
Uma denúncia feita por médicos residentes do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, trouxe novamente à discussão um tema recorrente na formação médica brasileira: a carga horária dos programas de residência.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, residentes de diferentes especialidades relataram jornadas que poderiam ultrapassar o limite de 60 horas semanais estabelecido pela legislação da residência médica. Os relatos foram encaminhados à Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), responsável pela regulamentação e supervisão dos programas no país.
De acordo com a denúncia, alguns residentes afirmam cumprir jornadas que chegam a até 90 horas por semana, considerando plantões, atividades assistenciais e demais demandas do treinamento em serviço.
O que diz a legislação
A residência médica é regulamentada pela Lei nº 6.932/1981 e caracteriza-se como modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, desenvolvida sob supervisão de profissionais qualificados.
A legislação estabelece que os programas devem ter carga horária máxima de 60 horas semanais, incluindo atividades práticas, teóricas e plantões.
O objetivo da regulamentação é garantir que o treinamento ocorra em ambiente adequado para o aprendizado, preservando a qualidade da assistência prestada e as condições necessárias para a formação dos residentes.
Apuração será conduzida pela CNRM
As denúncias foram encaminhadas à Comissão Nacional de Residência Médica, órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável pela acreditação e fiscalização dos programas.
A comissão poderá avaliar a documentação apresentada pelos residentes e solicitar esclarecimentos à instituição para verificar se houve descumprimento das normas vigentes.
Um debate frequente na residência médica
A discussão sobre carga horária acompanha historicamente a residência médica, considerada a principal etapa de formação especializada dos médicos brasileiros.
Por se tratar de treinamento em serviço, a residência exige participação ativa em atendimentos, procedimentos, enfermarias, ambulatórios e atividades acadêmicas. Ao mesmo tempo, as normas da CNRM buscam estabelecer parâmetros que conciliem a experiência prática com a qualidade do processo de ensino.
Entidades médicas e órgãos reguladores têm debatido nos últimos anos temas relacionados ao bem-estar dos residentes, à organização das escalas e à adequação das atividades formativas às exigências legais.
Próximos passos
A denúncia segue em análise pelos órgãos competentes. O resultado da apuração deverá esclarecer se houve irregularidades relacionadas à carga horária dos programas citados e se serão necessárias medidas corretivas.
Enquanto isso, o caso amplia uma discussão importante para a comunidade médica: como garantir programas de residência capazes de oferecer formação de excelência, respeitando simultaneamente os parâmetros estabelecidos para o treinamento especializado.

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