InícioColuna SingularSíndromes extrapiramidais induzidas por fármacos: distonia aguda, acatisia e parkinsonismo secundário

Síndromes extrapiramidais induzidas por fármacos: distonia aguda, acatisia e parkinsonismo secundário

A distonia aguda, a acatisia e o parkinsonismo secundário são síndromes clinicamente distintas, mas que compartilham exatamente a mesma base farmacológica: o bloqueio do receptor dopaminérgico D2 na via nigroestriatal. Na prática, esse antagonismo D2 desequilibra a relação entre dopamina e acetilcolina no estriado, gerando um predomínio relativo da atividade colinérgica. É esse excesso colinérgico o principal responsável pela manifestação dos sintomas extrapiramidais agudos.

A ocorrência dessas síndromes não é aleatória; existe um limiar farmacológico documentado. Evidências de neuroimagem (estudos PET) demonstram que o risco de manifestações extrapiramidais e acatisia aumenta de forma substancial quando a ocupação dos receptores D2 ultrapassa a faixa de 75% a 85%, com o risco aproximadamente dobrado ao atingir o limiar de 80%. A leitura clínica direta desse dado é que boa parte dos efeitos adversos é dose-dependente e, portanto, evitável com o ajuste preciso.

Como as três síndromes atingem o mesmo receptor e produzem o mesmo espectro fisiopatológico, o grande divisor de águas para o diagnóstico diferencial — tanto no plantão quanto nas questões de prova — é a cronologia. O que separa cada quadro é a janela temporal entre a introdução ou o aumento da dose do fármaco e o início dos sintomas: horas para a distonia, dias a semanas para a acatisia, e semanas a meses para o parkinsonismo.

 Por que esse grupo de síndromes merece atenção

O parkinsonismo induzido por fármacos responde por 20% a 37% dos casos de parkinsonismo em estudos populacionais, o que o coloca como a segunda causa mais frequente da síndrome, atrás apenas da doença de Parkinson idiopática. A reação distônica aguda ocorre em cerca de 10,5% dos pacientes expostos a antipsicóticos de primeira geração e em 2,2% dos expostos a antipsicóticos de segunda geração. Nenhum desses números é marginal.

O ponto que costuma passar despercebido é que uma parcela relevante dos casos não vem da psiquiatria. Metoclopramida, bromoprida, prometazina, flunarizina e cinarizina são prescritas rotineiramente para náusea, vômito, cefaleia e tontura, atingem o mesmo receptor e produzem o mesmo espectro de efeitos. A metoclopramida sozinha se associa a reação distônica aguda em aproximadamente 8,3% dos adultos expostos.

A base farmacológica comum

O antagonismo D2 na via nigroestriatal desequilibra a relação entre dopamina e acetilcolina no estriado, com predomínio relativo da atividade colinérgica. Esse desequilíbrio é o substrato dos sintomas extrapiramidais agudos.

Existe um limiar razoavelmente bem descrito. No estudo PET de Kapur e colaboradores com pacientes em primeiro episódio de esquizofrenia, nenhum paciente com ocupação de receptores D2 abaixo de 78% apresentou sintomas extrapiramidais ou acatisia [9]. Uma meta-análise dose-resposta posterior, com 110 estudos e 37.193 participantes, encontrou aumento substancial do risco quando a ocupação D2 ultrapassa a faixa de 75% a 85%, com risco aproximadamente dobrado no limiar de 80% [10]. A leitura prática é direta: existe uma janela terapêutica, e boa parte dos efeitos extrapiramidais é dose-dependente e portanto evitável.

Distonia Aguda

Definição e apresentação

Contração muscular involuntária e sustentada, geralmente dolorosa, que produz posturas anômalas. As apresentações clássicas são torcicolo, crise oculógira, trismo, protrusão da língua e opistótono. O quadro pode acometer extremidades, face, pescoço, tronco, pelve e laringe.

Janela temporal

Aproximadamente 50% dos casos ocorrem nas primeiras 48 horas após a introdução ou o aumento do fármaco e 90% nos primeiros 5 dias. A grande maioria se manifesta dentro de 96 horas da exposição.

Agentes implicados

Antipsicóticos típicos, com destaque para haloperidol, perfenazina e tioridazina; antipsicóticos atípicos, incluindo risperidona, quetiapina e olanzapina; e antieméticos, principalmente metoclopramida, proclorperazina e prometazina. A incidência com anticonvulsivantes, antidepressivos e neuroestimulantes fica abaixo de 1% dos pacientes expostos.

Fatores de risco

Sexo masculino, idade jovem, história prévia de reação distônica e uso recente de cocaína aumentam o risco de forma significativa. Polimorfismos da CYP2D6 que alteram o metabolismo contribuem para a suscetibilidade individual.

O quadro que não pode passar

A distonia laríngea é a apresentação potencialmente fatal. O estridor funciona como sinal precoce de comprometimento iminente da via aérea e exige manejo imediato.

Tratamento

Anticolinérgicos parenterais produzem melhora dramática em 10 a 30 minutos.

No Brasil, o agente disponível é o biperideno. A ficha técnica da apresentação injetável recomenda 2,5 a 5 mg de lactato de biperideno por via intravenosa ou intramuscular para síndrome extrapiramidal induzida por medicamento, com possibilidade de repetir a mesma dose após 30 minutos e dose máxima diária de 10 a 20 mg [12]. A administração deve ser interrompida se os sintomas cederem durante a própria injeção.

A literatura internacional descreve difenidramina 50 mg IV em adultos e benzatropina 1 a 2 mg IV como primeira linha, com benzodiazepínicos parenterais (lorazepam 0,05 a 0,10 mg/kg ou diazepam 0,1 mg/kg) como segunda linha nos casos refratários [1].

Prevenção de recorrência

Este é o passo mais esquecido. Se o fármaco causador não for suspenso, o anticolinérgico precisa ser mantido por alguns dias. As recomendações descritas são difenidramina oral a cada 6 horas por 1 a 2 dias, ou benzatropina 1 a 2 mg por via oral duas vezes ao dia por até 7 dias [1]. Com biperideno, a dose oral usual para sintomas extrapiramidais induzidos por medicamento é de 1 a 4 mg, de uma a quatro vezes ao dia [12].

Armadilha diagnóstica

Paciente jovem, plenamente lúcido, com postura bizarra e sem qualquer alteração de consciência é o cenário em que o rótulo de quadro conversivo aparece com mais frequência. A anamnese farmacológica das últimas 96 horas resolve a questão.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Distonia

Acatisia

Definição e o peso do componente subjetivo

Acatisia é a incapacidade de permanecer parado, com sensação intensa de inquietação interna que costuma envolver os membros inferiores e leva a movimento repetitivo compulsivo. O componente subjetivo é o que fecha o diagnóstico. Um paciente que se movimenta muito sem relatar a angústia interna provavelmente tem outro quadro.

Janela temporal

Geralmente nas primeiras duas semanas de terapia antipsicótica, tipicamente dentro de 4 semanas da introdução ou do aumento de dose.

Agentes implicados

Antipsicóticos, com frequência maior entre os de primeira geração e alta potência, como o haloperidol. Também se associam à acatisia bloqueadores de canal de cálcio, antieméticos, antivertiginosos, cocaína, sedativos usados em anestesia e, mais raramente, antidepressivos.

Avaliação estruturada

A Barnes Akathisia Rating Scale (BARS) é o instrumento padrão para graduar a intensidade, embora a maioria dos clínicos se baseie na observação. A escala avalia separadamente o componente objetivo, o componente subjetivo (consciência da inquietação e sofrimento associado) e uma avaliação global.

Diagnóstico diferencial

Os sintomas frequentemente se sobrepõem a psicose, mania, transtorno de déficit de atenção e depressão agitada. Essa sobreposição é a origem do erro clínico mais custoso desse tema, descrito adiante.

Tratamento: o que a evidência mostra hoje

Aqui há uma divergência relevante entre o que a maior parte do material didático ensina e o que a evidência mais recente sustenta.

A meta-análise em rede de Furukawa e colaboradores, publicada no Schizophrenia Bulletin, comparou as estratégias disponíveis e encontrou os seguintes tamanhos de efeito:

EstratégiaSMD [IC 95%]Estudos / participantesConfiança na evidência
Antagonistas 5-HT2A (mianserina, mirtazapina, trazodona)−1,07 [−1,42; −0,71]6 / 108Baixa
Benzodiazepínicos (clonazepam, diazepam, lorazepam)−1,62 [−2,64; −0,59]2 / 13Muito baixa
Vitamina B6−0,99 [−1,49; −0,50]3 / 67Muito baixa
Betabloqueadores−0,46 [−0,85; −0,07]8 / 105Baixa

Os autores classificam os achados como extremamente preliminares, apontam a ausência de dados de eficácia em longo prazo e recomendam explicitamente que a primeira linha seja a redução de dose ou a troca do antipsicótico, reservando medicação adjuvante para as situações em que reduzir ou trocar não é viável.

O StatPearls registra que a mirtazapina em dose baixa se mostrou tão eficaz quanto os betabloqueadores, e a revisão de sintomas extrapiramidais aponta mirtazapina 7,5 a 15 mg ao dia como a opção com maior eficácia descrita.

Como conciliar isso com a prova. Bancas de residência e concursos ainda cobram propranolol como resposta esperada para acatisia, e essa continua sendo a alternativa a marcar. Na prática clínica, a conduta com melhor sustentação atual é ajustar o antipsicótico primeiro.

Anticolinérgico não é a resposta

A acatisia geralmente não responde a agentes anticolinérgicos, o que sugere mecanismo fisiopatológico distinto do da distonia aguda. A benzatropina, ou o biperideno no contexto brasileiro, só faz sentido quando há parkinsonismo concomitante.

Acatisia e suicidalidade

Este ponto exige precisão. Uma revisão sistemática de 2021 identificou apenas quatro estudos avaliando a relação entre acatisia induzida por antipsicótico e comportamento suicida, com resultados inconsistentes: dois encontraram correlação fraca e dois não encontraram diferença significativa. Os autores concluem que um vínculo causal definitivo não foi estabelecido, que nenhum estudo conseguiu demonstrar precedência temporal e que a qualidade metodológica geral era baixa. Ao mesmo tempo, registram que a possibilidade de relação não pode ser descartada.

A formulação correta, portanto, é que a acatisia é um efeito adverso de alto sofrimento subjetivo, associado a disforia intensa e a abandono de tratamento, com uma possível relação com comportamento suicida que ainda carece de confirmação. Tratá-la com urgência se justifica pelo sofrimento e pela adesão, independentemente de o vínculo causal com suicidalidade vir a ser confirmado.

Parkinsonismo induzido por fármaco

Epidemiologia

Representa 20% a 37% dos casos de parkinsonismo em estudos populacionais e 4% a 10% em ambulatórios terciários de distúrbios do movimento. O estudo EUROPARKINSON encontrou 5% dos casos europeus de parkinsonismo atribuíveis a fármacos.

Agentes implicados, por nível de risco

  • Alto risco: antipsicóticos típicos (fenotiazinas, haloperidol, flufenazina); bloqueadores de canal de cálcio piperazínicos (flunarizina e cinarizina); depletores de dopamina (tetrabenazina, reserpina).
  • Risco intermediário a alto: antieméticos e procinéticos, incluindo metoclopramida, sulpirida, clebopride e os derivados fenotiazínicos (proclorperazina, prometazina), que a fonte classifica nessa faixa e não como risco meramente intermediário [7].
  • Risco intermediário: antipsicóticos de segunda geração (risperidona, olanzapina, aripiprazol); valproato, com incidência de até 6% em usuários crônicos; lítio; antidepressivos serotoninérgicos, com risco descrito de 8%.
  • Baixo risco: quetiapina e clozapina.

