InícioAtualizaçõesHanseníase: Epidemiologia, Formas Clínicas e Esquemas de PQT

Hanseníase: Epidemiologia, Formas Clínicas e Esquemas de PQT

Confira os principais pontos de diagnóstico, critérios de cura e manejo de complicações da doença para garantir questões preciosas na sua prova

hanseniase diagnostico, hanseniase tratamento, hanseníase tratamento, hanseníase diagnóstico, diagnóstico da hanseníase, como é feito o diagnóstico da hanseníase, diagnóstico hanseníase, exame para diagnóstico de hanseníase, tratamento da hanseníase, tratamento para hanseníase, tratamento hanseníase, hanseníase

A hanseníase, anteriormente conhecida como lepra, é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Apesar de ser uma das doenças mais antigas conhecidas pela humanidade, ainda representa um desafio significativo em saúde pública em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil, que ocupa a segunda posição global em número de casos novos. Apesar disso, os dados epidemiológicos mostram que a recorrência de pacientes que desistem do tratamento é bastante elevada. Vamos ver alguns desses importantes dados, que podem ser cobrados na sua prova de residência!

Etiologia e Epidemiologia da Hanseníase

O agente etiológico da hanseníase é o Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), que possui afinidade por células nervosas e cutâneas. A transmissão ocorre principalmente por vias aéreas superiores, através do contato prolongado com casos não tratados. A doença é mais prevalente em áreas de baixa renda e condições de vida precárias, refletindo a importância dos determinantes sociais na sua propagação.

O último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), identificou 172.717 novos casos da doença em 2024, uma queda de 5,5% em comparação aos últimos anos. A doença tem alto índice de diagnóstico tardio no Brasil. O número de casos detectados com grau 2 de incapacidade (G2D) tem crescido e representam 10% do total de novos registros. 

Apesar de a maioria dos pacientes que abandonaram o tratamento não apresentarem incapacidades físicas no momento do diagnóstico, o abandono do tratamento pode influenciar no aparecimento de incapacidades físicas. A alta proporção de casos não avaliados ou ignorados (14,6%) destaca a necessidade de fortalecimento da avaliação neurológica simplificada, com vistas a orientar a conduta de prevenção de incapacidades físicas e reabilitação.

Para mais informações, confira o texto: “Como ocorre a transmissão da hanseníase?”

Manifestações Clínicas da Hanseníase

A hanseníase apresenta-se com uma ampla gama de manifestações clínicas, que variam conforme a resposta imune do hospedeiro:

  • Indeterminada: Fase inicial com máculas hipocrômicas e perda sensitiva discreta. Pode evoluir para formas mais definidas se não tratada.
  • Tuberculóide: Caracterizada por lesões bem delimitadas e comprometimento neural significativo, com resposta imune celular robusta.
  • Dimorfa: Apresenta variabilidade clínica, com lesões cutâneas de diversos tipos e acometimento neural.
  • Virchowiana: Forma mais grave, com infiltração difusa da pele e presença de hansenomas, associada a uma resposta imune celular deficiente.
Hanseníase
Imagem de Canva

Diagnóstico

O diagnóstico da hanseníase é clínico e laboratorial, baseado nos seguintes critérios:

  • Clínico: Presença de lesões de pele com alteração de sensibilidade térmica, dolorosa ou tátil, espessamento de nervos periféricos e sinais cardinais da doença.
  • Laboratorial: Baciloscopia de raspado intradérmico e biópsia de pele são métodos importantes para a confirmação diagnóstica. A baciloscopia positiva é indicativa de formas multibacilares.

Exame neurológico — etapas

  • Inspeção de olhos, nariz, mãos e pés;
  • Palpação de troncos nervosos periféricos;
hanseniase diagnostico, hanseniase tratamento, hanseníase tratamento, hanseníase diagnóstico, diagnóstico da hanseníase, como é feito o diagnóstico da hanseníase, diagnóstico hanseníase, exame para diagnóstico de hanseníase, tratamento da hanseníase, tratamento para hanseníase, tratamento hanseníase, hanseníase
  • Avaliação da mobilidade articular;
  • Avaliação da força muscular;
  • Avaliação da sensibilidade nos olhos, MMSS e MMII;
  • Teste de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil.

