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Como classificar a forma clínica da hanseníase?

Sabemos que a hanseníase é uma infecção causada pelo bacilo de Hansen. Mas você lembra de cabeça todas as formas clínicas da hanseníase? Não perca o compilado abaixo!

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As formas clínicas da hanseníase classificam-se com base na resposta imune do paciente e na quantidade de bacilos, Paucibacilares (poucos bacilos) e Multibacilares (muitos bacilos).

Hanseníase indeterminada (HI)

Comum em crianças, geralmente é a forma inicial de todas as demais formas de hanseníase e pode ter cura espontânea. Cerca de 25% dos casos, evolui para outras formas.

  • Mancha única (ou poucas) hipocrômica, anestésica, anidrótica com bordas mal delimitadas.
  • Perda da sensibilidade térmica. Não há comprometimento de troncos nervosos.

(Fonte: BRASIL, 2022)

Na histopatologia, é evidenciado um infiltrado perivascular e perineural. Neste estágio, os principais diagnósticos diferenciais são: pitiríase alba, vitiligo, hipomelanose idiopática do tronco, entre outros.

Hanseníase tuberculoide (HT)

Forma mais estável e com boa resposta imune celular. O acometimento de apenas um tronco nervoso, com dor ou espessamento.

  • Poucas lesões ou lesão única, bem delimitada, eritematosa com perda total da sensibilidade e de distribuição assimétrica;
  • Crescimento centrífugo lento, ocorrendo atrofia no interior da lesão;
  • Pode ter aspecto tricofitoide com descamação nas bordas;
  • Com a cronicidade, a lesão pode ficar anidrótica, com alopecia e alteração sensitiva e motora.

Possibilidades:

  • Neurite — quadro agudo de dor intensa e edema;
    • Inicialmente, pode não ter comprometimento funcional do nervo. Porém, a cronicidade evidencia os danos, podendo evoluir com alteração motora (dormência e perda da força muscular).
  • Neurite silenciosa — alteração da sensibilidade e motricidade sem sintomas agudos;
  • Forma neural pura — dano neural precoce e grave sem lesões cutâneas;
  • Sinal da raquete — espessamento neural visível na extremidade da lesão cutânea.

 Principais troncos nervosos periféricos acometidos:

Facetrigêmeo e facial
Braçosradial, ulnar e mediano
Pernasfibular e tibial

Hanseníase Virchowiana (HV)

Essa é a forma mais grave e disseminada, com baixa imunidade específica, logo há muitos bacilos.

  • Lesões disseminadas em forma de placas infiltradas, secas, poros dilatados e nódulos eritemato-acastanhados (hansenomas);
  • Pele xerótica, com aspecto apergaminhado e tonalidade de cobre;
  • Pode acometer pele, mucosas de vias aéreas superiores, olhos, testículos, nervos, linfonodos, baço e fígado;
  • Madarose;
  • Perda da sensibilidade tátil, térmica e dolorosa;
  • Espessamento neural simétrico.

(Fonte: BRASIL, 2022)

Hanseníase Dimorfa (HD) ou Borderline (HB)

Esse tipo de hanseníase é causado pela instabilidade imunológica. Por isso, apresenta clínica variável, podendo se assemelhar a virchowiana e a tuberculoide.

Dessa forma, as lesões neurais são precoces, assimétricas e mais extensas, podendo até ter neurite aguda e incapacidade física.

(Fonte: BRASIL, 2022)

Formas Clínicas da Hanseníase: Subclassificação

  • Borderline tuberculoide: placas ou manchas eritematosas de maior extensão, distribuição assimétrica, pouco numerosas ou com lesões satélite;
  • Borderline borderline: fase central e instável da hanseníase dimorfa, em “queijo suíço” (“esburacadas”), anulares ou foveolares, com limite interno nítido e limites externos imprecisos e bordos de cor ferruginosa;

Borderline virchowiana: múltiplas lesões elevadas eritemato-infiltradas, podendo ter aspecto anular.

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Perguntas frequentes

Quais são as formas clínicas da hanseníase?

As quatro principais formas clínicas da hanseníase são: indeterminada, tuberculoide, dimorfa (ou boderline) e virchowiana. Elas são classificadas de acordo com a resposta imune do paciente e também são divididas entre paucibacilares e multibacilares.

Como é feito o diagnóstico clínico da hanseníase?

O diagnóstico clínico da hanseníase é dermatoneurológico, isso significa que ele é realizado por meio de exame físico geral, dermatológico e a palpação dos nervos periféricos, com o intuito de identificar manchas na pele com alteração na sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil). O médico também deve verificar o comprometimento dos troncos nervosos. A presença de pelo menos um sinal cardinal confirma a condição.

Como diferenciar hanseníase dimorfa e virchowiana?

Para diferenciar a hanseníase dimorfa (boderline) e a virchowiana, o médico deve se basear na resposta imunológica do paciente, no aspecto e distribuição das lesões cutâneas, no acometimento dos nervos e na quantidade de bacilos. Apesar de ambas as formas serem multibacilares, elas possuem manifestações clínicas distintas.

A hanseníase dimorfa e a virchowiana ocupam posições diferentes no espectro imunológico da doença. Na forma dimorfa, a imunidade é instável e intermediária, resultando em múltiplas lesões assimétricas — manchas, placas e lesões foveolares (de centro claro e bordas imprecisas) — além de acometimento neural precoce, múltiplo e frequentemente doloroso, com risco elevado de neurites e incapacidades.

Já a virchowiana representa o polo de baixa resistência, com imunidade quase ausente contra o Mycobacterium leprae e baciloscopia fortemente positiva; caracteriza-se por infiltração cutânea difusa (com lepromas e pele espessada), comprometimento neural simétrico e generalizado e caráter sistêmico, podendo atingir órgãos internos e cursar com eritema nodoso hansênico.

Qual é a forma mais grave da hanseníase?

O tipo mais grave de hanseníase é a virchowiana (ou lepromatosa). Ela ocorre quando a defesa do corpo contra a bactéria é muito fraca, o que faz os micróbios se espalharem sem controle pela pele, pelos nervos e por vários órgãos internos.

A hanseníase tem cura?

Sim, a hanseníase tem cura. O tratamento é feito com antibióticos por via oral, dura de 6 meses a 1 ano. Assim que a pessoa toma a primeira dose do remédio, ela para de transmitir a doença.

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Autor e Revisor

  • Nana Nóbrega é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) e estudante de letras português e linguística da Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência em saúde, educação médica e acessibilidade. Na MedCof, atua na produção de conteúdos sobre residência médica, concursos médicos, atualizações e notícias da área da saúde.

  • Matheus Papa Vieira

    CRM: 221231 | RQE: 124704

    Residência em Dermatologia pela UNESP (2021-2024). Membro associado Aspirante na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), no segundo semestre de 2019. Realizou estágio eletivo não remunerado na Universität zu Köln (Colônia, Alemanha) no departamento de patologia.

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