A flunarizina e a cinarizina merecem destaque no contexto brasileiro pelo uso amplo e prolongado em quadros de tontura e enxaqueca, muitas vezes em pacientes idosos e sem reavaliação periódica da indicação.

Como diferenciar da doença de Parkinson idiopática

Os sinais motores são clinicamente indistinguíveis dos da doença por corpos de Lewy. A diferenciação se apoia em um conjunto de pistas:

CaracterísticaParkinsonismo por fármacoParkinson idiopático
SimetriaSimétrico em 61% dos casos, mas séries descrevem assimetria em até 54%; sinais estritamente unilaterais em 4%Tipicamente assimétrico no início
Tremor de repousoPresente em 60%, com predomínio em membros superioresPresente, geralmente assimétrico
AnosmiaAusentePresente
Transtorno comportamental do sono REMNão característicoCaracterístico
DisautonomiaMenos comumMais comum
Fármaco suspeito na prescriçãoPresenteAusente

Fonte dos percentuais: Blanchet e Kivenko.

Cuidado com o atalho da simetria. A apresentação simétrica favorece a origem medicamentosa, e é assim que o tema costuma aparecer em prova. A mesma fonte, porém, adverte que o parkinsonismo assimétrico faz parte do espectro do quadro induzido por fármaco e não indica necessariamente doença de Parkinson subjacente. Assimetria portanto levanta a hipótese de doença idiopática sem descartar a causa medicamentosa, e a decisão continua dependendo da revisão da prescrição e da evolução após a suspensão.

Tempo até o aparecimento

  • Antagonistas dopaminérgicos centrais: em geral dentro de 3 meses
  • Bloqueadores de canal de cálcio: até 12 meses
  • Valproato: meses a anos

Evolução após a retirada do fármaco

Este é o dado que mais surpreende quem estudou o tema de forma superficial. A recuperação está longe de ser rápida ou garantida:

  • Recomenda-se um intervalo livre do fármaco de pelo menos 6 meses antes de concluir sobre reversibilidade;
  • Em uma série retrospectiva, a recuperação média foi de 10 meses, com variação de 2 a 19 meses;
  • Até 30% dos casos apresentam sinais motores persistentes ou em piora além de 6 meses;
  • O SPECT com ligante do transportador de dopamina (DAT-SPECT) mostra redução da captação em mais de 40% dos casos de parkinsonismo induzido por fármaco, o que sugere comprometimento nigroestriatal subjacente mesmo em pacientes que evoluem com reversão clínica.

Especificamente para cinarizina e flunarizina, há descrição de síndrome parkinsoniana permanente e não progressiva persistindo após a suspensão do fármaco em idosos, o que sugere um componente tardio ainda subreconhecido.

A leitura clínica dessas informações é dupla. Persistência dos sintomas após 6 meses de suspensão levanta a hipótese de doença de Parkinson subjacente desmascarada pelo fármaco, e ao mesmo tempo o próprio fármaco pode deixar sequela permanente. As duas possibilidades coexistem e justificam avaliação especializada.

Conduta

  1. Prevenção, com escolha criteriosa de agentes em populações suscetíveis, especialmente idosos
  2. Suspensão do fármaco causador, quando viável
  3. Substituição por quetiapina ou clozapina quando a indicação do antipsicótico se mantém
  4. Tratamento sintomático, com anticolinérgico em pacientes abaixo de 60 anos ou amantadina acima de 60 anos
  5. Fisioterapia para distúrbios de postura e marcha
  6. Manejo compartilhado entre psiquiatra e especialista em distúrbios do movimento

A restrição do anticolinérgico ao paciente mais jovem tem motivo concreto. No idoso, o perfil de efeitos adversos inclui confusão mental, retenção urinária, constipação e descompensação de glaucoma de ângulo fechado.

