa e internacional

  1. Criação de grupo de trabalho e celebração de acordo de cooperação com entidades médicas;
  2. Treinamento com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS);
  3. Cooperação com agências reguladoras internacionais.

Aprimoramento regulatório para análise de petições de registro de agonistas de GLP-1

  1. Priorização da análise dos cumprimentos de exigências das petições de registro;
  2. Harmonização do uso de guias técnicos de agências reguladoras de referência (ex: EMA e FDA).

Segundo a própria Anvisa, atualmente existem 17 pedidos de registro de canetas emagrecedoras na agência. Esses pedidos estão em andamento e serão priorizados para ampliar a oferta de produtos registrados. 

Comunicação com a sociedade

  1. Elaboração de plano de comunicação em linguagem simples;
  2. Orientação sobre riscos do uso indiscriminado;
  3. Informação sobre produtos irregulares;
  4. Esclarecimento sobre limites da manipulação magistral;
  5. Campanhas direcionadas a pacientes e profissionais.

Governança

  1. Criação de grupo de trabalho na Anvisa para monitoramento e avaliação do Plano de Ação.

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Autor

  • Jornalista e linguista. Especialista em acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão.