
No dia 24 de junho de 2026, o Ministério da Saúde lançou, em São Paulo, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS Rua). A medida normatiza e estabelece novas diretrizes para o cuidado dessa população no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), impactando diretamente a atuação das equipes de atenção primária e medicina de família e comunidade.
O objetivo central da política é promover o acesso integral, respeitando as especificidades de vida nas ruas e combatendo barreiras institucionais, como a aporofobia (rejeição aos pobres), o racismo e a LGBTQIA+fobia.
Unidades Móveis de Rua (UMR) e Impacto Clínico
Para viabilizar as novas diretrizes operacionais da PNAIS, o Ministério da Saúde anunciou o repasse de 400 Unidades Móveis de Rua (UMR) aos municípios e ao Distrito Federal, com um investimento de R$ 144 milhões. A previsão é que 350 equipes recebam os veículos ainda em 2026, com a frota total operando até 2027.
O novo modelo logístico visa aumentar a resolutividade no próprio território. As unidades estarão equipadas para a realização de:
- Consultas médicas e acompanhamento de enfermagem;
- Consultas de pré-natal;
- Procedimentos curativos;
- Coleta de exames laboratoriais (point-of-care e amostras convencionais).

Eixos estratégicos da PNAIS Rua
A política estabelece uma governança integrada e foi estruturada em sete eixos que orientam a prática médica e a organização da rede:
| Eixo Estratégico | Foco Prático e Clínico |
| Atenção Integral | Prioriza estratégias de redução de danos, saúde bucal, maternagem e garantia de continuidade do cuidado pós-desospitalização. |
| Enfrentamento a Discriminações | Combate ao preconceito institucional e estímulo a estudos sobre o impacto do estigma na saúde pública. |
| Dados e Monitoramento | Torna obrigatória a inclusão do campo “população em situação de rua” nos sistemas de cadastro e prontuários do SUS. |
| Gestão Participativa | Assegura a representação de movimentos sociais nos conselhos de saúde. |
| Qualificação do Atendimento | Educação permanente de gestores e profissionais na linha de frente para um cuidado culturalmente sensível. |
| Vigilância em Saúde | Criação de protocolos de proteção ao trabalhador informal e respostas rápidas a eventos climáticos extremos. |
| Promoção e Cidadania | Articulação intersetorial (com a assistência social) para garantir segurança alimentar e nutricional. |
Expansão da rede e investimentos recentes
A nova política busca aperfeiçoar o acompanhamento de cerca de 200 mil pessoas que já são assistidas pelas equipes de Consultório na Rua (eCR). Atualmente, as eCR atuam de forma itinerante e devem coordenar o cuidado em conjunto com as equipes de Saúde da Família (eSF) e equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde.
O Ministério da Saúde destacou que o número de equipes cofinanciadas cresceu 93,6% em pouco mais de três anos, passando de 173 (dezembro de 2022) para 335 (maio de 2026), distribuídas em 207 municípios. O orçamento para manutenção e contratação dessas equipes ultrapassa R$ 85 milhões em 2026, além de mais de R$ 30 milhões destinados à expansão da rede até 2027.
Durante a agenda no estado, o ministro Alexandre Padilha também anunciou novos equipamentos para o Instituto do Coração (Incor), entregou a décima unidade móvel de saúde do programa “Agora Tem Especialistas” voltada para caminhoneiros em Cubatão e visitou as instalações de um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em São Vicente.

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