Tabela comparativa

Distonia agudaAcatisiaParkinsonismo induzido por fármaco
Tempo até o início50% em 48 h, 90% em 5 dias [2]; quase todos em 96 h [1]Primeiras 2 semanas [3]; até 4 semanas [2]Até 3 meses com antagonistas D2; até 12 meses com bloqueadores de canal de cálcio [7]
Achado motorContração sustentada com postura anômala: torcicolo, crise oculógira, trismo, opistótono [1]Inquietação motora contínua, troca de pernas, marcha sem destino [3]Bradicinesia, rigidez, tremor de repouso, simétrico em 61% [7]
Queixa do pacienteDor e sensação de travamentoAngústia interna, impossibilidade de ficar parado [3]Lentidão, dificuldade de marcha, quedas
Nível de consciênciaPreservadoPreservadoPreservado
Incidência10,5% com antipsicótico de 1ª geração; 2,2% com 2ª geração; 8,3% com metoclopramida [1]Maior com antipsicóticos de 1ª geração e alta potência [3]20% a 37% de todos os parkinsonismos [7]
Agentes típicosHaloperidol, metoclopramida, proclorperazina, prometazina [1]Antipsicóticos, antieméticos, bloqueadores de canal de cálcio, antidepressivos [3]Antipsicóticos típicos, flunarizina, cinarizina, metoclopramida, valproato, lítio [7]
Conduta inicialBiperideno 2,5 a 5 mg IV ou IM, repetível em 30 min [12]Reduzir dose ou trocar o antipsicótico [4]Suspender o fármaco causador [7]
AdjuvantesDifenidramina; benzodiazepínico se refratário [1]Mirtazapina 7,5 a 15 mg, betabloqueador, benzodiazepínico [2, 4]Anticolinérgico abaixo de 60 anos; amantadina acima de 60 anos [7]
Resposta ao anticolinérgicoMelhora em 10 a 30 min [1]Geralmente não responde [3]Resposta parcial, com restrição no idoso [7]
Tempo até resoluçãoMinutos após o antídoto [1]Dias após ajuste do antipsicóticoMédia de 10 meses, variação de 2 a 19; até 30% persistem [7]
ReversibilidadeCompletaCompletaIncompleta em parcela relevante dos casos [7, 8]

Cinco armadilhas clínicas

1. Atribuir a síndrome apenas a fármacos psiquiátricos. Metoclopramida, bromoprida, prometazina, flunarizina e cinarizina causam o mesmo espectro de efeitos e costumam ser prescritas por indicações banais. A metoclopramida carrega, inclusive, tarja preta do FDA por discinesia tardia, com recomendação explícita de evitar tratamento por mais de 12 semanas salvo em casos raros.

2. Tratar toda manifestação extrapiramidal com anticolinérgico. O biperideno resolve a distonia aguda em minutos, tem pouco efeito na acatisia e exige cautela no parkinsonismo do idoso.

3. Interpretar acatisia como piora do quadro psiquiátrico e aumentar a dose do antipsicótico. Como os efeitos extrapiramidais são dose-dependentes e aumentam de forma acentuada acima de 75% a 85% de ocupação D2, cada aumento agrava a acatisia que se tentava tratar.

4. Diagnosticar doença de Parkinson sem revisar a prescrição. Idoso em uso prolongado de flunarizina ou cinarizina com parkinsonismo simétrico merece suspensão do fármaco e reavaliação em 6 meses antes de iniciar levodopa.

5. Tratar a distonia aguda e liberar o paciente sem cobertura. Se o fármaco causador permanece, o anticolinérgico precisa ser mantido por alguns dias para evitar recorrência.

