InícioDermatologiaRecidiva da hanseníase e vigilância epidemiológica: critérios diagnósticos e condutas práticas

Recidiva da hanseníase e vigilância epidemiológica: critérios diagnósticos e condutas práticas

Entenda quando suspeitar de recidiva pós-alta por cura, como diferenciar de um quadro reacional e as diretrizes de investigação de contatos para garantir pontos decisivos nas provas de residência

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A recidiva da hanseníase é o reaparecimento de sinais e sintomas da doença após a alta por cura com o tratamento correto. Ela é rara e geralmente ocorre anos depois do fim das doses iniciais, exigindo nova avaliação médica e a repetição integral do esquema poliquimioterápico (PQT). Ademais, a vigilância epidemiológica da doença é compulsória e de investigação obrigatória.

Anteriormente nós já resumimos as reações hansênicas e também a transmissão, as formas clínicas, o diagnóstico e o tratamento da hanseníase. Mas em caso de recidiva da doença ou na vigilância epidemiológica, você sabe como agir? Então não perca esse post que vai te ajudar no estudo para as provas de residência!

Recidiva da hanseníase

Definição: surgimento de novos sinais ou sintomas após a finalização do tratamento de forma adequada.

Para entendermos bem a definição de recidiva, devemos estar familiarizados com a evolução esperada após o encerramento do tratamento. Nesses casos, não se espera que as lesões cutâneas tenham desaparecido completamente. Além disso, a função renal pode persistir alterada por tempo indeterminado.

Outro ponto importante: reações hansênicas podem estar presentes em até 30% dos casos e a baciloscopia costuma demorar a negativar. Sendo assim, na suspeita de recidiva, devemos sempre encaminhar o paciente a um centro de referência para avaliar a necessidade de reiniciar o tratamento.

Critérios diagnósticos de recidiva

As recidivas da hanseníase podem ocorrer em média até 5 anos após o fim do tratamento. Não consideramos recidiva se o tratamento foi incorreto, abandonado ou em monoterapia.

PBMB
Dor no trajeto de nervosLesões cutâneas e/ou exacerbação de lesões antigas
Novas áreas com alterações de sensibilidadeNovas alterações neurológicas, que não respondem ao tratamento com talidomida e/ou corticosteroide nas doses e prazos recomendados
Lesões novas e/ou exacerbação de lesões anteriores, que não respondem ao tratamento com corticosteroide por ≥ 90 diasQuadro clínico compatível com pacientes virgens de tratamento
Baciloscopia positiva

Vigilância epidemiológica da hanseníase

Lembre-se: hanseníase é uma doença de notificação compulsória e investigação obrigatória!

Após o diagnóstico de um caso, o profissional da saúde precisa iniciar a investigação de contatos e grupos específicos, que deve ser realizada através de uma anamnese dirigida mais um exame dermatoneurológico.

Condutas para contatos intradomiciliares

AdultosCrianças
Sem cicatriz — realizar BCGNão vacinada — 1 dose de BCG
Com 1 cicatriz — realizar BCGComprovadamente vacinada + cicatriz — não realizar BCG
Com 2 cicatrizes — não realizar BCGComprovadamente vacinada sem cicatriz — realizar 1 dose de BCG 6 meses após a última

A hanseníase tem cura?

Sim, a hanseníase tem cura. O tratamento é feito com antibióticos por via oral, dura de 6 meses a 1 ano. Assim que a pessoa toma a primeira dose do remédio, ela para de transmitir a doença. Confira também o texto: “Hansenologia: o que é, importância médica e como atuar nessa área”.

Qual é o medicamento para reação hansênica?

O tratamento para reação hansênica depende do tipo de reação. Para a reação Tipo 1 (reversa), usa-se corticosteroides, como prednisona ou dexametasona. Para a reação Tipo 2 (eritema nodoso), o remédio principal é a talidomida, que também pode ser combinada com prednisona. Em casos crônicos, pode-se usar clofazimina ou pentoxifilina.

Confira também o texto: “Reações hansênicas: como reconhecer e tratar?”.

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Perguntas frequentes

Quais os sintomas de recidiva?

Os sintomas de recidiva variam muito conforme o tipo e o local afetado. Podem incluir dor persistente na área tratada, surgimento de novas manchas, dormência e formigamento nas extremidades, engrossamento de nervos, diminuição do suor e de pelos na área afetada, além do surgimento de caroços dolorosos.

Quem já teve hanseníase pode ter novamente?

Sim, quem já teve hanseníase pode ter a doença novamente, embora a recidiva da hanseníase seja rara quando o tratamento inicial foi feito de forma correta e completa.

Qual a sequela que a hanseníase deixa?

Os danos principais afetam a pele e os nervos periféricos, gerando perda de sensibilidade, fraqueza muscular e deformidades se não tratados a tempo. Os efeitos e complicações da hanseníase decorrem tanto da evolução da própria infecção quanto das reações adversas dos medicamentos da poliquimioterapia.

Quais são os órgãos que a hanseníase ataca?

A hanseníase ataca principalmente a pele e os nervos periféricos, mas também acomete as mucosas (como as do nariz) e, em casos avançados ou graves, órgãos como olhos, testículos, fígado e baço.

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Autor e Revisor

  • Nana Nóbrega é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) e estudante de letras português e linguística da Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência em saúde, educação médica e acessibilidade. Na MedCof, atua na produção de conteúdos sobre residência médica, concursos médicos, atualizações e notícias da área da saúde.

  • Matheus Papa Vieira

    CRM: 221231 | RQE: 124704

    Residência em Dermatologia pela UNESP (2021-2024). Membro associado Aspirante na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), no segundo semestre de 2019. Realizou estágio eletivo não remunerado na Universität zu Köln (Colônia, Alemanha) no departamento de patologia.

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