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SUS incorpora nova combinação de medicamentos para tratar leishmaniose visceral 

Estratégia une anfotericina B lipossomal e miltefosina para aumentar a eficácia do tratamento e reduzir recaídas em pacientes imunocomprometidos

SUS incorpora nova combinação de medicamentos para tratar leishmaniose visceral
Imagem de Canva

Nesta quinta-feira (02), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) publicou a decisão do Ministério da Saúde de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova combinação de medicamentos para o tratamento de leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos.

A decisão prevê o uso associado de anfotericina B lipossomal e miltefosina. A anfotericina B lipossomal é um antifúngico injetável de amplo espectro indicado para infecções fúngicas sistêmicas graves e leishmaniose. Já a miltefosina é um medicamento antiparasitário de uso oral para tratar a doença em suas formas cutâneas, mucocutânea e visceral. 

O tratamento padrão da leishmaniose visceral depende da ação conjunta dos medicamentos contra o parasita e a resposta do organismo para controlar a infecção. Porém, pacientes imunocomprometidos tem baixa imunidade e correm maior risco de persistência do parasita.

Além disso, os quadros de leishmaniose visceral em pessoas imunocomprometidas estão comumente associados a resposta insuficiente ao tratamento e recaídas da doença após a melhora inicial.

A estratégia busca combinar a capacidade da anfotericina B lipossomal de danificar a estrutura do parasita, enquanto a miltefosina interfere em processos essenciais para sobrevivência dele.

Quais os próximos passos do SUS?

Após a publicação da portaria, o Ministério da Saúde precisa organizar protocolos, distribuição e acesso ao tratamento dentro do prazo previsto — até 180 dias para efetivar a oferta na rede pública. 

O que é leishmaniose visceral?

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave e potencialmente fatal, transmitida pela picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário Leishmania. Existem dois tipos principais de leishmaniose: a tegumentar (causa úlceras na pele e mucosas) e a visceral (forma grave que afeta órgãos internos).

Caso a doença não seja tratada em tempo hábil pode ser letal em 90% dos casos. Os sintomas mais comuns são: febre de longa duração, aumento do volume do abdômen, inchaço do fígado e baço, emagrecimento e perda de peso progressiva, fraqueza, palidez cutânea e anemia. 

O tratamento pode ser acessado gratuitamente pelo SUS e o teste rápido é feito com uma gota de sangue que indica o resultado em poucos minutos. A prevenção deve ser feita com medidas ambientais e cuidados com animais, como:

  • Limpeza de quintais e eliminação de acúmulos de matéria orgânica em decomposição (como folhas e restos de alimentos), onde o mosquito costuma depositar seus ovos;
  • Uso de coleiras repelentes em cães para protegê-los da picada;
  • Uso de telas em portas e janelas e aplicação de repelentes corporais. 

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Autor

  • Jornalista pela UNESP. Linguista pela USP. Jornalista da área da saúde e meio ambiente, faço cobertura de atualizações médicas e concursos públicos. Especialista em braille e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão.

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