
O Protocolo RUSH (Rapid Ultrasound for Shock and Hypotension) é uma abordagem sistemática de ultrassonografia para avaliar rapidamente pacientes hipotensos ou em choque indiferenciado, com o objetivo de identificar a etiologia do choque à beira do leito.
O choque é uma condição clínica grave que requer uma avaliação rápida e precisa para identificar a causa subjacente e iniciar o tratamento adequado. A ultrassonografia point-of-care (POCUS) tem se mostrado uma ferramenta valiosa na abordagem de pacientes com choque, permitindo uma avaliação imediata e não invasiva dos sistemas cardiovascular e respiratório.
Para mais informações, confira o texto: “POCUS: veja importância na emergência”.

Etapas do protocolo RUSH
O protocolo RUSH organiza a avaliação ultrassonográfica em três componentes fisiológicos:
- A “bomba” (coração)
- O “tanque” (volume intra + extravascular)
- Os “tubos” (vasos)
Essas etapas são realizadas sequencialmente e podem ser repetidas conforme necessário, dependendo da resposta do paciente ao tratamento. A depender do biotipo do paciente, podemos usar diferentes posicionamentos do transdutor para adquirir a informação de forma mais fidedigna.

Fonte: Velasco, 2021
Avaliação da “Bomba”
É a avaliação cardíaca, que mais comumente usa 3 janelas: paraesternal eixo longo, apical e da veia cava inferior, conforme imagem acima.
Procura-se a avaliação da função cardíaca global, derrame pericárdico, sinais de tamponamento (p. ex.: colapso do ventrículo direito na diástole), ou ainda de sobrecarga do ventrículo direito que, agudamente e no paciente sem antecedentes cardíacos relacionados, sugere embolia pulmonar.
Avaliação do “Tanque”
Avalia-se a volemia e alterações torácicas. Há a avaliação da veia cava inferior (diâmetro e variação respiratória, usada como estimativa de pressão venosa central e responsividade a fluidos), pesquisa de líquido livre no peritônio (semelhante ao FAST), e avaliação pulmonar para linhas B (edema) ou pneumotórax.
Avaliação dos “Vasos”
No último passo, são avaliadas a circulação arterial e venosa, através de uma varredura ultrassonográfica na região da aorta abdominal e dos vasos ilíacos e femorais. Essa avaliação visa identificar aneurismas ou dissecção da aorta, ou ainda trombose venosa profunda (TVP).
Confira abaixo alguns achados patológicos que podem ser observados durante o RUSH e sua relação com os respectivos choques.


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