InícioAtualizaçõesEbola: exame descarta diagnóstico em paciente internado no Emílio Ribas

Ebola: exame descarta diagnóstico em paciente internado no Emílio Ribas

Impulsionado por variante rara e sem vacina aprovada, avanço de casos em região de fronteira acende alerta; risco global e no Brasil permanece baixo.

surto de Ebola

A investigação de um caso suspeito de Ebola em São Paulo reacendeu o alerta para uma doença considerada uma das mais letais do mundo. No sábado (30), a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou que o paciente com suspeita de Ebola testou positivo para meningite meningocócica.

A confirmação do diagnóstico veio através de um exame de sangue PCR. As autoridades de saúde eliminaram a suspeita de Ebola depois de realizarem análises laboratoriais e genômicas. Profissionais responsáveis afirmam que não detectaram material genético do vírus na amostra coletada.

As autoridades também supervisionavam outro paciente no Rio de Janeiro desde sábado (30), porém, depois que especialistas da Fiocruz o diagnosticaram com malária, eliminaram a suspeita de Ebola. Os dois casos eram de pessoas recém-chegadas da República Democrática do Congo.

Representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde e do Emílio Ribas se reuniram nesta segunda-feira (01) para discutir se devem realizar um exame de contraprova no paciente de São Paulo, como fizeram com o do Rio de Janeiro.

O quadro aconteceu após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional devido ao avanço de um novo surto da doença na África Central.

A suspeita ocorre em meio à preocupação global com o surto registrado na República Democrática do Congo e em Uganda, associado à variante Bundibugyo do vírus, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados. A OMS classificou a situação como uma emergência internacional devido ao risco de disseminação entre países e ao aumento de casos e mortes suspeitas.

O que é o Ebola?

O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus da família Filoviridae. A infecção provoca uma febre hemorrágica viral que pode apresentar altas taxas de mortalidade, especialmente quando não há diagnóstico e tratamento rápidos.

A doença foi identificada pela primeira vez em 1976, em surtos simultâneos ocorridos na República Democrática do Congo e no Sudão. O nome faz referência ao rio Ebola, localizado próximo a uma das áreas afetadas.

Como ocorre a transmissão?

O vírus é transmitido por contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas. Também pode ocorrer transmissão por meio de objetos contaminados, como agulhas e materiais hospitalares.

Os surtos costumam se espalhar com maior facilidade em ambientes onde há contato próximo com pacientes infectados sem equipamentos adequados de proteção.

Quais são os sintomas?

O período de incubação varia entre 2 e 21 dias. Os primeiros sintomas geralmente incluem:

  • Febre alta;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Fraqueza e fadiga;
  • Dores musculares;
  • Dor de garganta.

Com a evolução da doença, podem surgir:

  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Alterações hepáticas e renais;
  • Hemorragias internas e externas em casos mais graves.

Existe tratamento?

O tratamento consiste principalmente em suporte clínico intensivo, com hidratação, controle dos sintomas e monitoramento das funções vitais.

Embora existam vacinas aprovadas para algumas variantes do Ebola, especialistas alertam que a cepa Bundibugyo, relacionada ao surto atual na África, ainda não possui vacina ou tratamento específico aprovado.

O Brasil corre risco?

Até o momento, o Brasil não possui casos confirmados de Ebola relacionados ao surto atual. Ainda assim, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais reforçaram protocolos de vigilância, identificação e isolamento de casos suspeitos.

Em São Paulo, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas foi definido como unidade de referência para atendimento de pacientes suspeitos, enquanto o Instituto Adolfo Lutz é responsável pelo diagnóstico laboratorial.

As autoridades sanitárias destacam que a investigação de casos suspeitos faz parte dos protocolos de prevenção e não significa, necessariamente, a confirmação da doença.

Por que a OMS declarou emergência internacional?

A OMS classificou o atual surto como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional após identificar o aumento de casos suspeitos e confirmados na República Democrática do Congo e em Uganda, além do risco de disseminação para outras regiões.

A preocupação é ampliada pela circulação da variante Bundibugyo, considerada rara e para a qual ainda não existem vacinas aprovadas. A organização também alerta para a alta taxa de letalidade da doença e para a necessidade de coordenação internacional para conter a transmissão.

Embora o caso investigado em São Paulo ainda seja apenas uma suspeita, o episódio reforça a importância da vigilância epidemiológica e da rápida resposta dos sistemas de saúde diante de doenças com potencial de disseminação internacional.

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Autor

  • Laura Fernandes

    Jornalista pela UFOP, escrevo sobre saúde e especializações médicas.

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