
A American Gastroenterological Association (AGA) publicou o Roma V, padrão diagnóstico lançado em 2026 para Distúrbios de Interação Cérebro-Intestino (DGBIs), desenvolvido por mais de 140 especialistas.
O documento introduz atualizações baseadas em evidências, com critérios mais centrados no paciente, novas entidades diagnósticas e atualizações pediátricas, substituindo o Rome IV.

Atualização sobre desordens esofágicas funcionais
O Roma V renomeou as antigas “desordens esofágicas funcionais” como desordens esofágicas da interação cérebro-intestino (E-DGBI).
A principal evolução do Roma IV para o Roma V é a integração formal de critérios diagnósticos atualizados:
- Consenso de Lyon 2.0: para exclusão de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE);
- Chicago Classification v4.0: para exclusão de distúrbios motores esofágicos, mantendo o critério temporal (≥ 3 meses e início ≥ 6 meses antes), reforçando o caráter crônico e não transitório.
Confira os pontos do documento que podem impactar sua prova de residência médica:
Diagnóstico mais rigoroso
O Roma V reforça que o diagnóstico só deve ser feito após excluir:
- Doença estrutural (endoscopia);
- DRGE significativa (pHmetria/impedância);
- Distúrbios motores maiores (manometria esofágica): Atenção que motilidade esofágica ineficaz (MEI) não exclui Distúrbios Esofágicos da Interação Intestino-Cérebro (E-DGBI);
- Esofagite eosinofílica (com biópsia esofágica, quando indicado)
Isso reduz um problema frequente no Roma IV: o risco de sobrediagnóstico de distúrbios funcionais.
Papel reforçado da esofagite eosinofílica (EoE) como confundidor
O Roma V enfatiza que a esofagite eosinofílica, doença crônica, imune e inflamatória do esôfago, deve ser ativamente excluída, especialmente em:
- Disfagia (dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou saliva, desde a boca até o estômago);
- Dor torácica relacionada à alimentação.
A ausência de biópsia adequada pode levar ao diagnóstico incorreto de E-DGBI. Para mais informações, confira a publicação da AGA a respeito:
Desordens intestinais (Síndrome do Intestino Irritável)
Houveram também mudanças consideráveis nos critérios da Síndrome do Intestino Irritável (SII). A implementação do Roma IV em 2016 havia reduzido significativamente a prevalência relatada de SII em relação ao Roma III — principalmente por elevar o limiar de frequência da dor e por retirar o termo “desconforto”.
A Roma V revisa esses pontos e reconfigura a definição. Veja os pontos mais relevantes sua prova de residência médica:
Distúrbios intestinais (Roma V)
- Síndrome do Intestino Irritável
- Constipação crônica
- Diarreia funcional
- Distensão abdominal funcional
- Distúrbio intestinal não classificado
- Constipação induzida por opioides
Síndrome do Intestino Irritável (SII)
Reintrodução do “desconforto abdominal” nos critérios
- Roma IV: aceitava apenas dor abdominal como sintoma central.
- Roma V: reincorpora dor e/ou desconforto abdominal ao critério diagnóstico
Essa mudança é reconhecimento a estudos que mostraram pacientes com SII referindo desconforto sem dor verdadeira — particularmente em determinados países/populações.
Redução do limiar de frequência da dor/desconforto
- Roma IV exigia sintomas ≥ 1 dia por semana.
- Roma V reduz para ≥ 3 dias por mês, em média, nos últimos 3 meses
Assim, o material resgata parcialmente o limiar do Roma III e aumenta a sensibilidade diagnóstica. Isso, após o RFGES (The Rome Foundation Global Epidemiology study) demonstrar que o principal motivo da queda na prevalência entre Roma III e IV foi justamente a elevação do limiar.
Nova especificação: dor/desconforto NÃO pode ser contínuo
- Foi adicionada a exigência de que a dor/desconforto abdominal seja recorrente, mas NÃO contínuo.
- O objetivo é diferenciar SII da síndrome de dor abdominal de mediação central (centrally mediated abdominal pain syndrome — antiga dor abdominal funcional), que se caracteriza por dor abdominal constante, sem relação com a defecação.
Novo critério de apoio: relação com o ciclo menstrual
- Roma V acrescenta um critério de apoio (supportive) determinando que a dor ou desconforto abdominal não deve estar relacionado exclusivamente à menstruação.
- Esse ajuste busca reduzir o diagnóstico equivocado de SII em pacientes cujos sintomas intestinais são, na verdade, manifestações do ciclo menstrual.
Subtipos de SII: mantidos, baseados em Bristol
Os subtipos seguem os mesmos 4 grupos do Roma IV, definidos pela predominância do hábito intestinal (Escala de Bristol) apenas em dias com evacuações anormais.
Confira o documento na íntegra:
Desordens gastroduodenais
A arquitetura geral das desordens gastroduodenais foi mantida — com dispepsia funcional (DF) subdividida em síndrome do desconforto pós-prandial (PDS) e síndrome da dor epigástrica (EPS), desordens de náusea e vômito, distúrbios de eructação e síndrome de ruminação.
Para fins de provas de residência vale se ater apenas a dispepsia funcional. Veja aqui os pontos mais relevantes:
Dispepsia funcional: redefinição da sobreposição PDS–EPS
- Roma IV: a dor epigástrica podia ocorrer pós-prandialmente ou independentemente das refeições, gerando grande sobreposição entre EPS e PDS.
- Roma V: a dor/queimação epigástrica pós-prandial, quando ocorre junto com sintomas de PDS (plenitude pós-prandial ou saciedade precoce), passa a ser classificada como PDS — e não como EPS.
- Sintomas desencadeados ou piorados pela refeição devem surgir em até 2 horas após a ingestão. Subdivisão provisória do EPS (na ausência de PDS), em “relacionadas” e “não-relacionadas” a refeições, foi introduzida para pesquisa.
Para mais informações, acesse o documento:

Acesse o Roma V na íntegra!
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