InícioCirurgia GeralAtualizações do Trauma: melhor manejo do paciente traumatizado 

Atualizações do Trauma: melhor manejo do paciente traumatizado 

O Trauma é uma emergência médica que requer muita atenção e cuidado, pois, caso seja feito de maneira incorreta, a vida do paciente pode ser afetada permanentemente.

Mudanças

O ATLS 11° Edição (do ano de 2025/2026) trouxe alguns detalhes novos no manejo do paciente traumatizado, apesar de a base do cuidado ter sido mantida. O primeiro ponto é avaliar as condições do paciente, então seguimos com o xABCDE.

  • x (Exsanguinação e Hemorragia) – a perda massiva de sangue deve ser sua prioridade. Controle sangramentos de saída excessiva e com fraturas expostas, optando por torniquetes em extremidades e curativos compressivos/homeostáticos nas zonas de transição (como axila e virilha) 
  • A (Vias Aéreas) – análise se o paciente possui alguma obstrução das vias aéreas e proteja a coluna cervical. Faça perguntas para o paciente para avaliar a via aérea, se preciso use manobras como Chin Lift ou Jaw Thrust) e, se necessário, de intubação orotraqueal (cuidado com a hipotensão peri-intubação em pacientes chocados!)
  • B (Respiração/Breathing e Ventilação) – faça uma rápida inspeção para avaliar expansibilidade, palpação e percussão. Veja a precisão de fazer descompressão de pneumotórax ou hemotórax
  • C (Circulação e Controle de Hemorragia) – como as hemorragias externas já foram avaliadas, foque em possíveis hemorragias internas. Promova, se necessário, a reanimação volêmica em pacientes cianóticos, com redução do nível de consciência e longo tempo de enchimento capilar. É importante lembrar que o ácido tranexâmico (TXA) deve ser administrado nas primeiras 3 horas. 
  • D (Disability/Inabilidade no Exame Neurológico) – avalie rapidamente o estado neurológico por meio da Escala de Coma de Glasgow e exame de pupilas. Esses exames permitem avaliar possíveis sinais de Acidente Vascular ou Hipertensão Intracraniana.
  • E (Exposição e Controle do Ambiente) – não tenha medo em despir o paciente e procurar por lesões ocultas, mas previna a hipotermia com mantas quentes e fluidos aquecidos. 
Fonte: Acervo Pinterest https://pin.it/tJ1LmAUhW

Classificação Temporal do Trauma 

Primeiro pico: morte imediata

Nessa classificação se enquadram as lesões dos tipos trauma cranioencefálico e raquimedular extenso, lesões de grande vasos exsanguinados. O mecanismo de acometimento do primeiro tipo se dá em atropelamentos em alta velocidade, FAB e FAF de alta energia, esmagamentos e quedas de grandes alturas. O melhor tratamento nestes casos é a prevenção primária dos acidentes. 

Segundo pico: morte precoce

A segunda modalidade é identificada por lesões que obstruem as vias aéreas, causam hematomas epidurais ou subdurais e em hemo pneumotórax hipertensivo. Esses acometimentos são causados em acidentes automobilísticos, FAB ou FAF e quedas de alturas médias. O atendimento inicial desse tipo de paciente deve ser ministrado por profissionais preparados, com estrutura de qualidade, principalmente na Golden Hour após o acidente.  

Terceiro pico: morte tardia

As lesões nessa última modalidade podem envolver outras complicações, serem afetadas por sepse ou DMOs. Elas são graves, porém, se recebem inicial adequado, as complicações esperadas são totalmente ou parcialmente evitadas. O tratamento acontece por meio de cuidados hospitalares (UTI, reabilitação, fisioterapia e antibiótico). A padronização do atendimento e das equipes (com treinamentos em grupo para os casos de emergência conforme os achados possíveis no paciente) são fundamentais para a resolução do problema.  

Ressuscitação Volêmica 

O 11° ATLS trouxe uma mudança importante na “reposição volêmica”, valendo agora uma “estratégia de ressuscitação”. Para a nova diretriz não temos mais como foco a normalização da pressão arterial, mas sim a manutenção da perfusão orgânica mínima enquanto evitamos a exacerbação do sangramento. 

Por isso, permitimos uma hipotensão nos traumas não compressíveis. O alvo pressórico agora é cerca de 90/80 mmHg para não exacerbar a hemorragia. Porém, temos uma importantíssima exceção, o Trauma Crânio Encefálico (TCE). Nele, a hipotensão é contraindicada, devendo a PAS permanecer maior que 110/100 mmHg para garantir a perfusão tecidual. 

Para manter a perfusão, o protocolo ATLS orienta o uso de cristalóide (Ringer Lactato ou Soro Fisiológico) no limite de 1 litro máximo. Se com esse volume não houver resposta do paciente, iniciamos imediatamente sangue total ou a proporção 1:1:1 (Plasma, Plaquetas e Hemácias). 

Além da famosa “Tríade da Morte”, acidose, coagulopatia e hipotermia, a 11° edição traz como índice de alerta a hipocalcemia. Se o paciente apresentar sinais de hipocalcemia, a conduta correta é reposição precoce de Gluconato ou Cloreto de Cálcio durante protocolos de transfusão maciça. 

Imobilização do Paciente 

Na nova diretriz, a imobilização caiu em completo desuso. Deixar a coluna completamente imóvel com o colar e a prancha não é viável e pode, inclusive, causar mais danos ao paciente.

A prancha agora é considerada um dispositivo de transporte, não de permanência. Ela deve ser retirada assim que o paciente chegar ao leito hospitalar, pois o uso prolongado está associado a dor intensa, comprometimento respiratório e aumento do risco de úlceras

O colar deve ser devidamente ajustado para cumprir sua função sem aumentar a Pressão Intracraniana em pacientes TCE, optando-se até pela estabilização manual se o paciente apresentar sinais de herniação ou PIC elevada. 

Fonte: https://drricardoteixeira.com.br/trauma-raquimedular/ 
Leia mais: ECTES 2026: Inovações e Atualizações em Trauma direto de Estocolmo 

Seja um MedCofer!

Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCofer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material.

Autor e Revisor

  • Kiara Adelino

    Estudante do 5° semestre de Medicina. Gosto bastante de aprender coisas novas, principalmente na área de Neurologia e Anatomia humana.

  • Leila Menzel

    Estudante do 6° semestre de jornalismo, amo e escrevo poesias e viajo em livros de romances clichês.

POSTS RELACIONADOS