Abscesso Hepático: etiologia, classificação, diagnóstico e mais!

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Classificação e Etiopatogenia

A distinção entre a origem bacteriana (piogênico) e parasitária (amebiano) muda completamente a conduta terapêutica.

Abscesso Hepático Amebiano

  • Agente: Entamoeba histolytica.
  • Epidemiologia: Mais comum em homens jovens e em áreas endêmicas.
  • Fisiopatologia: Ingestão de cistos (água/alimentos contaminados) -> Invasão da mucosa intestinal -> Circulação Portal -> Fígado.
  • História: Geralmente há relato de diarreia meses antes do aparecimento do quadro hepático.
TROFOZOÍTA de forma irregular, com membrana citoplasmática delicada, presença de um núcleo com cariossoma central e puntiforme e. Cromatina periférica formada por grânulos delicados e de distribuição regular. Pode apresentar hemácias dentro de vacúolos. Tamanho – 12 a 20 µm. Coloração: Kinyon. Fonte: http://atlasparasitologia.sites.uff.br/?cat=23 

Abscesso Hepático Piogênico

  • Agente: Bactérias (geralmente polimicrobiano).
  • Vias de Disseminação:
    1. Portal: Secundário a infecções abdominais (ex: apendicite, diverticulite).
    2. Biliar: Colangites ou obstruções biliares (disseminação local).
    3. Arterial: Disseminação de infecções sistêmicas (ex: endocardite).
    4. Trauma ou Criptogênico (sem foco primário identificado).
TC abdominal mostrando abscesso hepático piogênico multiloculado septado solidocístico grande em todo lobo direito em paciente diabético com sepse. Fonte: https://doi.org/10.1590/0102-672020180001e1394 

Quadro Clínico

O quadro costuma ser arrastado. A tríade clássica envolve:

  1. Febre;
  2. Dor em Hipocôndrio Direito;
  3. Hepatomegalia.
  • Sintomas Consumptivos: Perda de peso, astenia, inapetência e náuseas são frequentes.
  • Icterícia: É um sinal de alerta, sendo muito mais comum no abscesso piogênico do que no amebiano.
Sinal de Icterícia. Fonte: https://www.lecturio.com/pt/concepts/ictericia/ 

Diagnóstico e Imagem

O diagnóstico diferencial com tumores e cistos é crucial.

  • Laboratório: Leucocitose, aumento de enzimas hepáticas e hemoculturas (no piogênico).
    • Nota: O exame de fezes (EPF) geralmente é negativo para ameba na fase do abscesso hepático ativo.

Exames de Imagem

  • Ultrassom (USG): Bom exame inicial, útil para diferenciar de cistos simples e tumores sólidos.
  • Tomografia (TC) de Abdome: É o melhor exame para definição.
    • Achados: Coleção encapsulada, conteúdo heterogêneo e presença de edema perilesional característico.
 A lesão ocupa o lobo direito do fígado. A lesão é escura (hipodensa) em relação ao fígado normal, indicando conteúdo líquido espesso, necrose e pus, multilobulada. Fonte: https://dreduardoramos.com.br/especialidades/figado/doencas-hepaticas/doencas-infecciosas/abscesso-hepatico/ 

Microbiologia

No abscesso piogênico, a flora varia conforme a origem ou comorbidades:

  • E. coli: Bactéria isolada mais comum.
  • Klebsiella pneumoniae: Fortemente associada a tumor colorretal (fazer colonoscopia pós-tratamento).
Fonte: http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/infeccao-por-klebsiella-pneumoniae-aspectos-microbiologicos-clinicos-e-preventivos–2 
  • Staphylococcus aureus: Comum após procedimentos cirúrgicos.
Fonte: https://www.cdc.gov/staphylococcus-aureus/about/index.html 
  • Candida spp: Em imunossuprimidos e pacientes em quimioterapia.
Fonte: https://drfungus.org/knowledge-base/candida-species/ 
  • Tuberculose: Deve ser suspeitada em abscessos com culturas negativas (“abscesso estéril”).

Tratamento: A Grande Diferença

Aqui está o ponto decisivo para a prova e para a prática:

Manejo do Abscesso Amebiano

O tratamento é eminentemente CLÍNICO. A drenagem raramente é necessária.

  • Esquema: Antibiótico com ação tecidual (Metronidazol) associado a um com ação luminal (Paromomicina) por 7-10 dias.

Manejo do Abscesso Piogênico

O tratamento é ANTIBIÓTICO + DRENAGEM.

  • Antibioticoterapia: Ceftriaxone + Metronidazol por 4-6 semanas (longa duração). Se refratário ou infecção hospitalar: Piperacilina-Tazobactam (Tazocin).
  • Drenagem Percutânea (Padrão-Ouro):
    • < 4 cm: Drenagem por aspiração com agulha.
    • ≥ 4 cm: Drenagem guiada com colocação de cateter (pigtail) mantido até resolução do débito e controle de imagem.

Quando indicar CIRURGIA ABERTA/LAPAROSCÓPICA?

A cirurgia fica reservada para falhas da drenagem percutânea ou complicações:

  1. Abscessos múltiplos ou loculados (difíceis de acessar percutaneamente).
  2. Conteúdo muito espesso/viscoso que não drena pelo cateter.
  3. Refratariedade ao tratamento percutâneo.
  4. Necessidade de tratar a causa base cirúrgica simultaneamente (ex: apendicectomia ou colecistectomia).

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