
As reações hansênicas são manifestações inflamatórias produzidas pelo sistema imunológico que podem ocorrer antes, durante ou após o dAs reações hansênicas são manifestações inflamatórias produzidas pelo sistema imunológico que podem ocorrer antes, durante ou após o diagnóstico da hanseníase.
Antes de tudo, já lançamos o olhar sobre a transmissão e as formas clínicas da hanseníase. Não deixe de dar uma conferida para estar 100% preparado para as provas de residência que estão chegando!
Fatores desencadeantes das reações hansênicas
Os principais gatilhos dessas manifestações são:
- Infecções intercorrentes: gripes, infecções de urina ou problemas odontológicos;
- Vacinação: aplicação de imunizantes novos, não tomados antes;
- Gravidez e puerpério: alterações nos hormônios e no corpo da gestante;
- Medicamentos iodados;
- Estresse físico e emocional: momentos de cansaço físico ou esgotamento mental.
Outros eventos que podem engatilhar os picos de inflamação são traumas físicos, cirurgias e exposição exagerada ao sol.
Reação tipo 1 — reversa
A reação reversa é mediada pela imunidade celular e tende a aparecer mais precocemente no tratamento, geralmente após 2 a 6 meses do início, sendo mais comum na hanseníase dimorfa.


Em alguns casos, a única manifestação pode ser neurite frequente e grave. Desse modo, o tratamento é com prednisona 1-2mg/kg/dia.
Reação tipo 2 — eritema nodoso hansênico
O eritema nodoso hansênico é uma reação sistêmica e grave, mediada por imunocomplexos, que costuma ocorrer em multibacilares após 6 meses de tratamento.


Além disso, alguns pacientes podem apresentar paniculite e vasculite. Sintomas comuns: febre, linfadenopatia, neurite, uveíte, edema em MMII, entre outros. Dentre os achados laboratoriais, temos leucocitose com desvio à esquerda, anemia normo-normo, aumento de VHS, PCR, fator reumatoide e FAN, podendo, nesses casos, ser confundido com colagenoses. O tratamento é feito com talidomida.
Fenômeno de Lúcio
Por fim, o Fenômeno de Lúcio ocorre antes do tratamento em alguns pacientes com hanseníase virchowiana e é comum em membros inferiores.

No exame histopatológico, há a presença de necrose isquêmica de epiderme e derme, proliferação de células endoteliais e formação de trombos em grandes vasos da porção profunda da derme. Por isso, o tratamento consiste na poliquiomioterapia, medidas de suporte, antibioticoterapia e transfusões de troca.
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Perguntas frequentes
O que é uma crise hansênica?
A “crise” na hanseníase é um estado reacional ou reação hansênica, um surto inflamatório agudo do sistema de defesa que pode ocorrer antes, durante ou após o tratamento. É uma urgência médica que exige atendimento rápido para evitar danos permanentes aos nervos e sequelas físicas.
Quais são os 4 tipos de hanseníase?
As quatro principais formas clínicas da hanseníase são: indeterminada, tuberculoide, dimorfa (ou boderline) e virchowiana. Elas são classificadas de acordo com a resposta imune do paciente e também são divididas entre paucibacilares e multibacilares. Para mais informações confira o texto: “Como classificar a forma clínica da hanseníase?”.
Qual é o medicamento para reação hansênica?
O tratamento para reação hansênica depende do tipo de reação. Para a reação Tipo 1 (reversa), usa-se corticosteroides, como a prednisona ou dexametasona. Para a reação Tipo 2 (eritema nodoso), o remédio principal é a talidomida, que também pode ser combinada com prednisona. Em casos crônicos, pode-se usar clofazimina ou pentoxifilina.
Confira também o texto: “Hansenologia: o que é, importância médica e como atuar nessa área”.
Quais são os efeitos colaterais da hanseníase?
Os danos principais afetam a pele e os nervos periféricos, gerando perda de sensibilidade, fraqueza muscular e deformidades se não tratados a tempo. Os efeitos e complicações da hanseníase decorrem tanto da evolução da própria infecção quanto dos reações adversas dos medicamentos da poliquimioterapia.
Quais são os órgãos que a hanseníase ataca?
A hanseníase ataca principalmente a pele e os nervos periféricos, mas também acomete as mucosas (como as do nariz) e, em casos avançados ou graves, órgãos como olhos, testículos, fígado e baço.
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