Tratamento

O tratamento da hanseníase é realizado com Poliquimioterapia (PQT), que varia conforme a classificação do paciente em paucibacilar ou multibacilar:

  • Paucibacilar: 6 meses de tratamento com Dapsona e Rifampicina.
  • Multibacilar: 12 meses de tratamento com Dapsona, Rifampicina e Clofazimina.

O tratamento supervisionado mensalmente e a adesão do paciente são cruciais para o sucesso terapêutico e a prevenção de incapacidades.

Tratamento de neurites

Pacientes que apresentem dores persistentes com quadro sensitivo e motor normal ou sem piora podem ser tratados com antidepressivos tricíclicos, fenotiazínicos oU anticonvulsivantes. Enquanto aqueles que apresentarem difícil controle neurológico também podem se beneficiar de pulsoterapia com metilprednisolona 1g/dia EV.

tratamento cirúrgico é exceção, cogitado apenas nos casos de abscesso de nervo, neurite que não responder ao tratamento em 4 semanas e neurites subentrantes.

Critérios de cura da hanseníase

Em adultos, consideramos curados aqueles pacientes que cumprem o Nº de cartelas em determinado tempo.

PB6 cartelas de PQT em até 9 meses
MB12 cartelas de PQT em até 18 meses

Reações Hansênicas

As reações hansênicas são complicações imunológicas que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento:

  • Tipo 1 (Reação Reversa): Relacionada à hipersensibilidade tardia, com exacerbação das lesões cutâneas e neurite. O manejo inclui o uso de corticosteroides.
  • Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico): Causada por imunocomplexos, manifesta-se com febre, nódulos dolorosos e sintomas sistêmicos. Talidomida e corticosteroides são utilizados no tratamento.

Complicações da hanseníase

A hanseníase, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves, incluindo deformidades físicas e incapacidades permanentes. A educação em saúde, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para controlar a doença e reduzir o estigma associado. devemos tomar como base os dados lançados para guiar uma conscientização acerca desse tratamento em nossa futura prática médica e residência.

Para mais informações, confira o texto sobre a residência médica na área de hansenologia: “Hansenologia: o que é, importância médica e como atuar nessa área”.

Prepare-se conosco!

Quer alcançar a aprovação nas provas de residência médica? Então seja um MedCofer! Aqui te ajudaremos na busca da aprovação com conteúdos de qualidade e uma metodologia que já aprovou mais de 35 mil residentes no país! Por fim, acesse o nosso canal do youtube para ver o nosso material de revisão e correção.

Perguntas frequentes

Qual o primeiro sinal da hanseníase?

O primeiro sinal da hanseníase é o aparecimento de uma ou mais manchas na pele (esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas) que apresentam alteração ou perda de sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao tato.

Qual animal transmite hanseníase?

O ser humano é o principal reservatório natural da bactéria Mycobacterium leprae, porém alguns animais selvagens (como o tatu-galinha), também podem transmitir a doença.

Como reconhecer que um paciente está com hanseníase?

O médico deve observar se há manchas na pele (claras, avermelhadas ou escuras) que perdem sensibilidade ao calor, ao frio ou à dor. Além disso, o paciente pode apresentar dormência, formigamento ou caroços nos braços, pernas, pés e mãos.

Qual é o teste rápido para hanseníase?

O teste rápido para identificar hanseníase é o imunocromatográfico, que utiliza uma gota de sangue para detectar anticorpos específicos contra a bactéria responsável pela doença, em cerca de 15 a 20 minutos.

Qual a diferença entre hanseníase e lepra?

Nenhuma. O termo lepra era usado anteriormente para se referir a hanseníase, entretanto, foi alterado para diminuir o preconceito, o medo e o isolamento social que o termo antigo carregava.

Informação de qualidade também faz parte da preparação

Ficar alerta para atualizações da área da saúde é essencial tanto para a prática médica quanto para as provas de residência. Continue acompanhando o Blog do MedCof para aprofundar seus conhecimentos com conteúdos atualizados e baseados em evidências!

Confira outros artigos e fique por dentro das principais notícias e atualizações da Medicina.

Autor

  • Kiara Adelino

    Estudante do 6° semestre de Medicina. Gosto bastante de aprender coisas novas, principalmente na área de Neurologia e Anatomia humana.

POSTS RELACIONADOS