Pontos de maior rendimento para prova de residência médica

  • A janela temporal é a variável que mais discrimina entre as três síndromes e costuma estar explícita no enunciado;
  • Simetria favorece parkinsonismo induzido por fármaco, e é assim que as bancas cobram; na clínica, assimetria não descarta a causa medicamentosa;
  • O componente subjetivo é o que define acatisia e a separa de agitação psicomotora;
  • Crise oculógira em paciente jovem após antiemético é distonia aguda até prova em contrário;
  • Anticolinérgico resolve distonia aguda e não resolve acatisia;
  • Bancas ainda esperam propranolol como resposta para acatisia, ainda que a evidência atual priorize ajuste do antipsicótico.
Leia também: Psicofarmacologia no Enamed: as 5 classes que mais caem e a armadilha de cada uma

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Quais medicamentos causam síndromes extrapiramidais?

Os principais responsáveis são os antipsicóticos típicos (como haloperidol e tioridazina) e os atípicos (como risperidona e olanzapina). No entanto, a grande armadilha na prática clínica vem de medicamentos prescritos rotineiramente fora da psiquiatria: antieméticos (metoclopramida, bromoprida, proclorperazina, prometazina) e bloqueadores de canal de cálcio usados para vertigem (flunarizina e cinarizina).

Qual a diferença entre distonia aguda e acatisia?

A diferença central está na janela temporal e na apresentação clínica. A distonia aguda ocorre nas primeiras horas a dias (quase sempre em até 96 horas) e se manifesta como contrações musculares involuntárias e sustentadas, gerando posturas anômalas (ex: torcicolo, crise oculógira, trismo). Já a acatisia surge em dias a semanas (tipicamente nas primeiras 2 a 4 semanas) e é caracterizada por uma inquietação motora contínua, impulsionada por uma intensa angústia interna subjetiva.

Como tratar reação distônica aguda no pronto-socorro?

A conduta de escolha é o uso de anticolinérgicos parenterais. No Brasil, administra-se o biperideno (2,5 a 5 mg via intravenosa ou intramuscular), que produz melhora dramática entre 10 e 30 minutos. O passo frequentemente esquecido é a alta médica: se o fármaco causador for mantido na prescrição, é obrigatório prescrever o anticolinérgico via oral (1 a 4 mg/dia) por alguns dias para evitar a recorrência do quadro.

Como reverter o parkinsonismo induzido por fármacos?

O primeiro e mais importante passo é suspender o fármaco causador, sempre que viável. Contudo, a recuperação está longe de ser imediata: recomenda-se observar um intervalo livre da medicação de pelo menos 6 meses, sendo que até 30% dos pacientes podem persistir com os sintomas após esse período. Para o manejo sintomático, utiliza-se anticolinérgico em pacientes com menos de 60 anos; para os idosos (acima de 60 anos), a amantadina é a droga indicada, evitando efeitos adversos como retenção urinária e confusão mental.

Por que não usar anticolinérgicos para tratar acatisia?

Porque a acatisia geralmente não responde a esses agentes, o que sugere um mecanismo fisiopatológico diferente do da distonia aguda. Tratar acatisia com biperideno é um erro clínico comum; a conduta apoiada em evidências é focar no ajuste da prescrição (redução da dose ou troca do antipsicótico). O anticolinérgico só faz sentido se o paciente apresentar parkinsonismo concomitante.

Referências

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  1. Extrapyramidal Side Effects. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534115/
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Autor

  • Sou Mateus Cavarzan, médico reumatologista formado pela USP-SP — apaixonado por lúpus e mentor para a prova de residência. Você me acompanha também no Instagram (@mateuscavarzan) e no TikTok (@mateuscavarzan).

    CRM: 199884 | RQE Clínica Médica: 109195 | RQE Reumatologia: 109196

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