Síndrome Cornélia de Lange: o que é, epidemiologia e diagnóstico

Saiba mais sobre a Síndrome de Cornélia de Lange e esteja preparado para as provas de residência médica.

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A Síndrome Cornélia de Lange (SCDL) é uma desordem genética rara que resulta de múltiplas anomalias congênitas, causando múltiplas malformações (atraso no crescimento psicomotor, alterações cardíacas, gastrointestinais, musculoesquelética e fácies típicas).

Epidemiologia e causas

A Síndrome Cornélia de Lange é causada pela mutação de genes que estruturam e/ou regulam o complexo da coesina, alterando, assim, a coesão cromatídica, o reparo do DNA e a expressão gênica.

Cerca de 99% dos casos tem ocorrência esporádica e poucos foram associados a um padrão de transmissão autossômico dominante. Estima-se a prevalência entre 1 a cada 10 a 30.000 nascidos vivos. Essa prevalência é incerta devido à heterogeneidade do fenótipo, dificultando o diagnóstico.

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Alterações gestacionais

Em alguns casos, pode-se identificar restrição do crescimento intrauterino, hérnia diafragmática, hipoplasia de antebraços, mãos subdesenvolvidas e dismorfismo facial típico.

Alterações clínicas

As principais alterações clínicas incluem dismorfismos faciais, alterações em membros superiores e retardo no crescimento, inclusive podendo causar restrição de crescimento intrauterino.

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(Fonte: SOUZA et al, 2020)

A demora no crescimento é identificada através de baixo peso, estatura e perímetro cefálico adequados para a idade. Já o atraso no desenvolvimento é considerado moderado nos primeiros marcos do desenvolvimento, associado a atraso importante na fala e retardo mental leve a moderado.

Dentre as alterações comportamentais, podemos identificar hiperatividade, tendência a auto-injúria, agressividade e distúrbios do sono.

Além disso, alguns pacientes podem apresentar crises convulsivas.

Critérios diagnósticos e sintomas

Diagnóstico confirmado na presença de, pelo menos, um fator:

  • Mutação positiva no teste genético (genes NIPBL e SMC1A).
  • Dismorfismo facial + ≥ 3 critérios de outra categoria, sendo 1de crescimento, desenvolvimento ou comportamento e 2 de outros critérios.
  • Dismorfismo facial + ≥ 2 critérios das categorias de crescimento, desenvolvimento ou comportamento.

Dismorfismo facial

Sobrancelhas confluentes + ≥ 3:

  • Cílios longos.
  • Nariz curto com narinas antevertidas.
  • Filtro nasal longo e proeminente.
  • Ponte nasal ampla ou deprimida.
  • Bochechas quadradas ou pequenas.
  • Palato alto.
  • Dentes ausentes ou amplamente espaçados.

Crescimento – ≥ 2:

  • Peso abaixo do 5º percentil para idade.
  • Altura ou comprimento abaixo do 5º percentil para idade.
  • Perímetro cefálico abaixo do 5º percentil para idade.

Desenvolvimento- ≥ 1:

  • Atraso no desenvolvimento ou retardo mental.
  • Deficiências de aprendizado.
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Comportamento – ≥ 2:

  • TDAH.
  • Características obssessivo-compulsivas.
  • Ansiedade.
  • Deambulação constante.
  • Agressividade.
  • Lesões de autoinjúria.
  • Timidez excessiva.
  • Características semelhantes ao autismo.

Características Musculoeseléticas

Defeitos de redução com antebraços ausentes ou mãos e pés pequenos ou oligodactilia e ≥1 dos seguintes ou nenhum desses com ≥3 dos seguintes:

  • Clinodactilia do 5º quirodáctilo.
  • Praga palmar anormal.
  • Deslocamento da cabeça do rádio.
  • Extensão anormal do cotovelo.
  • 1º metacarpo encurtado.
  • Polegar implantado proximalmente.
  • Hálux vaalgo.
  • Escoliose.
  • Pectus excavatum.
  • Luxação ou displasia de quadril.

Características Neurológicas/Cutâneas – ≥3:

  • Ptose.
  • Malformação do ducto lacrimal ou blefarite.
  • Miopia.
  • Malformação ocular ou pigmentação peripapilar.
  • Surdez ou perda auditiva.
  • Convulsões.
  • Cutis marmorata.
  • Hirsutismo generalizado.
  • Mamilos pequenos e/ou umbilicus.

Outras malformações – ≥3:

  • Malformação ou má rotação do TGI.
  • Hérnia diafragmática.
  • DRGE.
  • Fenda palatina ou fenda palatina submucosa.
  • Cardiopatia congênita.
  • Micropênis.
  • Hipospádias.
  • Criptorquidia.
  • Malformação do trato urinário ou renal.

Acompanhamento da Síndrome Cornélia de Lange

O acompanhamento deve ser realizado ambulatorialmente com equipe multiprofissional. Esses pacientes podem necessitar de internação hospitalar devido à dificuldade alimentar, em especial no começo da vida, e para manejo das cardiopatias congênitas.

Aconselhamento genético

Deve ser oferecido para todas as famílias de crianças com diagnóstico de Síndrome Cornélia de Lange. É importante esse aconselhamento, pois, apesar da maioria dos casos serem esporádicos, a transmissão familiar ocorre ocasionalmente com um padrão autossómico dominante. 

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Autor

  • Júlia Moreira

    Estudante do 8º semestre de Jornalismo na ECA-USP, fã de filmes de terror e música popular sul-coreana.