
Baseado no IDB-Ripsa, esse guia definitivo sobre indicadores de saúde foi desenvolvido para candidatos à residência médica e estudantes de medicina no geral, enfatizando a importância do conhecimento desses tópicos para a aprovação e prática médica.
O que são indicadores de saúde?
Em termos gerais, os indicadores são medidas-síntese que contém informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Visto em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde.
Essa medida busca conservar o estado de saúde da população, tornando esse processo com uma atividade central para garantir a compreensão de como, quando e onde atuar para o favorecimento da qualidade de vida de cada cidadão.
A construção de um indicador é um processo cuja complexidade pode variar desde simples contagem direta de casos de determinada doença, até o cálculo de proporções, razões, taxas ou índices mais sofisticados, como a esperança de vida ao nascer.
A qualidade de um indicador depende das propriedades dos componentes utilizados em sua formulação (frequência de casos, tamanho da população em risco) e da precisão dos sistemas de informação empregados (registros, coleta, transmissão de dados).
O grau de excelência de um indicador deve ser definido por sua validade (capacidade de medir o que se pretende) e confiabilidade (reproduzindo os mesmos resultados quando aplicado em condições similares). Para assegurar a confiança dos usuários na informação produzida é preciso monitorar a qualidade dos indicadores, revisar periodicamente a consistência da série histórica de dados, e disseminar a informação com oportunidade e regularidade.
A estratégia de cooperação centrou-se na criação da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa), concebida por um grupo de trabalho ad hoc. O primeiro produto finalístico da Ripsa é a publicação regular de Indicadores e Dados Básicos (IDB), por isso a importância dos estudantes de residência e médicos especialistas de se manterem atualizados aos documentos expostos por essa rede.
Classificação dos indicadores de saúde: matriz IDB
Os Indicadores e Dados Básicos para a Saúde (IDB) é um documento criado em 2002 o qual consta um abrangente conjunto de de indicadores desenvolvidos a partir de dados coletados em território nacional, envolvendo aspectos e áreas que envolvam a saúde integralmente.
Sua função, segundo a matriz oficial estabelecida no IDB e na Ripsa, é abranger e acompanhar informações sobre diversos aspectos do estado de saúde nacional, para que dessa forma sejam identificados problemas, resoluções e análises necessárias para a melhoria do sistema de saúde nacional.
Para que esse trabalho seja efetivo e abrangente, são determinadas 7 categorias de análise, facilitando a separação e organização dos dados para essa interpretação. Os indicadores são:
Confira abaixo os tópicos referentes a cada uma das categorias no IDB.
Indicadores demográficos
Essa classificação corresponde ao acompanhamento dos dados populacionais, sendo aplicado diretamente conceitos o “número total de pessoas residentes e sua estrutura relativa, em determinado espaço geográfico, no ano considerado”, segundo o documento oficial.
Esses aspectos ajudam no reconhecimento das dimensões da população-alvo dos serviços e ações de saúde prestados pelo estado, contribuindo para o planejamento, validação e avaliações objetivas de políticas públicas direcionadas à saúde. Veja abaixo quais são os indicadores:
- População total (importante para reconhecer qual o tamanho da equipe de saúde que deve cuidar da área);
- Razão dos sexos (pois cada um requer diferentes cuidados);
- Taxa de crescimento da população (elucida qual a idade predominante da população);
- Grau de urbanização (revela condições de moradia e deslocamento da população);
- Proporção de menores de anos de idade da população;
- Proporção de idosos;
- Índice de envelhecimento;
- Razão de dependência;
- Taxa de fecundidade total;
- Taxa específica de fecundidade;
- Taxa bruta de natalidade;
- Mortalidade proporcional por idade;
- Mortalidade proporcional por idade em menores de 1 ano de idade;
- Taxa bruta de mortalidade;
- Esperança de vida ao nascer;
- Esperança de vida aos 60 anos de idade.
Indicadores de mortalidade
Considera o número de óbitos registrados no ano correspondente ao índice, colaborando para a compreensão das principais causas acerca das mortes. Por meio de classificações específicas, esses indicadores possibilitam a avaliação de aspectos que atingem diretamente a saúde no geral. Dessa forma, são direcionadas medidas na tentativa de contenção de qualquer problema possível.
Se destacam as como indicadores:
- Taxa de mortalidade infantil;
- Neonatal precoce;
- Neonatal tardia;
- Pós-neonatal;
- Perinatal;
- Em menos de anos;
- Razão de mortalidade materna;
- Mortalidade proporcional por grupos de causa;
- Mortalidade proporcional por causas mal definidas;
- Mortalidade proporcional por doença diarreica aguda em menores de 5 anos de idade;
- Mortalidade proporcional específica por doença do aparelho circulatório;
- Mortalidade proporcional por causas externas;
- Mortalidade proporcional por neoplasias malignas;
- Mortalidade proporcional por acidentes de trabalho;
- Mortalidade proporcional por diabete mellitus;
- Mortalidade proporcional por AIDS;
- Mortalidade proporcional por afecções originadas no período perinatal;
- Mortalidade proporcional por doenças transmissíveis.
