Diferenças na bacia, no formato dos pés e a alta incidência de lesões ligamentares impulsionam o desenvolvimento de modelos exclusivos para a categoria

Você sabia que jogadoras de futebol usam uma chuteira diferente dos jogadores? Para conhecer melhor as diferenças, precisamos entender as necessidades específicas dessas atletas.
A chuteira feminina tem um formato diferente, principalmente, graças a anatomia do pé feminino. Mulheres costumam ter o calcanhar mais fino, o arco do pé mais alto e o tamanho geral do pé menor. Além disso, a relação entre comprimento e largura na região dos dedos também difere da anatomia masculina.
Além disso, algumas diferenças relacionadas ao corpo feminino também impactam diretamente a performance das chuteiras: como a bacia mais larga, que altera a pisada e os pontos de pressão nos pés.

Risco de lesões
O rompimento do LCA é uma lesão comum entre atletas do futebol e oito vezes mais comum nas mulheres que nos homens, isso já foi pergunta de prova. Esse fenômeno ocorre em decorrência da anatomia óssea feminina:
- O ligamento cruzado anterior tende a ser mais fino e ter menor espaço ósseo para se mover em mulheres;
- A bacia feminina é mais larga e altera o alinhamento dos membro inferiores, aumentando a angulação do joelho e gerando mais estresse no LCA;
- Mulheres costumam ter menos massa muscular ao redor do joelho e um tempo de resposta muscular mais lento. Quando a atleta faz um movimento de salto ou mudança brusca de direção, isso causa o chamado valgo dinâmico (quando o joelho gira para dentro), posição de altíssimo risco para a articulação;
- O estrogênio, hormônio feminino, afeta a elasticidade e a resistência do ligamento.
Adicionalmente, o tratamento dessa lesão envolve a reconstrução dos ligamentos do joelho. O procedimento funciona da seguinte forma: o cirurgião retira tecidos do corpo da paciente — os tendões grácil e semitendíneo — e os utiliza como autoenxertos.
O problema é que pacientes do sexo feminino apresentam autoenxertos de menor diâmetro do que os do sexo masculino, o que predispõem a um risco maior de ruptura recorrente após a reconstrução do LCA e de lesões condrais e meniscais.
Ai que entra a chuteira adaptada…
A chuteira feminina proposta é adaptada levando em consideração todas essas diferenças anatômicas e a predisposição dessas atletas de terem quadros mais graves de lesões no LCA segundo a fabricante (primeira empresa que começou com essa premissa foi a Adidas em 2025).
As principais peculiaridades das chuteiras femininas são:
- Desenhadas para se ajustarem melhor aos pés das atletas, que são mais estreitos;
- Mais leves, para gerar conforto e agilidade;
- O ponto de flexão, onde a sola dobra durante a corrida ou um chute, é alinhado a estrutura óssea do pé feminino, o que aumenta a firmeza e reduz o risco de lesões;
- O calcanhar é mais baixo, o que contribui para que o calçado fique firme no pé do atleta;
- Maior volume na área do meio dos pés e arcos mais altos, para garantir fixação no solo.
Nos últimos anos, diversas empresas de moda esportiva desenvolveram modelos específicos de chuteiras femininas para melhorar o aproveitamento das atletas em jogo. Esses calçados também visam reduzir o risco de lesões, que costumam afastar as profissionais dos campos por muito tempo.
O método que te aprova!
Lesões do LCA em atletas femininas são um tema recorrente nas provas de residência médica — e dominar a fisiopatologia por trás delas faz diferença na hora da prova. Se você quer garantir a sua aprovação com quem entende do assunto, conheça a MedCof e a metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes pelo país. Acesse também o nosso canal do YouTube para mais conteúdos como esse.
