Entenda tudo sobre Estática Fetal e Mecanismo de Parto

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Para que o parto ocorra, o feto precisa atravessar a bacia obstétrica (pelve menor). Dividimos o estudo em: Trajeto (a bacia materna) e Objeto (o feto e seu posicionamento).

A Bacia Obstétrica

A pelve é dividida em três estreitos (níveis) principais que o feto deve vencer.

Representação dos diâmetros vistos em visão sagital da bacia. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 
Representação da visão superior da bacia obstétrica. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Estreito Superior (A Entrada)

Vai do promontório à borda superior da sínfise púbica. O diâmetro mais importante aqui é o Anteroposterior.

  • Conjugata Vera Anatômica (~11 cm): Do promontório à borda superior da sínfise púbica.
  • Conjugata Vera Obstétrica (~10,5 cm): Do promontório à face interna (média) da sínfise. É o real espaço que o bebê tem para passar.
  • Conjugata Diagonalis (~12 cm): Do promontório à borda inferior da sínfise. É o único diâmetro que conseguimos medir no toque vaginal.

Regra de Smellie: Para estimar a Vera Obstétrica (que não alcançamos), subtraímos 1,5 cm da Diagonalis (que medimos).

Estreito Médio (O “Aperto”)

É o plano de menor dimensão da pelve.

Diâmetros de entrada e saída. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 
  • Referência Anatômica: As Espinhas Isquiáticas.
  • Importância: Corresponde ao Plano 0 de De Lee. Se o bebê passou daqui, dizemos que está insinuado (encaixado).
  • Diâmetro Bi-isquiático: Mede cerca de 10,5 cm. Se as espinhas forem muito salientes ao toque, sugere bacia estreita.
Diâmetro bi-isquiático (diâmetro transverso do estreito médio) na linha tracejada. Mede aproximadamente 10,5 cm. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof.

Estreito Inferior (A Saída)

É delimitado pela borda inferior do púbis e o cóccix.

  • Conjugata Exitus: Mede 9,5 cm, mas pode chegar a 11-12 cm com a retropulsão do cóccix (movimento para trás) durante a passagem da cabeça fetal.
  • Diâmetro Bituberoso: Mede 11 cm e pode ser avaliado externamente.
Medição do ângulo subpúbico. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof.

Tipos de Bacia (Classificação de Caldwell-Moloy)

A forma da bacia influencia o prognóstico do parto:

  1. Ginecoide: Arredondada. A mais favorável (50% das mulheres).
  2. Antropoide: Ovalada (alongada anteroposteriormente). Segunda mais favorável.
  3. Androide: Triangular (formato de coração). Pior prognóstico para parto vaginal.
  4. Platipelóide: Achatada (ovalada transversalmente). Favorece insinuação transversa.
Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Estática Fetal: O Posicionamento do Bebê

Para descrever como o bebê está, usamos quatro conceitos: Atitude, Situação, Posição e Apresentação.

Atitude e Situação

  • Atitude: É a relação das partes fetais entre si (ex: fletido ou defletido).
  • Situação: Relação do maior eixo do feto com o maior eixo do útero.
    • Longitudinal: Eixos paralelos (99% dos casos).
    • Transversal: Eixos perpendiculares (Córmica).
    • Oblíqua: Transitória.
Representação das posições fetais. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Posição

É a relação do dorso fetal (costas) com o abdome materno.

  • Pode ser: Esquerda, Direita, Anterior ou Posterior.
Dorso à direita e à esquerda, respectivamente. Acervo de imagens MedCof.

Apresentação

É a parte do feto que se insinua no estreito superior.

  1. Cefálica: Cabeça para baixo (mais comum).
    • Fletida: Encosta o queixo no tórax (apresenta o occipto/lambda).
    • Defletida: Pode ser de 1º grau (Bregma), 2º grau (Fronte/Naso) ou 3º grau (Face/Mento).
  2. Pélvica: Sentado.
    • Completa: Pernas cruzadas/dobradas (feto “buda”).
    • Incompleta: Pernas estendidas para cima (modo de nádegas) ou pés.
  3. Córmica: Transversa (apresenta o ombro/acrômio).

Variedade de Posição (O Código de 3 Letras)

Para descrever a posição exata da cabeça na bacia, usamos três letras:

  1. Ponto de Referência Fetal:
    • O (Occipício) = Cefálica Fletida.
    • B (Bregma) = Defletida 1º grau.
    • N (Naso/Nariz) = Defletida 2º grau.
    • M (Mento/Queixo) = Defletida 3º grau.
    • S (Sacro) = Pélvica.
  2. Lado Materno: D (Direita) ou E (Esquerda).
  3. Orientação na Bacia: A (Anterior/Púbis), P (Posterior/Sacro) ou T (Transversal).
Apresentação completa e mais favorável para o parto. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof. 

Exemplo: OEA = Occipito-Esquerda-Anterior (a nuca do bebê está voltada para a esquerda e para frente da mãe). É uma das posições mais comuns.

Assinclitismo: Quando a cabeça entra inclinada lateralmente.

  • Anterior (Naegele): Cabeça inclinada para o sacro (expõe o parietal anterior).
  • Posterior (Litzmann): Cabeça inclinada para o púbis (expõe o parietal posterior).
Representação de OTE: será necessário rodar 90º no sentido anti horário, com o objetivo de atingir a posição occipito púbica. Acervo de aulas do Grupo MedCof.

Diagnóstico: As Manobras de Leopold-Zweifel

Realizadas em 4 tempos para determinar a estática fetal pela palpação abdominal:

  1. Primeiro Tempo (Fundo Uterino): Define a Situação. (O que está no fundo? Cabeça ou nádegas?).
  2. Segundo Tempo (Laterais): Define a posição. (Onde está o dorso? Direita ou Esquerda?).
  3. Terceiro Tempo (Suprapúbico): Define a apresentação. (O que está encaixando? É móvel?).
  4. Quarto Tempo (Entrada Pélvica): Avalia a Insinuação e flexão. (Única etapa em que o médico fica de costas para a paciente, olhando para os pés dela).
Manobras de Leopold. Fonte: Acervo de aulas do Grupo MedCof.

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