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Resolução do CFM traz novas diretrizes para o tratamento focal do câncer de próstata

Texto normatiza a aplicação do HIFU e da crioablação, estabelecendo critérios rigorosos de indicação e a obrigatoriedade do acompanhamento pós-procedimento

Resolução do CFM traz novas diretrizes para o tratamento focal do câncer de próstata

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, nesta quarta-feira (27), a Resolução CFM N°2.457/2026, que viabiliza mais duas opções de tratamento para câncer de próstata, o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação.

O texto, publicado no Diário Oficial da União (DOU), regulamenta a indicação e execução dos procedimentos no Brasil. Os dois tratamentos permitem a destruição (ablação) local de áreas afetadas pela neoplasia, poupando os tecidos adjacentes e com menos efeitos colaterais. 

De acordo com a resolução, as terapias focais para câncer de próstata não são consideradas tratamentos primários padrão ouro. Entretanto, podem beneficiar casos com sintomas menos agressivos, como tumores de risco intermediários favoráveis ou de baixo risco, e pacientes que já passaram pela radioterapia. 

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Como funcionam os tratamentos?

Os dois tratamentos têm objetivos semelhantes: destruir a região onde o tumor está alocado. O HIFU (Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade) é um tratamento minimamente invasivo que utiliza ondas ultrassônicas para destruir células do tumor através do calor. Enquanto isso, a crioablação, ou crioterapia, destrói as células tumorais através do congelamento. Agulhas são posicionadas na próstata para congelar o tecido tumoral a temperaturas baixas, causando a morte das células.  

Anteriormente, as terapias usadas em pessoas diagnosticadas com câncer de próstata precisavam passar por um dos dois procedimentos mais comuns: a retirada completa da próstata ou a radioterapia em toda a glândula. 

Os dois são eficazes, porém, podem deixar sequelas no paciente: a retirada da próstata provoca incontinência urinária, disfunção erétil e anejaculação (ausência de ejaculação). Com o uso da crioablação e do HIFU, o indivíduo tem menos chances de desenvolver complicações. 

Contraindicações dos tratamentos 

A Resolução CFM nº 2.457/26 determina que os médicos só devem indicar as terapias focais para pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável, unifocal e unilateral. A norma proíbe terminantemente a realização dos procedimentos em pessoas com risco intermediário desfavorável, alto e muito alto.

Sendo assim, os médicos só podem indicar as terapias focais como alternativas terapêuticas para pacientes com diagnóstico de câncer de próstata de baixo risco, que a classificação da Sociedade Internacional de Patologia Urológica caracteriza como lesões ISUP1, nas seguintes situações:

  • quando apresentarem lesões de grande volume; ou
  • quando os pacientes não forem aderentes a vigilância ativa.

Cabe ao médico esclarecer a necessidade do procedimento e aplicar um termo de consentimento livre e esclarecido. Isso inclui os critérios de indicação, execução e  seguimento  do  procedimento, na possibilidade de novo tratamento futuro, com mudanças no prognóstico funcional e oncológico.

Obrigatoriedade do acompanhamento

Mesmo depois de passar pela terapia focal, o paciente deve continuar com o acompanhamento médico. A resolução estabelece que o indivíduo deve realizar dosagem de PSA a cada três meses durante um ano, a cada seis meses por dois anos, e, depois, anualmente. 

Outras obrigações do paciente são:

  • Todos  os  pacientes  devem  realizar  biópsia  prostática  randômica  e  sistemática,  incluindo-se eventuais  áreas  suspeitas,  entre seis e doze meses  após  o  tratamento,  para  comprovação  da  eficácia imediata;
  • Recomenda-se a realização de nova biópsia diante de suspeitas clínicas, como elevação dos níveis de PSA, alterações no exame digital retal, achados suspeitos à ressonância multiparamétrica ou ao PET-PSMA;
  • Todos  os  pacientes  devem  realizar  ressonância  magnética  multiparamétrica  da  próstata anualmente, podendo ser complementada com PET-PSMA. 

Sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais incidente em homens no Brasil, com 65.840 novos casos registrados em 2020, segundo dados do INCA. É uma neoplasia de evolução lenta, e estima-se que cerca de 1 em cada 8 homens será diagnosticado com a doença em algum momento da vida. 

A mortalidade, embora significativa, é a segunda mais alta entre os cânceres em homens, destacando a importância do diagnóstico precoce e manejo adequado. Para mais informações, leia o texto: Câncer de próstata: importância do exame rastreio dos mais prevalentes”.

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Autor

  • Jornalista e linguista. Especialista em acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão.

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