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Reações hansênicas: como reconhecer e tratar?

Tudo o que você precisa saber sobre as reações hansênicas: tipos, gatilhos e conduta para gabaritar nas provas de residência

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As reações hansênicas são manifestações inflamatórias produzidas pelo sistema imunológico que podem ocorrer antes, durante ou após o dAs reações hansênicas são manifestações inflamatórias produzidas pelo sistema imunológico que podem ocorrer antes, durante ou após o diagnóstico da hanseníase.

Antes de tudo, já lançamos o olhar sobre a transmissão e as formas clínicas da hanseníase. Não deixe de dar uma conferida para estar 100% preparado para as provas de residência que estão chegando!

Fatores desencadeantes das reações hansênicas

Os principais gatilhos dessas manifestações são:

  • Infecções intercorrentes: gripes, infecções de urina ou problemas odontológicos;
  • Vacinação: aplicação de imunizantes novos, não tomados antes;
  • Gravidez e puerpério: alterações nos hormônios e no corpo da gestante;
  • Medicamentos iodados;
  • Estresse físico e emocional: momentos de cansaço físico ou esgotamento mental.

Outros eventos que podem engatilhar os picos de inflamação são traumas físicos, cirurgias e exposição exagerada ao sol.

Reação tipo 1 — reversa

A reação reversa é mediada pela imunidade celular e tende a aparecer mais precocemente no tratamento, geralmente após 2 a 6 meses do início, sendo mais comum na hanseníase dimorfa.

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(Fonte: BRASIL, 2022)
Clínica: novas lesões ou piora das já existentes, com edema e eritema que se assemelham à erisipela.

Em alguns casos, a única manifestação pode ser neurite frequente e grave. Desse modo, o tratamento é com prednisona 1-2mg/kg/dia.

Reação tipo 2 — eritema nodoso hansênico

O eritema nodoso hansênico é uma reação sistêmica e grave, mediada por imunocomplexos, que costuma ocorrer em multibacilares após 6 meses de tratamento.

Clínica: lesões eritematosas e dolorosas, de tamanho variado, incluindo pápulas e nódulos, podendo evoluir para úlcera (eritema nodoso necrotizante).
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(Fonte: BRASIL, 2022)

Além disso, alguns pacientes podem apresentar paniculite e vasculite. Sintomas comuns: febre, linfadenopatia, neurite, uveíte, edema em MMII, entre outros. Dentre os achados laboratoriais, temos leucocitose com desvio à esquerda, anemia normo-normo, aumento de VHS, PCR, fator reumatoide e FAN, podendo, nesses casos, ser confundido com colagenoses. O tratamento é feito com talidomida.

Fenômeno de Lúcio

Por fim, o Fenômeno de Lúcio ocorre antes do tratamento em alguns pacientes com hanseníase virchowiana e é comum em membros inferiores.

Clínica: lesões maculares equimóticas/necróticas que viram úlcera.

No exame histopatológico, há a presença de necrose isquêmica de epiderme e derme, proliferação de células endoteliais e formação de trombos em grandes vasos da porção profunda da derme. Por isso, o tratamento consiste na poliquiomioterapia, medidas de suporte, antibioticoterapia e transfusões de troca.

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Perguntas frequentes

O que é uma crise hansênica?

A “crise” na hanseníase é um estado reacional ou reação hansênica, um surto inflamatório agudo do sistema de defesa que pode ocorrer antes, durante ou após o tratamento. É uma urgência médica que exige atendimento rápido para evitar danos permanentes aos nervos e sequelas físicas.

Quais são os 4 tipos de hanseníase?

As quatro principais formas clínicas da hanseníase são: indeterminada, tuberculoide, dimorfa (ou boderline) e virchowiana. Elas são classificadas de acordo com a resposta imune do paciente e também são divididas entre paucibacilares e multibacilares. Para mais informações confira o texto: “Como classificar a forma clínica da hanseníase?”.

Qual é o medicamento para reação hansênica?

O tratamento para reação hansênica depende do tipo de reação. Para a reação Tipo 1 (reversa), usa-se corticosteroides, como a prednisona ou dexametasona. Para a reação Tipo 2 (eritema nodoso), o remédio principal é a talidomida, que também pode ser combinada com prednisona. Em casos crônicos, pode-se usar clofazimina ou pentoxifilina.

Confira também o texto: “Hansenologia: o que é, importância médica e como atuar nessa área”.

Quais são os efeitos colaterais da hanseníase?

Os danos principais afetam a pele e os nervos periféricos, gerando perda de sensibilidade, fraqueza muscular e deformidades se não tratados a tempo. Os efeitos e complicações da hanseníase decorrem tanto da evolução da própria infecção quanto dos reações adversas dos medicamentos da poliquimioterapia.

Quais são os órgãos que a hanseníase ataca?

A hanseníase ataca principalmente a pele e os nervos periféricos, mas também acomete as mucosas (como as do nariz) e, em casos avançados ou graves, órgãos como olhos, testículos, fígado e baço.

Informação de qualidade também faz parte da preparação

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Autor e Revisor

  • Matheus Papa Vieira

    CRM: 221231 | RQE: 124704

    Residência em Dermatologia pela UNESP (2021-2024). Membro associado Aspirante na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), no segundo semestre de 2019. Realizou estágio eletivo não remunerado na Universität zu Köln (Colônia, Alemanha) no departamento de patologia.

  • Nana Nóbrega é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) e estudante de letras português e linguística da Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência em saúde, educação médica e acessibilidade. Na MedCof, atua na produção de conteúdos sobre residência médica, concursos médicos, atualizações e notícias da área da saúde.

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