
Tecnologias emergentes, novos protocolos de rastreamento e avanços na medicina fetal marcaram os debates do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que aconteceu em Belo Horizonte.
Em resumo, para a Dra. Nicole Kemberly, professora da MedCof GO, a edição deste ano evidenciou temas que devem transformar a prática clínica nos próximos anos. Embora muitos deles ainda enfrentem desafios para implementação em larga escala no Brasil.
O avanço da cirurgia robótica e da telecirurgia
Uma das novidades do congresso foi a ampliação das discussões sobre cirurgia robótica e telecirurgia, impulsionadas pela parceria com a Sociedade de Cirurgia Robótica.
Apesar do avanço tecnológico, a implementação ainda encontra obstáculos relacionados ao custo dos equipamentos, concentração dos centros especializados e limitação do treinamento durante a residência médica.
Nesse contexto, segundo especialistas, a tendência é que a cirurgia robótica ganhe espaço progressivamente em diversas áreas da ginecologia.
Novo rastreamento do câncer de colo uterino
Em especial, outro destaque importante foi a consolidação do teste de HPV como método primário de rastreamento do câncer de colo uterino.
A mudança acompanha recomendações recentes e representa uma das principais transformações nos programas de prevenção da doença.
No entanto, desafios estruturais e logísticos ainda dificultam a implementação uniforme dessa estratégia em todo o sistema de saúde brasileiro.
Medicina fetal e procedimentos altamente especializados
Além disso, o congresso também dedicou espaço às inovações em medicina fetal.
Por exemplo, procedimentos como tratamento intrauterino da síndrome de transfusão feto-fetal e outras intervenções fetais avançadas demonstram o potencial da especialidade, embora ainda estejam disponíveis em poucos centros de referência no país.
Ultrassonografia ganha protagonismo
Uma das marcas do CBGO 2026 foi a criação de uma arena dedicada exclusivamente à ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia.
Ainda, o destaque reforça o papel cada vez mais importante do ultrassom em diferentes áreas da especialidade, incluindo:
- Avaliação fetal;
- Diagnóstico de endometriose profunda;
- Planejamento cirúrgico;
- Estadiamento pré-operatório.
Climatério e menopausa ganham novo marco nacional
Outro momento relevante ocorreu com a divulgação do novo Manual de Atenção Integral à Saúde da Mulher no Climatério e Menopausa, elaborado com participação da FEBRASGO e instituições parceiras.
Assim, o documento atualiza recomendações relacionadas à terapia hormonal, prevenção de osteoporose e cuidados integrais à mulher nessa fase da vida. Nesse sentido, devendo se tornar referência para a prática clínica e para provas de especialidade.
Um congresso cada vez mais internacional
A presença de representantes das principais entidades internacionais da especialidade reforçou o caráter global do evento.
A participação de lideranças da FIGO e da FLASOG demonstra o fortalecimento do CBGO como espaço de discussão científica capaz de conectar a ginecologia e obstetrícia brasileira às principais tendências mundiais.
O que essas mudanças significam para os futuros especialistas?
As discussões apresentadas no CBGO 2026 mostram uma especialidade cada vez mais tecnológica, baseada em evidências e conectada a protocolos internacionais.
Para residentes e candidatos ao TEGO, acompanhar essas transformações é fundamental para compreender não apenas o futuro das provas, mas também os rumos da prática médica nos próximos anos.
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