
O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu uma consulta pública para receber contribuições sobre a avaliação e o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. A iniciativa é direcionada a médicos, profissionais de saúde, pessoas com diagnóstico de TEA, familiares, cuidadores e demais cidadãos interessados.
A consulta busca reunir informações sobre como a avaliação do autismo é realizada atualmente e quais aspectos podem ser aprimorados. As contribuições deverão subsidiar futuras orientações do CFM sobre a avaliação e o tratamento do TEA no país.
Neste conteúdo, entenda os principais pontos colocados em discussão pelo Conselho e o que a iniciativa pode representar para a prática médica.

O que é a consulta pública do CFM sobre autismo?
A consulta pública foi aberta pelo CFM para ouvir diferentes grupos envolvidos com o cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
De acordo com o Conselho, o objetivo é compreender como o processo de avaliação do autismo vem sendo realizado no Brasil e reunir contribuições que possam auxiliar na definição de orientações para o diagnóstico e o tratamento do TEA.
A iniciativa considera a complexidade da avaliação do transtorno, já que os sinais podem variar entre indivíduos e aparecer em diferentes momentos do desenvolvimento. O TEA também pode estar associado a outras condições, como ansiedade, epilepsia, deficiência intelectual e transtornos do sono.
Por que o diagnóstico do TEA exige uma avaliação cuidadosa?
Segundo o CFM, não existe um exame específico capaz de confirmar o diagnóstico de TEA. A avaliação depende da análise da história clínica, da observação do desenvolvimento e da atuação de diferentes profissionais.
Nesse contexto, a investigação diagnóstica precisa considerar a apresentação clínica individual e as condições que podem estar associadas ou fazer parte do diagnóstico diferencial.
O CFM também aponta que um processo de avaliação incompleto pode contribuir para diagnósticos tardios ou equivocados e para a indicação de tratamentos que não correspondam às necessidades da pessoa.
Quais são os cinco pontos discutidos pelo CFM?
A consulta pública foi estruturada a partir de cinco questões centrais relacionadas à avaliação e ao tratamento do autismo.
1. Qual é o papel da Psiquiatria na avaliação do TEA?
Um dos pontos da consulta busca discutir o peso da avaliação psiquiátrica no processo diagnóstico do autismo.
A questão está relacionada à participação da Psiquiatria na investigação clínica e à sua contribuição para a definição do diagnóstico e das condutas relacionadas ao TEA.
2. Os critérios utilizados são suficientes para diagnóstico e prognóstico?
O CFM questiona se a combinação entre sinais clínicos, alterações psicopatológicas e grau de comprometimento do desenvolvimento é suficiente para estabelecer o diagnóstico e o prognóstico do TEA.
A discussão envolve, portanto, quais elementos devem ser considerados durante a avaliação clínica e como eles contribuem para a caracterização do transtorno.
3. Qual é o papel da abordagem multidisciplinar?
Outro ponto abordado é a participação de diferentes especialidades médicas e profissionais de saúde na avaliação e no tratamento do autismo.
A consulta questiona em que medida essa atuação conjunta contribui para a definição das condutas terapêuticas, incluindo tratamentos farmacológicos e não farmacológicos.
4. Como as comorbidades influenciam o tratamento?
O CFM também coloca em discussão o papel da identificação de comorbidades na elaboração do plano terapêutico.
Entre as condições mencionadas pelo Conselho estão ansiedade, epilepsia, deficiência intelectual e transtornos do sono. A presença de condições associadas pode ser relevante para a avaliação clínica e para a definição das estratégias de cuidado.
5. O registro dos diagnósticos diferenciais pode aumentar a segurança?
O último eixo aborda a possibilidade de tornar obrigatório o registro das hipóteses diagnósticas e dos diagnósticos diferenciais considerados e posteriormente afastados durante a investigação.
A consulta questiona se esse registro contribuiria para tornar o processo diagnóstico mais claro e seguro.
O que a consulta pública pode representar para a prática médica?
As contribuições recebidas pelo CFM poderão subsidiar futuras orientações sobre a avaliação e o tratamento do TEA no Brasil.
Para a prática médica, a discussão envolve aspectos importantes do cuidado de pessoas com autismo, como:
- Avaliação clínica e diagnóstico;
- Diagnóstico diferencial;
- Participação da Psiquiatria;
- Atuação multidisciplinar;
- Identificação de comorbidades;
- Definição de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos;
- Registro das hipóteses consideradas durante a investigação.
Neste momento, porém, é importante destacar que a consulta pública não representa, por si só, uma nova regulamentação ou protocolo definitivo. O objetivo atual é reunir contribuições para subsidiar as orientações que poderão ser estabelecidas pelo Conselho.
Acompanhe as principais atualizações da Medicina
Discussões envolvendo o CFM, regulamentação profissional, prática médica e políticas de saúde podem trazer mudanças importantes para a atuação dos médicos.
Acompanhe o blog da MedCof para ficar por dentro das principais notícias e atualizações que impactam a Medicina e a formação médica.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. CFM abre consulta pública sobre avaliação e tratamento do autismo. Portal Médico, 25 set. 2026. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-abre-consulta-publica-sobre-avaliacao-e-tratamento-do-autismo. Acesso em: 30 set. 2026.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Consulta pública sobre avaliação e tratamento do autismo. Disponível em: https://formularios.cfm.org.br/consulta-tea. Acesso em: 30 set. 2026.