Indicadores de morbidade e estado de saúde
Categoria que avalia e mede casos de doenças, quantificando incidências e analisando as causas e fatores para o desenvolvimento. Por meio do coeficiente de morbidade geral, é possível identificar e estudar a população afetada. Confira abaixo quais são os índices:
- Incidência de sarampo;
- Incidência de difteria;
- Incidência de coqueluche;
- Incidência de tétano neonatal;
- Incidência de tétano (exceto o neonatal);
- Incidência de febre amarela;
- Incidência de raiva humana;
- Incidência de hepatite B;
- Incidência de hepatite C;
- Incidência de cólera;
- Incidência de febre hemorrágica da dengue;
- Incidência de sífilis congênita;
- Incidência de rubéola;
- Incidência de síndrome da rubéola congênita;
- Incidência de doença meningocócica;
- Taxa de incidência de aids;
- Taxa de incidência de tuberculose;
- Taxa de incidência de dengue;
- Taxa de incidência de leishmaniose tegumentar americana;
- Taxa de incidência de leishmaniose visceral;
- Taxa de detecção de hanseníase;
- Índice parasitário anual (IPA) de malária;
- Taxa de incidência de neoplasias malignas;
- Taxa de incidência de doenças relacionadas ao trabalho;
- Taxa de incidência de acidentes do trabalho típicos;
- Taxa de incidência de acidentes do trabalho de trajeto;
- Taxa de prevalência de hanseníase;
- Taxa de prevalência de diabete melito;
- Índice CPO-D;
- Proporção de crianças de 5 – 6 anos de idade com índice ceo-d = 0;
- Proporção de internações hospitalares (SUS) por grupos de causas;
- Proporção de internações hospitalares (SUS) por causas externas;
- Proporção de internações hospitalares (SUS) por afecções originadas no período perinatal;
- Taxa de prevalência de pacientes em diálise (SUS);
- Proporção de nascidos vivos por idade materna;
- Proporção de nascidos vivos de baixo peso ao nascer;
- Taxa de prevalência de déficit ponderal para a idade em crianças menores de cinco anos de idade;
- Taxa de prevalência de aleitamento materno;
- Taxa de prevalência de aleitamento materno exclusivo;
- Taxa de prevalência de fumantes regulares de cigarros;
- Taxa de prevalência de excesso de peso;
- Taxa de prevalência de consumo excessivo de álcool;
- Taxa de prevalência de atividade física insuficiente;
- Taxa de prevalência de hipertensão arterial.
Indicadores socioeconômicos em saúde
Possui como principal direcionamento o estudo e análise socioeconômicas de uma população e como isso reflete na qualidade de vida e saúde do indivíduo como um todo, coletando dados referentes à desigualdade, educação, condição financeira, empregabilidade e mais. Veja quais são as medidas:
- Taxa de trabalho infantil;
- Taxa de analfabetismo;
- Níveis de escolaridade;
- Produto Interno Bruto (PIB) per capita;
- Razão de renda;
- Proporção de pobres;
- Taxa de desemprego.
Indicadores de recursos e cobertura
Indicam quais recursos atribuídos uma certa população possui cobertura e quais meios são utilizados para que haja a garantia da saúde desse público. São medidos então número de hospitais, de leitos, de profissionais por habitantes e mais.
- Número de profissionais de saúde por habitante;
- Número de leitos hospitalares por habitante;
- Número de leitos hospitalares (SUS) por habitante;
- Gasto público com saúde como proporção do PIB;
- Gasto público com saúde per capita;
- Gasto federal com saúde como proporção do PIB;
- Gasto federal com saúde como proporção do gasto federal total;
- Despesa familiar com saúde como proporção da renda familiar;
- Gasto médio (SUS) por atendimento ambulatorial;
- Valor médio pago por internação hospitalar no SUS (AIH);
- Gasto público com saneamento como proporção do PIB;
- Gasto federal com saneamento como proporção do PIB;
- Gasto federal com saneamento como proporção do gasto federal total;
- Número de concluintes de cursos de graduação em saúde;
- Distribuição dos postos de trabalho de nível superior em estabelecimentos de saúde;
- Número de enfermeiros por leito hospitalar;
- Anexo I – Conceito de gasto público com saúde;
- Anexo II – Conceito de gasto federal com saúde;
- Anexo III – Conceito de gasto público com saneamento;
- Anexo IV – Conceito de gasto federal com saneamento;
- Número de consultas médicas (SUS) por habitante;
- Número de procedimentos diagnósticos por consulta médica (SUS);
- Número de internações hospitalares (SUS) por habitante;
- Proporção de internações hospitalares (SUS) por especialidade;
- Cobertura de consultas de pré-natal;
- Proporção de partos hospitalares;
- Proporção de partos cesáreos;
- Razão entre nascidos vivos informados e estimados;
- Razão entre óbitos informados e estimados;
- Cobertura vacinal;
- Proporção da população feminina em uso de métodos anticonceptivos;
- Cobertura de planos de saúde;
- Cobertura de planos privados de saúde;
- Cobertura de redes de abastecimento de água;
- Cobertura de esgotamento sanitário;
- Cobertura de coleta de lixo;
- Anexo I – Procedimentos considerados como consulta médica;
- Anexo II – Procedimentos complementares SUS;
- Anexo III – População-alvo para o cálculo da cobertura vacinal.
