
Nesta quarta-feira (22), a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) anunciou a ampliação do uso de Mounjaro® (tirzepatida) no tratamento de crianças com diabetes tipo 2. A mudança impacta crianças e adolescentes de 10 a 17 anos.
Apesar da ampliação, a Anvisa ressalta que as demais indicações do medicamento, como obesidade e apneia, se mantêm apenas para uso adulto.

Os resultados do estudo clínico de fase 3 SURPASS-PEDS, que avaliou a eficácia e a segurança médica do Mounjaro em 99 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2, embasam a mudança.
A análise revelou que o medicamento reduz a hemoglobina glicada em uma média de 2,2% em um período de 30 semanas, quando comparada ao placebo. Além disso, 86% dos participantes que usaram a dose de 10 mg do Mounjaro atingiram a hemoglobina glicada alvo (menor ou igual a 6,5%).
Por ser um agonista duplo dos receptores GLP-1 e GIP, a tizerpatida atua ativando os receptores dos dois hormônios intestinais, importantes para a regulação do apetite e da glicose. Desta forma, o medicamento produz insulina, reduz a fome e aumenta a saciedade.
Por que usar “canetas emagrecedoras” em crianças com diabetes tipo 2?
Embora o público considere a diabetes tipo 2 uma doença de adultos, ela ataca as crianças com muito mais agressividade. Como o tratamento do diagnóstico é complexo, os pacientes enfrentam um risco maior de repercussões graves ao longo da vida.
Essas complicações são decorrentes dafalta de medicamentos seguros essa faixa etária. Na maioria dos casos, os médicos utilizam metformina e insulina no tratamento, embora elas não apresentem a potência necessária para atingir a meta de controle glicêmico e favoreçam o ganho de peso.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o Brasil é um dos dez países com mais casos de diabetes tipo 2 em crianças, são cerca de 213 mil adolescentes diabéticos e 1,46 milhão em situação de pré-diabetes.
O aumento contínuo da doença é constantemente associado aos maiores índices de obesidade infantil. Em relatório, a Unicef aponta que, pela primeira vez, o número de obesidade pediátrica superou o de má nutrição.
Os possíveis riscos associados ao medicamento
O estudo clínico não apresentou nenhum caso de hipoglicemia grave e o número de casos adversos foi baixo. Entretanto, alguns pacientes apresentaram diarreia, náusea, vômito e dor abdominal.
É importante frisar que esses sintomas foram observados por um período de 30 semanas, e que o uso prolongado do medicamento em crianças ainda precisa ser avaliado.
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