InícioEndocrinologiaRetatrutida no DM2: o que o estudo TRANSCEND-T2D-1 mostrou?

Retatrutida no DM2: o que o estudo TRANSCEND-T2D-1 mostrou?

Agonista triplo de GIP, GLP-1 e glucagon, a retatrutida mostrou resultados promissores em glicemia, peso e perfil cardiometabólico no diabetes tipo 2.

A retatrutida representa uma nova forma de olhar para o tratamento do diabetes tipo 2. Imagem gerada por IA.

A retatrutida é uma nova molécula em estudo para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Seu grande diferencial é atuar em três receptores hormonais ao mesmo tempo: GIP, GLP-1 e glucagon.

Enquanto o GLP-1 e o GIP contribuem para saciedade, secreção de insulina e melhora glicêmica, o agonismo do receptor de glucagon pode aumentar o gasto energético e favorecer a perda de gordura. Por isso, a proposta da retatrutida vai além do controle da glicose: busca uma melhora metabólica mais ampla.

O estudo TRANSCEND-T2D-1

O TRANSCEND-T2D-1 foi um estudo de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado no The Lancet em 2026.

Foram avaliados adultos com diabetes tipo 2 ainda em fase inicial, sem uso recente de medicações antidiabéticas, com HbA1c entre 7% e 9,5% e IMC ≥ 23 kg/m².

Os participantes receberam retatrutida nas doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg, ou placebo, por 40 semanas.

Principais resultados

A retatrutida promoveu reduções importantes de HbA1c, com até 89% dos participantes atingindo HbA1c menor que 7% e cerca de 40% alcançando valores abaixo de 5,7%.

O efeito sobre o peso também chamou atenção. Na dose de 12 mg, 85% dos pacientes perderam pelo menos 5% do peso corporal, e 29% perderam 20% ou mais.

Outro dado relevante foi o desfecho combinado: 64% dos participantes tratados com 12 mg atingiram simultaneamente HbA1c ≤ 6,5% e perda de peso ≥ 10%, contra apenas 3% no grupo placebo.

Além disso, foram observadas melhoras em triglicerídeos, colesterol não-HDL e pressão arterial sistólica.

Segurança

Os eventos adversos mais comuns foram gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em geral, foram leves ou moderados e ocorreram principalmente durante o escalonamento da dose.

Não houve episódios de hipoglicemia grave.

Por que esse estudo importa?

O TRANSCEND-T2D-1 reforça uma mudança importante no tratamento do diabetes tipo 2: o foco não está mais apenas em reduzir a glicemia, mas em tratar a doença metabólica de forma mais ampla.

A retatrutida mostrou impacto simultâneo em glicemia, peso, perfil lipídico e pressão arterial, sugerindo potencial para modificar de maneira mais profunda o curso da doença.

O que importa para a prova do TEEM?

A retatrutida é um agonista triplo GIP/GLP-1/glucagon.

O TRANSCEND-T2D-1 é o primeiro estudo fase 3 da molécula em diabetes tipo 2.

Os principais achados foram:

  • redução expressiva de HbA1c;
  • perda ponderal importante;
  • melhora cardiometabólica global;
  • ausência de hipoglicemia grave;
  • diferencial mecanístico ligado ao receptor de glucagon.

A mensagem central é que a retatrutida pode representar uma nova etapa no tratamento do diabetes tipo 2, com foco em controle metabólico global e não apenas glicêmico.

Autor

  • Áurea Magalhães

    Graduação em medicina pela UFRR
    Residência médica em clínica médica pelo Hospital Moinhos Vento
    Residência médica em endocrinologia e metabologia pelo HCFMUSP
    Preceptora dos residentes de endocrinologia do HCFMUSP em 2021

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