Como os indicadores de saúde são utilizados na prática
Como já mencionado, esses índices colaboram para o planejamento, estudo, análise e implementação de políticas públicas voltadas à saúde de uma população, favorecendo a criação de estratégias para melhorias no atendimento, recursos, pesquisas e na qualidade de vida dos indivíduos.
Um grande exemplo que vale ser ressaltado é o em relação a queda na taxa de mortalidade infantil no Brasil ao longo dos anos. Esse mérito é atribuído a diversos fatores que, por vezes, surgiram de políticas desenvolvidas com esses indicadores, evidenciando assim a importância desses dados e segmentos.

Fontes de dados para indicadores de saúde no Brasil
Para que todo esse trabalho seja desenvolvido da melhor maneira, a Organização Pan-Americana de Saúde, juntamente ao Ministério da Saúde, realizam sua captação de dados por meio de portais centrais que apresentam informações que se relacionam diretamente com o estado de saúde de uma determinada população. Dessa maneira, a relevância desse serviço se torna ainda mais presente.
Confira abaixa quais as principais fontes de dados para o IDB:
IBGE: sendo o principal órgão para a coleta, análise e divulgação de dados no país, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística contribui diretamente para a formulação de políticas públicas, tomadas de decisões governamentais e abrangência de informações no país.
DataSUS: O Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS) é responsável por gerenciar os sistemas de informação que abrangem todo o SUS, provendo assim dados sobre saúde para haja o planejamento, organização, centralização e ação de políticas nessa categoria.
SIM: O Sistema de Informação sobre Mortalidade é uma ferramenta desenvolvida pelo Ministério da Saúde para a coleta e acompanhamento sobre mortalidade no país. Por meio do SIM é possível construir indicadores sobre a causa mortis no Brasil e identificar os agentes dos casos.
SINASC: Sigla para Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos faz o acompanhamento de dados dos nascidos vivos em todo o território nacional, apresentando informações sobre natalidade, controle dos conteúdos sobre recém- nascidos e análise demográfica por meio disso.
SINAN: Sistema de Informação de Agravos de Notificação apresenta dados relacionados à investigação de casos de doenças e agravos presentes na lista nacional de doenças compulsórias, contribuindo para a análise epidemiológica e notificação.
Indicadores de saúde nas provas de residência médica
Muito além da prática médica, a importância do conhecimento dos indicadores de saúde se estende às provas de residência, as quais adicionam como conteúdos importantes temas relacionados ao IDB. Veja abaixo alguns temas que se tornam referências para essas avaliações:
- Taxa de mortalidade infantil (TMI);
- Transição demográfica;
- Cobertura vacinal;
- Determinantes sociais;
- Índice de envelhecimento;
- Razão de sexos;
- Razão de mortalidade materna;
- Incidência de sarampo;
- Pirâmide etária.
Transição demográfica e epidemiológica no Brasil
Atualmente no país, são percebidos processos de mudanças em todo o contexto populacional.
Um deles pode ser denominado como Transição Demográfica, que corresponde à mudança nas taxas de natalidade e mortalidade de uma população que, aplicada no cenário brasileiro, se mostra um declínio progressivo na quantidade de menores de cinco anos de idade, evidenciando uma redução na fecundidade, enquanto a proporção de pessoas com 60 anos ou mais se mostra crescente, segundo o documento oficial de Indicadores Básicos para a Saúde no Brasil.
A Transição Epidemiológica complementa essas mudanças, referindo assim às alterações nos padrões de doenças de um país, a qual, teoricamente, é dominado por doenças infecciosas e passa a ser, majoritariamente, doenças crônicas, isso por conta da ampliação de pesquisas, atendimentos, tratamentos e cura dessas enfermidades.
Qualidade e confiabilidade dos indicadores
Segundo o documento oficial do IDB, são estabelecidos critérios primários para que sejam considerados tais indicadores. Quesitos como Validade, Confiabilidade, Sensibilidade e Especificidade são primordiais para a consideração. Veja abaixo a explicação de cada um:
- Validade: capacidade que este indicador tem de medir o que está sendo analisado.
- Confiabilidade: apresentação de resultados similares nas mesmas condições estudadas, abrangendo o objeto de análise como um todo e perante a realidade.
- Sensibilidade: percepção e capacidade de identificar os casos a serem analisados, diferenciando àquilo que deve ou não ser estudado.
- Especificidade: capacidade de detectar somente o que precisa para o fornecimento de dados de um fenômeno específico.
Dominando indicadores de saúde para a residência com a MedCof
Com conteúdo dos materiais do Grupo MedCof você garante um conhecimento profundo sobre os Indicadores de Saúde e também aborda os das provas de residência médica de todo o país. Além disso, você também é exposto a conteúdos específicos de políticas de saúde. Venha fazer parte disso!

